Cap. 2 Pt. 2

     Miranda olhou para o filho, Luciano, que dormia na cama de casal. Aquele sono significava uma trégua nas hostilidades. Era incrível imaginar que aquela criança fosse um misto dela e de Márcio. Um fruto do amor. Em outras circunstâncias aquele fato deveria ser motivo de orgulho, porém, agora, o amor não existia mais. Tudo chegara a um ponto insuportável, e ela não tinha a quem apelar. Arrependia-se amargamente de ter concordado em ir morar num lugar distante, sem telefone, sem carro, sem amigos e sem um emprego. Sua última e única alternativa tinha sido contar com a colaboração dos vizinhos, a quem pedira encarecidamente que enviassem uma carta a seu pai, o que foi feito numa situação incrível, onde ela ditara pela janela uma mensagem, passando o endereço de seu pai para uma filha do casal, uma menina de 15 anos, que ficara no muro copiando tudo, enquanto ela praticamente sussurrava as coisas, num dia em que Márcio estava em casa. Se eles recebessem a carta, Márcio seria pego de surpresa. Se não, o que fazer? Durante a semana ele a trancava em casa e levava a criança para uma creche que ela nem sabia onde ficava. As janelas tinham grades e ele a ameaçava de nunca mais tornar a ver o filho. Alternativas passavam pela cabeça de Miranda, entre elas matar o marido, mas isso além de desamparar totalmente ao filho, priva-la-ía ainda mais de seu maior bem, que um dia esperava recuperar: a liberdade. Ir para uma penitenciária não era a sua idéia de livrar-se de um problema. Então, ela estava de mãos atadas, à espera de um milagre.    
     Com os braços doendo muito, Miranda tinha vontade de chorar, mas Márcio não gostaria disso. Ouviu a descarga do banheiro. A guerrilha estava para recomeçar. A porta abriu-se e ela o ouviu aproximar-se do quarto.      

     Márcio parou à porta, olhando-a calado. Seus olhos castanhos penetrantes deixavam transparecer um ódio desmedido contra ela. Sem saber por que aquilo acontecia, Miranda sustentava-lhe o olhar, ciente de que aquilo o desafiava. Sabia que tal atitude lhe custaria caro, mas não podia dar-lhe a certeza de que a amedrontava. O que ela mais queria era proteger Luciano. E também saber por que Márcio a tratava daquela forma.    
     - O que é que você está olhando? - disse o rapaz, em voz alta.
     - Não se exalte. - retorquiu ela, calmamente. - Quer acordar o menino?
     - Você passa o tempo todo dentro de casa, e eu estou com fome. Não vai fazer nada para o almoço?
     - Faça você mesmo. Estou com os braços doloridos de sua brutalidade.
     - Escute aqui. - Márcio pegou-a por um braço, obrigando-a a erguer-se da cama. - É sua função fazer isso para mim.
     Apesar de sentir uma forte dor, Miranda permaneceu calada, não querendo prejudicar o filho. Seus olhos continuaram desafiando o marido, e a jovem até se admirava com a própria garra.
     Márcio puxara-a para fora do quarto. Logo em seguida, alguém tocou a campainha.
     “Será o meu milagre?”, pensou Miranda, desacostumada de receber visitas.

     Ela parou, o coração acelerado pela esperança. Márcio foi até a porta e olhou pelo “olho mágico”. Ao ver o cunhado, percebeu que poderia ter problemas. Voltou para junto de Miranda e disse:

     - É o seu irmão.

     Miranda sorriu, olhando-o com malícia.

     - Agora você se ferrou. O que vai fazer?

     - Vou falar com ele. Se você der um pio, quem se ferra é você.

     - E se ele quiser entrar?

     - Não vai querer.

     Novo toque. Márcio foi até à porta, abrindo-a muito pouco.

     - Olá. - disse Ernesto.

     - Olá. - falou Márcio, sem sorrir. - Que deseja?

     - Que jeito estranho de receber seu cunhado, meu caro, depois de tanto tempo. Mas já que é assim, eu desejo ver minha irmã. Tenho uma notícia para dar a ela.

     - Pôxa, ela não está. Foi visitar uma amiga.

     Um pouco mais afastada, Miranda não ouviu o que seu irmão respondeu.

     - Bem, eu não tenho nada para o almoço. - disse Márcio.

     Miranda estava bastante apavorada com o pensamento de que sua chance pudesse escapar. Poderia ficar calada e continuar com a esperança de uma mudança no modo de agir de Márcio e de que tudo voltasse ao normal. Mas tal esperança, baseada acima de tudo na criação de Luciano, não podia ser maior que sua necessidade de, como ser humano, levar uma vida digna, com chances de crescimento espiritual. Márcio jamais mudaria e certamente não saberia dar valor à sua dedicação, se decidisse permanecer ali, ao lado dele. Uma decisão como aquela parecia-lhe ser insuficiente para reverter a situação. Ao contrário, Márcio podia vir a pensar que ela gostava de ser maltratada e agredida.

     Aqueles pensamentos passaram por seu cérebro numa fração de segundo, e ela percebeu que aquela era sua última chance em muito tempo de fugir daquele inferno.

     - Ernesto, eu estou aqui! - gritou.

     Já à espera de qualquer coisa, Ernesto colocou um pé na porta, forçando Márcio a abri-la. Miranda correu até o irmão e abraçou-o, em lágrimas.

     - Mano… Por favor, me leve embora!

     Ernesto olhou para ela, para suas marcas, e controlou-se para não chorar, também. Miranda estava com a boca inchada e tinha marcas vermelhas nos braços e no rosto. Vestida com jeans e colant, parecia uma caricatura da menina viva e alegre que ele vira crescer.

     - Pegue o bebê e vamos embora. - falou à irmã.

     - Negativo. - interveio Márcio, colocando a mão no braço de Miranda. - Quem manda aqui sou eu.

     - Tire a mão dela. - falou Ernesto, com firmeza. - Por que não experimenta bater em mim?

     - Você não pode levá-la.

     - Posso, e vou. Tente me impedir, para ver o que acontece.

     Miranda livrou o braço e encaminhou-se para o quarto.

     - Miranda! - Márcio fez menção de sair atrás dela.

     Ernesto já estava psicologicamente preparado para entrar em luta corporal com o cunhado. Sabia que, graças à ginástica, estava com bom preparo físico. Sabia, também, que, devido às sessões de musculação, estava com um potencial de impacto bastante forte, se precisasse aplicar um soco em alguém. Como aquilo parecia inevitável, Ernesto pegou o cunhado por um braço e soqueou-o no rosto, tendo Márcio cambaleado, com o nariz ensangüentado. Ao perceber-se ferido, Márcio avançou para Ernesto, que não se deixou surpreender. Mais uma vez, desferiu um soco em Márcio, que jogou-se-lhe por cima. Ao cair, Ernesto bateu com a cabeça na quina do braço de uma poltrona estofada, o que amorteceu em parte o choque. Soqueou o estômago de Márcio, pensando, na hora que, embora não estivesse acostumado àquele tipo de atividade, o outro certamente estava menos ainda, o que lhe concedia pequena vantagem. Márcio conseguiu acertá-lo no estômago, também, deixando-o momentaneamente sem ar. Com algum esforço, conseguiu jogar Márcio à distância.

     Miranda voltou naquele momento, trazendo apenas o filho e uma sacola com algumas coisas suas e dele.

     - Vamos embora, Ernesto. Não precisa mais sujar suas mãos neste monte de esterco.

     - Vamos, vamos. Passe ali por trás. Eu não deixo ele se aproximar.

     - Miranda. - chamou Márcio, ofegante.
   
     A jovem virou-se, sem vontade. Nada havia que justificasse ainda olhar para ele.
     - Eu mato você.
     Ela não respondeu, limitando-se a encará-lo, por instantes. Depois saiu. Lá fora, ela olhou para o casal de vizinhos, com os olhos ainda acostumando-se à claridade do sol.
     - Eu voltarei para ver vocês.
     - Vá com Deus, minha filha.

     Miranda sorriu e foi com o irmão para o carro.
 
 
 

 

 

Renascendo - Cap. 2 pt. 1

     ERNESTO tinha cabelos louros e olhos verdes.

     Tinha cerca de 1,80m, um rosto bastante atraente e estava em forma.

     Estava com o carro parado numa sinaleira, pensando nos dois problemas que tinha nas mãos. A crise à qual estava para dar um basta e a notícia que tinha para dar. Pensava que até mesmo trabalhar lhe agradaria mais do que estar ali, dirigindo-se à casa da irmã.

     A buzina do carro de trás alertou-o para o sinal verde, e ele arrancou.

    Estava indo buscar a irmã, tendo na lembrança a carta que ela lhes escrevera, e, pelo que ela dizia, Ernesto tinha muita curiosidade para saber como aquela carta tinha sido enviada. A letra não era de Miranda, o que tornava ainda mais grave a situação. E tinha que falar a ela sobre a morte do pai, que sofrera um ataque cardíaco dois dias antes, exatamente por causa da chegada da carta da filha, e morrera sem ter contato com ela.

     Ernesto vinha há tempos trabalhando nas empresas do pai, uma cadeia de lojas de departamentos e (numa mistura muito engraçada) uma empresa de transporte coletivo intermunicipal. Estava sendo, segundo sua opinião, uma experiência gratificante, especialmente porque seu pai dera-lhe responsabilidades, não apenas o tornara um assistente das coisas. Ernesto tomava decisões. Agora teria que assumir os negócios em sua totalidade e sozinho. E talvez (o que o preocupava mais) nunca mais voltasse a ver a garota da academia.

     Ernesto sempre levara uma vida fácil. Tanto ele quanto Miranda.

     Os melhores colégios, os melhores clubes, o convívio com pessoas de seu mesmo nível sócio-econômico. Durante muitos anos aquele modelo lhe servira. Mas ele nunca fora um jovem alienado. Felizmente, sempre fora amigo de seu pai, que tinha sido um homem justo e trabalhador. Conversaram muito durante toda a sua vida, e Ernesto lhe pedira uma oportunidade nas empresas. Ernesto tinha certeza de que a vida que passara a levar dali em diante determinara toda uma mudança em seu comportamento e seu modo de pensar. Trocara as velhas companhias, os velhos bares e clubes por um apartamento só seu. Dos hábitos antigos, conservara praticamente apenas o de fazer ginástica. Porém, trocara de academia, um local mais em nível de classe média, e ali a tinha visto pela primeira vez. Era loura, também, tinha um corpo bem feito, estava sempre de cabelos presos como um rabo de cavalo, vira-a apenas vestindo malha de ginástica, sempre acompanhada de uma amiga. Jamais falara com ela, até porque quando ele chegava para seu horario ela estava de saída.

     O rosto era muito atraente, e Ernesto estava fascinado por ela. Pensava sempre numa maneira de um dia puxar algum assunto e firmar uma amizade, mas dem deixá-la saber sobre sua origem, pois ele queria saber se ela podia ser o seu tipo de garota. Ser de família rica podia ser uma faca de dois gumes, podia tanto atrair como afastar as pessoas.

     Ernesto estava sempre com ela na cabeça, uma sensação de ter encontrado alguém, mas ao mesmo tempo com uma sensação de perda, por não saber nada dela, nem o nome, nem como encontrá-la, e não a vira na última semana, que antecedera ao Natal. Agora, depois da morte de seu pai, tocar a todos os negócios, mesmo com as ajudas que teria, parecia-lhe uma tarefa que consumiria todo o seu tempo. Nunca mais a veria?

     Era preocupante.

     A placa da esquina mostrou a Ernesto que chegara ao seu destino. O número da casa era 162. Ele parou o carro e olhou para ela. Modesta, de alvenaria. Estava fechada, era quase meio-dia, e ele sentiu-se sem saber o que fazer. A rua estava deserta, e ele pensou se deveria voltar ou se valeria a pena esperar. Saiu do carro. Avistou, então, um casal de meia idade, numa janela da casa ao lado. Aproximou-se devagar e disse:

     - Bom dia.

     - Bom dia. - respondeu o homem, que tinha muitos cabelos brancos e um ar bonachão.

     - O senhor sabe dizer se as pessoas aí ao lado vão voltar… tarde, ou…?

     - Você veio por causa da carta, filho? - indagou a mulher.

     Um arrepio percorreu o corpo de Ernesto.

     - Então foram vocês.

     - Ela ditou a carta pela janela. - disse o homem. - E eles estão em casa… ele prende ela sempre.

     - Prende? - outro arrepio percorreu o corpo de Ernesto.

     - E tiveram uma briga feia, hoje pela manhã, mas é sempre assim. Uma situação revoltante, meu filho. O homem bate nela sempre que pode.

     - Meu Deus. - Ernesto levou as mãos à cintura, sentindo o sangue ferver em suas veias. - Eu não acredito. - sacudiu a cabeça, inconformado. Por sua memória passaram imagens dos tempos em que Miranda e Márcio namoravam.

     Nada indicava que ele fosse de alguma maneira possessivo, ciumento ou até mesmo violento. Ernesto estava perplexo, na carta Miranda dizia poucas coisas, mas o suficiente para deixar seu pai preocupado e fazê-lo ter um ataque cardíaco. Tal comportamento por parte do cunhado certamente tinha explicação, talvez não lógica, mas tinha. Qualquer coisa poderia ser usada como pretexto para agredir Miranda, ou enclausurá-la. O que fazer?

     Olhando de volta para o casal, que o observava com evidente curiosidade e expectativa, perguntou:

     - E na criança? Ele… bate no menino…?

     - Na criança, não. - falou a mulher. - Mas a moça apanha em dobro.

     Ernesto tomou uma decisão, cerrando os punhos, e olhando para a casa ao lado.

     - Bom, gente, acabou. Agora isso vai ter um fim.

     - Você é irmão dela? - quis saber a mulher, não resistindo à curiosidade.

     - Sou, sim. Fiquem tranquilos, e obrigado pela ajuda.

     Em seguida, Ernesto dirigiu-se para a porta do 162.

                           *          *           *          *

     Miranda tinha cabelos meio louros, meio castanhos, cacheados, e olhos de uma cor azulada, que às vezes pendia para o cinza.

     Seu rosto sempre fora atraente, bonito mesmo, e ela sempre chamara a atenção das pessoas, desde menininha. Porém, agora, ao olhar-se no espelho da cômoda, Miranda via marcas vermelhas, hematomas, que, se tivessem um tempo, desapareceriam, deixando dores no coração e na alma, apenas. Era engraçada a forma como o amor podia transformar-se em indiferença e ódio. E era muito triste, também. Não sabia, ao certo, o que sentia por Márcio, agora. Mas sabia que ele a odiava. Jamais poderia acreditar que fizesse o que estava fazendo com ela por amor.

Previsões

Horário brasileiro de Verão

09:10

Depois de uma madrugada de céu limpo, o dia amanheceu nublado, passando a parcialmente nublado. Ontem acertei de novo a minha previsão pessoal do tempo. Embora a lenda insista em que amanhã volta a chover, para hoje não acredito, apesar das nuvens. A temperatura deu mais uma recuada, voltando aos 25ºC.

-

FICANDO BOM

Ontem escrevi que a possibilidade de a chuva voltar até o final da tarde era grande. 

Na verdade, eu tinha escrito que era grande aprobabilidade, mas depois achei melhor reduzir um pouco, de probabilidade para possibilidade. Probabilidade implicava uma certeza que eu não podia ter, e vamos que não chove? Nunca se sabe quando pode acontecer uma reviravolta.

Então mudei a afirmação para possibilidade, porque o que é possível não implica certeza, aliás, têm-se apenas a certeza de que é possível, não de que será, já que o que é possível pode acontecer ou não.

E eram 12:55 quando o dia virou noite em Porto Alegre, e logo depois vieram os ventos de até 109 km/h, que derrubaram árvores, interrompendo o trânsito em diversas avenidas da cidade, e que fizeram com que a fachada de um prédio antigo caísse e matasse uma mulher de 37 anos que recém tinha saído do trabalho para almoçar.

A parte do vento foi um negócio escandaloso, eu fiquei com medo de que o janelão da minha sacada levantasse vôo, de tanto que se sacudia na esquadria. Uma loucura.

Mas tendo acertado duas previsões de comportamento do clima ao longo da semana usando apenas o olhômetro, acho que estou ficando bom nesse negócio.

-

 Faltando:  397, 1937, 202, 694, 2245, 980 dias para a Olimpíada de Londres, em 2012, 407, 42, 14, 93. (58, 82, 162, 68, 254, 115, 317)

-

SEMPRE CERTO

É chato.

Não era nem tão óbvio, nem tão duvidoso, nem eram tão garantidas assim as hipóteses de saída ou permanência de Tcheco no Grêmio para 2010. Quando escrevi aqui, ontem, que estava encerrado o ciclo dele no Tricolor, não se tinha certeza de nada, e nessas coisas de futebol, que sempre envolvem dinheiro e vontades das pessoas, pode acontecer de tudo.

Mas durante a tarde foi anunciada oficialmente a saída do jogador.

Mas é bom, este Nilton Roberto!

-

META ALCANÇADA

Nas minhas mais otimistas projeções, quando o ano começou, estimei que até o final de 2009 seria possível atingir a meta de 25.000 visitas ao Quem Vai Querer Saber, o que já seria uma meta irrisória, tendo em vista que a migração para esta página aconteceu em maio de 2008.

Uma vez que otimismo não tira pedaço, nunca duvidei, nem por um momento, que a meta seria alcançada. Mas me esquvei de alterá-la para cima, mesmo quando os indicadores de frequência apontaram para números maiores. O dia de ontem fechou a conta com 39 visitas, o que fez com que, no total, a meta geral fosse atingida: até ontem à noite foram 25.008 visitantes. Mesmo que a taxa de rejeição seja alta, o que importa é que por 25.008 vezes o site foi acessado, desde maio/08.

A taxa de rejeição é medida pelo índice de pessoas que fizeram algum tipo de pesquisa na internet e o Quem Vai Querer Saber apareceu entre os resultados. As pessoas entraram, viram que não eram o que procuravam e saíram, sem ler nada do conteúdo. Isto é a taxa de rejeição. Já o número de páginas exibidas equivale em média ao dobro das visitas e mais um pouco. Pode-se afirmar, por exemplo, que no dia de ontem, com 39 visitas, no mínimo 80 exibições de páginas aconteceram.

É um índice considerável.

-

COM ou SEM CONSCIÊNCIA

Como escrevi anteriormente, agora não lembro se no ano passado, mas deve ter sido, no Brasil não é preciso haver um dia especial de Consciência Negra, porque aos negros não é permitido nunca esquecer que são tratados de maneira diferente.

FONTE: CÂMERA DOIS

Os números estão aí para confirmar.

http://www.clovisduarte.com.br/noticia_ler.php?id=192810

Cap. 1 Pt.2

     Gisela terminou de ler a carta da sobrinha e entregou-a à filha.

     Seus olhos castanhos pousaram sobre os sanduíches que as duas fizeram para a ceia de Ano Novo. As palavras de Helena fizeram-na recordar o último encontro que tivera com sua irmã, muitos anos atrás. O dia em que tirara Geraldo e Virgínia das mãos de Natália e Eduardo, passando a criá-los ao lado de Elise e Augusto.

     Natália tinha sido vítima das ideias atrasadas dos pais, os mesmos pais que ela, Gisela, enfrentara por causa de seu amor por um homem negro, Aurélio, um envolvimento muito mais condenável pela sociedade da época, trinta anos antes, do que agora.

     Natália e Eduardo quase arruinaram a vida de Helena, que fora uma criança de aparência adorável, mas que tinha olhos enigmáticos, por medo, soube-se depois. Mas ela fugira, aos doze anos, com o namorado, Roberto. E então, contara tudo. Gisela e Aurélio imediatamente tiraram as crianças da casa dos pais e ameaçaram, entregar o caso à Polícia, caso tivessem problemas.

     Gisela olhou para a filha, que lia distraidamente a carta da prima.

     Elise herdara seus cabelos pretos lisos e seu sorriso. Herdara um misto de sua cor de pele (pois ela própria era meio morena) e a pele do pai, que não era muito escura. Considerava-a muito bonita, assim como a Augusto. Aquelas duas belezas, duas crianças, suas e de Aurélio, jamais seriam tão bonitas se fossem totalmente negras ou totalmente brancas. A cor de cuia ou cor de jambo era fundamental em sua beleza. Jamais conheceram seus avós maternos e seus tios nunca lhes deram o menor apreço. Porém, tendo sido criados juntos, davam-se bem com os primos Geraldo e Virgínia e, desde alguns anos atrás, com Helena e sua família. Helena era pediatra, uma mãe maravilhosa, muito diferente do que os irmãos lembravam dela. Para eles, a imagem era a de uma torturadora.

     Para Gisela, Helena era como sua filha. Todos eles eram seus filhos, afinal, e pensar neles não lhe trazia lembranças de Natália, mas dos erros dela.

     - Eu queria escrever como ela. - disse Elise, olhando para a mãe. - Será que eles notam se ela for fazer a redação do Vestibular no meu lugar? - começou a rir.

     - Você acha mesmo que ela toparia fazer isso? - rebateu Gisela.

     - E por que não? É só ela pensar no bem para a Humanidade que fará, me ajudando a entrar para a faculdade.

     - Pergunte a ela e me conte a resposta, depois.

     Elise suspirou.

     - Assim você não está me ajudando, mamãe. - ela tornou a dar uma risada. - Acho que isso que ela quer fazer vai estragar o veraneio dela…

     Gisela fez um meneio de cabeça.

      - Quase estragaram a vida dela, também, e eu considero ótimo o esforço que ela faz para consertá-la. Embora saibamos que nenhum dos dois irmãos tem vontade de vê-la novamente.

     - Temos certeza disso? Virgínia voltou a ver os pais, agora.

     Gisela pensou um pouco.

     - Virgínia me surpreende. Nem parece que sofreu nas mãos deles.

     - Bobagem, mãezinha. Você esquece o que ela passou na sua mão. Você foi a mãe dela.

     - Bom, isso é uma outra história. Eu acho que eles precisam saber como ela é, antes que ela os reencontre.

     - Eles nunca nos permitiram sequer continuar qualquer assunto referente a Helena. - ponderou Elise. - Mas se Virgínia está visitando os pais de novo… a bronca maior vai ser com o Geraldo.

     - Concordo. Mas nós vamos tentar. - Gisela sorriu. - Tenho adoração pelos filhos de Helena, bem como por ela e Roberto, e acho que essa união de família pode influenciar definitivamente na decisão deles.

     Elise estava com ar pensativo.

     - Podíamos primeiro incentivar um encontro entre Virgínia e Helena, dependendo das reações de Virgínia. Se ela concordasse, depois do reencontro com Helena, poderia tentar com Geraldo. Vou falar com Helena, no fim de semana.

     - Muito bem. Agora, por favor, busque os homens, para tomarmos uma laranjada.

     - Eles já leram a carta?

     - Vou mostrar-lhes agora.

     - Eu já volto. - Elise deixou a cozinha. 

Renascendo - Cap. 1 Pt. 1

Querida tia Gisela

     Meus olhos pousaram sobre os dois pequenos seres que dormiam com seu ressonar infantil. Bem, até que nem tanto: com o nariz entupido, Marina roncava como um adulto. - risos.

     A penumbra dava àqueles corpos de criança um brilho mágico, por terem ambos saído de dentro de mim. Essa impressão me trouxe um sorriso aos lábios. Muitas lembranças me vieram ao pensamento, me causando alguma dor no coração de mãe. Lembranças de infância, uma parte sofrida de meu passado, cheia de medos e insegurança, onde nada foi fácil.

     Lágrimas vieram aos meus olhos. Fiquei olhando para meus filhos adormecidos, meus demoninhos angélicos. Duas crianças agora, duas no passado. Minha segunda chance com crianças. A primeira foi um fracasso. A minha inocência. Outra criança. Mas agora, não. É bem diferente. Estou adulta, e o passado é apenas uma sombra. Porém, existem resquícios… Resquícios vivos.

     Fechei a porta do quarto, atirando ao ar um silencioso beijo para os filhos e agradecendo a Deus por possuir aquelas duas crianças, fruto do meu amor, e símbolo de meu reencontro com a vida, com a inocência da vida.

                                                                                                  
     Minha reabilitação.

     Olhei para Roberto, que ressonava tranquilamente, em nossa cama. Ele é o meu homem, meu melhor amigo. A pessoa que me conduziu de volta ao amor e à verdade. Através dele retornei à inocência, uma inocência minha, perdida ainda quando criança, e que toda criança traz consigo. Uma criança deixa de ser inocente quando começa a distinguir entre o bem e o mal. Aos pais cabe ensinar-lhe o bem e a ser boa. Entretanto, quando isso não acontece, quando a orientação encaminha para o mal, estimula a prática de maldades, então tudo desmorona, e a criança é sempre um espírito sem forças, em formação, um ser frágil e sem apoio.

     Caminhei para a sala, ainda pensando em Roberto.

     Ele já cumpriu a sua parte, por assim dizer. Trouxe-me de volta ao mundo mágico da inocência infantil. Fez-me ver o quanto vale respeitar um corpo pequeno e frágil, o que significa um pequeno cérebro vazio de maldade. E, acima disso, ensinou-me a eliminar totalmente a culpa. Fiz, eu também, com que duas crianças muito cedo distinguissem o mal do bem. Ensinei-os a sentir o mal em sua própria carne. Mas não era eu.

     Conversei com Roberto sobre minha idéia. A decisão já está tomada, as forças para levá-la a cabo estão dentro de mim. Prever as reações das pessoas é um mito. Nunca dá certo. Mas não quero correr o risco de omitir-me mais uma vez, e desta vez comigo mesma. Certamente não conseguirei reparar os erros cometidos, mas preciso fazer alguma coisa por mim mesma.

     Por isso, peço sua ajuda.

     Estou começando a perder o sono, não consigo dormir quando estou com um problema para resolver. E há, ainda, o desejo de apresentar dois adultos a duas crianças. Duas crianças a dois adultos. Embora não precise disso, penso em readquirir o amor de duas pessoas a quem se ensinou a odiar. Agi como se as odiasse e admito ser odiada por eles. Talvez ainda o seja por muito tempo, se não as procurar para demonstrar-lhes minha verdadeira personalidade. Sei que podem vir a odiar-me ainda mais se tentar fazê-lo.

     Mas só há uma maneira de saber. Tenho que arriscar. Roberto disse que não se importa, desde que eu não sofra. Então, este é o momento.

     Peguei este caderno, a caneta, e hesitei.

     Pedir ajuda é um gesto que devia ter sido feito há muito mais tempo. Sempre pude contar com seu auxílio, pois meus pais não foram as únicas vítimas da incompreensão e ignorância de meus avós. Pedir ajuda é um gesto que causará surpresa, especialmente em se tratando do que vou pedir. Não tive tempo de preparar Marina para o que pode acontecer a seguir, mas não tem importância. Ela só conhece a Helena adulta. A Helena criança não existe em sua mente.

     Meus olhos se perdem no tempo novamente, divagando sobre um triste passado que lhes surge à frente. A menina pequena, frágil e assustada, naquele casebre, causando pânico a duas outras crianças ainda menores. O medo naqueles olhinhos me reconduz às lágrimas.

     “Que bobagem”, penso, decidida. “Não posso ficar com medo, e também não adianta chorar.”

     Entretanto, numa reação mais que humana, permito-me chorar por alguns minutos. Depois, enxugo as lágrimas, estanco-as, apertando as pálpebras com força. É agora ou nunca. Posso esquecer por um mês ou dois, talvez até por um ano, mas chegará o momento em que recomeçarei a pensar. Amo-os com todas as minhas forças. E pedirei ajuda para fazê-los saberem disso.

     Tia Gisela, desejo que a felicidade e a saúde continuem fazendo parte de suas vidas.

     Dirijo-me a você em particular, minha tia, porque você hoje me conhece bem. Sabe de tudo que aconteceu. Ajudou-nos, enfim. Todos nós, incluindo você e tio Aurélio, fomos vítimas da incompreensão de umas poucas pessoas. Embora já tenhamos discutido isso, não posso deixar de pensar que há anos devia ter pedido sua ajuda como farei agora. Acontece, querida, que chegou a hora.

     Eu fui uma vítima, e, na minha inocência, preferi ser carrasco a correr um risco que poderia salvar a mim e a eles, em especial. A inocência deles.

     Bem.

     Você sabe que hoje eu sou uma pessoa um pouco mais humana e digna, você acompanhou a mudança. Tio Aurélio, Augusto e Elise, vocês sabem como eu me transformei. Agora, quero salvar (ou tentar salvar) o amor que sinto por meus irmãos.

     Eu preciso vê-los. Você pode imaginar que esta decisão é definitiva. Estou totalmente preparada para o reencontro, e para suas inevitáveis conseqüências, sejam elas quais forem. Muitas vezes na vida tomamos decisões atrasadas, talvez por pensarmos muito antes de tomá-las, e a minha eu desejo assumir neste momento. Eu amo meus irmãos. Esta é uma certeza que tenho desde o nascimento de Felipe. Voltei a ter nas mãos dois pequenos seres para cuidar e sei o que isso significa. Geraldo e Virgínia já não são mais crianças e eu também não. Estamos livres da influência que papai e mamãe tiveram sobre nós e você não imagina o quanto me são indiferentes.

     Tenho meus filhos para criar. Eles não me temem, apesar de às vezes eu lhes dar umas palmadas, mas jamais sofrerão da maneira como meus irmãos sofreram, ou como eu sofri. Coisas dolorosas, duras demais para serem lembradas, e por isso mesmo difíceis de esquecer. Infelizmente, com muito pouca idade, fui uma das piores pessoas que eles conheceram em suas vidas.

     Bom… Como sabe, estamos em férias, e, como sempre, estamos indo para nosso apê na praia. E aí quero ver meus irmãos. Você se importa de tentar fazer o meio de campo? Não quero interferir nas vidas deles sem ser para lhes dar felicidade. Acho que posso mostrar-lhes como realmente é a irmã que eles têm… Eles têm que esquecer a criança que eu fui e conhecer a mulher que eu sou.

     Já estaremos aí na véspera de Ano Novo. Um beijão para vocês todos, da Marina, do Felipe, do Roberto e de mim. Reitero minha certeza de que todos aí estão bem e desejo que o Natal e o Ano Novo sejam cheios de felicidade e muita paz.

     Sua sobrinha

     Helena”

Dando Continuidade

AVISO

A partir de hoje será dada continuidade à publicação das minhas historinhas águas-com-açúcar.

Como sei que para algumas pessoas é complicada e chata a leitura de textos muito grandes (falo por experiência própria) na internet, reitero que na primeira coluna ao lado do corpo do blog há uma divisão dos textos em categorias, portanto, quem não quiser acompanhar as publicações, vá direto no menu lateral e escolha a categoria que mais lhe interesse.

Só para não deixar passar batido, a novela que vem a seguir é composta de 41 capítulos, que serão dividos em no máximo duas partes cada, sendo que a frequência para postagem incialmente programada será de meio capítulo por dia, podendo haver alterações para mais ou para menos, dependendo da disponibilidade do autor e da maneira como o WordPress vai se comportar no momento do procedimento de “cópia e colagem” dos textos.

 

Em Andamento

Hora brasileira de Verão

9:35

Apesar de toda limpeza do céu durante a tarde de ontem e madrugada de hoje, neste momento as nuvens estão de volta e o olhômetro me diz que é grande a possibilidade de a chuva voltar, até o final da tarde. A temperatura deu uma recuada, está na casa dos 26ºC.

-

FAZENDO ESFORÇO

Hoje estou com mais preguiça do que ontem. Deve ter sido por causa do sono, que demorou a chegar. Aquela coisa de ficar acordado para olhar a tempestade na madrugada anterior, um pouco forçada, que depois me obrigou a dormir até mais tarde, de manhã, quando chegou de noite quase não me deixa dormir de novo. Cheguei a ler um capítulo inteiro do livro do Le Poer Trench, antes de voltar a tentar adoemecer.

Por isso, hoje de manhã, quando o despertador tocou, dei uma cochiladinha por mais uma hora, somente, depois me obriguei a assistir às gravações de Criminal Minds e Law & Order SVU da noite de terça. Quando estava preparando o equipamento para deixar na espera para alguma outra gravação entre hoje e amanhã, estava começando um Law & Order, no Universal, um episódio que ainda não tinha visto, então botei para gravar e saí da frante da tevê. Se me permitisse, ficaria por ali.

Sempre fui fã do sarcasmo do detetive Lennie Briscoe, vivido no seriado pelo falecido ator Jerry Orbach. Orbach contracenou com outros tantos, ao longo das temporadas em que atuou no seriado. No que estava começando, seu parceiro era interpretado por Benjamin Bratt, que era um gurizão, na época, que agora parece bem mais amadurecido no papel de William Banks, em The Cleanner.

É legal ver a evolução profissional de pessoas que trabalham com a arte de representar.

-

Contando:  398, 1938, 203, 695, 2246, 981, 408, 43, 15, 94 - dias. (59, 83, 163, 69, 255, 116, 318)

-

CREPÚSCULO

Esqueci de comentar, mas dias atrás assisti ao primeiro filme da saga do título acima, que está com uma nova produção para estrear nos cinemas, Lua Nova. Assim como muita gente não acredita em discos voadores, embora eles sejam reais, há pessoas que acreditam em vampiros, apesar da minha convicção de que eles não existem.

Não existem vampiros, nem lobisomens, mas, como história de ficção, vá lá, tem seu valor. Lamentei o fato de que apesar da fama, a história é fraca, e no elenco não havia nenhum ator mais famoso, apesar de a menina protagonista ter trabalhado em Contra a Corrente, ou algo assim, que vi que o AXN iria passar, outro dia. Ela é bonitinha, muito boa atriz, mesmo, gostei do trabalho dela, mas faltou alguma coisa ao filme, e na minha opinião foi exatamente algum nome de maior expressão.

Mas, como afirmei, como história de ficção, é passável.

-

MUITA CORAGEM ou MUITA COVARDIA?

Na semana passada, um dos principais goleiros do futebol alemão, que me foge o nome agora, deprimido desde a perda da filha, se atirou sob as rodas de um trem.

Ontem um cidadão de 30 anos, deprimido pelo final do casamento, em são Paulo, pulou para a morte do 18o. andar de um prédio de apartamentos, não sem antes cometer o desatino de jogar lá de cima o filho de dois anos de idade.

Como na semana passada andei questionando a minha sanidade mental, diante de várias situações, chega até a ser risível a minha preocupeção comigo mesmo, porque uma das coisas com que nunca me ocupei foi com pensamntos suicidas. Todo mundo tem problemas e passa por situações difíceis. Já foram tantos os momentos em que relacionamentos acabaram e tantas as decorrências que isso acarreta, que não existe espaço para ficar deprimido. Talvez ele tivesse menos históricos pessoais de finais de relacionamentos do que eu. Posso admitir que ele não soubesse como agir, ao pensar no que viria depois.

Sempre achei que é preciso muita coragem para dar cabo da própria vida, e acho que jamais serei macho o suficiente para fazer uma coisa dessas. Só de pensar em saltar aqui do 8o. andar, por exemplo, já me faz tremer como um maricas.

Mas jogar uma criança, um filho, com dois anos de idade, indefeso para saber o que estava acontecendo, e pior, depois que a criança provavelmente se sentiu feliz por ver uma pessoa em quem confiava e de quem gostava, infelizmente me vejo forçado a dizer, foi muita covardia.

-

A CULPA é de QUEM?

A única responsabilidade, a parcela de culpa do Grêmio no que aconteceu ontem, ao final do primeiro tempo de jogo, entre os jogadores do Palmeiras, foi ter feito um gol segundos antes. Saiu dali, o time só teve culpa de ter jogado mal na segunda etapa contra um time com dois homens a menos.

Apesar disso, conseguiu ampliar o marcador e se manteve invicto dentro de casa, pelo menos isso.

Marcelo Rospide não descobriu a América. Como disse um torcedor, depois do jogo, como é que os filósofos do futebol não enxergaram Douglas Costa? Paulo Autuori provavelmente não gostava do garoto. Rospide deu a ele a mesma orientação que Frank Rijkaard dava a Ronaldinho Gaúcho, nos bons tempos de Barcelona: joga solto na esquerda, meu filho, e faz o que você sabe fazer. E aí o menino consegue ser o principal armador de jogadas, não resta dúvida de que o time está maisleve no ataque, faltando apenas material humano de melhor qualidade para o desenvolvimento de jogadas.

Rospide também foi muito político, após a partida, ao ser questionado sobre se Tcheco fez falta ao time. A resposta foi uma boa curva no repórter, mas a grande verdade é que o ciclo do ex-capitão no Olímpico está terminado. Do meu ponto de vista, com a volta de William Magrão, a ascenção de Maylson à titularidade, tendo Túlio, Fábio Rochemback, que em forma deve jogar mais do que anda jogando, e tendo Adilson no plantel, me arrisco a dizer que também é chegado ao fim o ciclo de Souza na Azenha.

A fotografia gremista vai mudar, com o aproveitamento do pessoal das categorias de base.

O Tricolor tem, agora, um jogo contra o Barueri, onde tentará manter o recorde de invencibilidade dentro de casa, e depois vai ao Maracnã decidir o campeonato, jogando contra o Flamengo. O resultado deste jogo poderá ser fundamental para saber se quem fica com o título é o time da Gávea ou o tricolor do Morumbi.

Brasileirão, 36a. Rodada - Jogo Antecipado

MAIS UMA DECISÃO

Não para o Grêmio, que não está decidindo mais nada, nem mesmo uma vaga na Sul Americana, porque já assegurada. Mas para todos os outros times que lutam pelo título e até por uma vaga no G-4 de cima, o que o Tricolor fizer esta noite será decisivo. E nem poderá fazer muita coisa, porque joga com cinco desfalques, a maioria deles por suspensão pelo terceiro cartão amarelo. 

21:50

GRÊMIO 2 x 0 PALMEIRAS

Cartões: amarelo para Lúcio (6), aos 9. 

Gols: cruzamento da direita de Souza (8), Máxi López (16) domina, bate fraco, Marcos larga e Rafael Marques (3) completa para as redes, aos 45. Segundo tempo: Máxi lópez lançado por Herrera, entra na área, ganha de dois zagueiros, desvia de Marcos e bate para o gol, aos 25.

Trocassegundo tempo: Herrera (17) vem para o jogo no lugar de Maylson (10), aos 9; William Thiego (2) sai para o retorno de William Magrão (15), aos 26; Bruno Colaço (14) entra no lugar de Lúcio, aos 38.

*

Primeiro tempo em que o Grêmio jogou muito mais, com a maioria das jogadas saindo dos pés de Douglas Costa, o melhor jogador gremista até o momento. Na saída, após o gol, os jogadores do Palmeiras Obina e Maurício se desentenderam, chegando a trocar socos ainda dentro do campo.

Na volta do intervalo, o árbitro expulsa os dois jogadores.

No segundo tempo o Grêmio se atrapalhou um pouco, sem que sem saber o que fazer com dois homens a mais, e quase permitiu que o Palmeiras empatasse. Conseguiu mais um gol e se segurou com este placar, o que provocou algumas vaias da torcida.  

*

Arbitragem: Heber Roberto Lopes (Fifa/PR), auxiliado por Roberto Braatz (Fifa/PR) e Alessandro Álvaro Rocha de Matos (Fifa/BA).

Público pagante: 12.233; total: 14.521; renda R$ ……………..

Melhor do jogo: Maxi López.

Susto

Horário brasileiro de Verão

10:05

O amanhecer foi bem mais calmo que as primeiras horas da madrugada. Agora não chove, mas está bem nublado. A temperatura deu uma subidinha, 27ºC no termômetro de parade, provavelmente ainda reflexo da tarde de ontem.

-

ASSIM NÃO DÁ

Minha maior frustração durante as tempetades noturnas é não ter um equipamento fotográfico de alta qualidade, para registrar tudo que acontece no céu. Os relâmpagos que iluminavam meu quarto aconteciam muito rápidos e a câmera digital é lenta para acompaná-los, mesmo que eu fique disparando o botão uma vez atrás da outra, mas este problema afetaria captação de imagens diurnas, também.

Assim como meu pai é apaixonodado por novas tecnologias televisivas, eu sou pela fotografia. Não tenho a menor dúvida de que quando puder vou gastar muito dinheiro em equipamento fotográfico de alta precisão, assim como com telescópios, binóculos e filmadoras.

Não é justo ter-se um espetáculo desta magnitude acontecendo lá fora e não poder registrá-lo.

-

Faltando:  399, 1939, 204, 696, 2247, 982, 409, 44, 16, 95 - dias. (60, 84, 164, 70, 256, 117, 319)

-

META ALCANÇADA

Durante a tempestade, que começou ali por volta de meia-noite e meia, uma da manhã, eu dei um cochilo rápido e depois perdi o sono. Ao levantar para fechar as janelas e a porta da área, tentar fotografar o fenômeno elétrico da tempestade e ficar observando os relâmpagos, custei a dormir. Cheguei a retomar a leitura do livro que peguei para ter ao meu lado na cama.

Depois de terminar (dentro do previsto) de ler o livro do Thoreau, na tarde de ontem, assinalando algumas passsagens com canetas marca-texto, custei a decidir o que pegaria para ler em seguida. Olhando para a orelha do livro do livreiro de Cabul, me enrolou o estômago pensar em ler sobre as barbaridades que são cometidas no Afeganistão em nome da religião, costumes ou seja lá que nome se possa dar a uma ordem milenar que permite que irmãos matem irmãs por esta ou aquela razão a mais estapafúrdia e fútil possível.

Vi algo parecido no episódio de Lie To Me da noite de ontem, onde também por alguns momentos se abordou o tema dos costumes indianos. Sendo assim, desisti da leitura daquele livro, digamos que não é o momento e nem sei se meu estômago vai algum dia dar sinais de que tal momento chegou.

Também desisti de ler o livro da Zíbia, porque além de meio grossinho, é publicado com letras pequenas demais para o meu gosto. Como tenho alguns livros de auto-ajuda começados, alguns que até já li, mas ando com vontade de lê-los de novo, me fixei no da Márcia Tolotti, sobre as armadilhas do consumo. Educação financeira é sempre bom a gente ter alguma noção de como funciona. Já o tinha lido todo uma vez, depois recomecei, colorindo alguns trechos, mas havia parado. Agora retomei.

Pensei o seguinte, há livros que carecem de serem lidos à mesa, para que eu possa assmilar melhor suas ideias e assinalar os trechos que me chamarem mais atenção. Há outros que são leitura de final de noite, para lazer e informação, apenas, ou que até tenham coisas que me chamem a atenção, mas não carecem de ter techos assinalados. Por isso, levei para a cama o livro de Brinsley Le Poer Trench, que está comigo desde 17.03.1979, A Invasão dos Discos Voadores. Provavelmente já o tenha lido, mas como não há nada que o indique, é o que lerei antes de dormir. Já andei percebendo que é este o tipo básico de livro que tenho que ter do meu lado, na hora de pegar no sono. Leitura que eu não tenha pressa de terminar.

Outros tipos, só depois que estiverem lidos e com suas passagens marcadas.

-

ALARME FALSO

Estava tomando café bem descansado em casa quando o porteiro eletrônico tocou.

Era o rapaz da segurança pedindo para eu descer porque durante a tempestade da noite uma folha de zinco da proteção das obras da Concrisa tinha voado e acertado o carro da minha vizinha, aquela, que tem dificuldade para botar o carro certo na vaga mesmo entrando de frente, e ele achava que tinha acertado o Santa também.

Imaginando o pior, de cara, porque, para acertar o carro dela a chapa teria que ter passado por cima do meu, dependendo de que lado ela tivesse vindo, desci para olhar. Quando o elevador chegou lá embaixo, a vizinha estava esperando para subir de volta e disse que o meu estragou todo“, e eu pensei, meu Deus, só o que falta estar com a lataria afundada no Santa.

Mas claro que era exagero dela. Mulher, sabe como é. No gol vermelho, onde estava mais lascado era no parachoque, do lado esquerdo, bem na curva. Não me pareceu coisa de placa de zinco. Tinha alguns lascados em volta do vidro lateral traseiro esquerdo, coisas que se o rapaz da segurança não me mostra eu nem vejo.

O Santa estava do jeito que sempre está, todo esbranquiçado por causa da cera que eu não espalhei, na última vez em que o lavei, que grudou na lataria. Não espalhei porque choveu muito naquele dia e depois eu não lembrei de terminar o serviço. O rapaz da limpeza do prédio alertou para a rachadura no parabrisa, que eu até poderia ter colocado na conta da Concrisa para consertar, mas aquilo está ali há mais de ano, falei que não, que era um problema antigo.

Não vi no meu carro nada que indicasse que tivesse sido atingido por uma folha de zonco. Mas que sempre levo medo que voe alguma coisa quando tem muito vento como o da madruigada, sempre levo, porque nunca se sabe quais materiais o pessoal da obra deixa soltos por ali, e além de o Santa ficar em local aberto e desprotegido, eu nunca fecho as janelas do meu quarto, nem do quarto que era do filho, e o janelão da sacada nem tem como proteger, porque o vidro temperado dali é a comissão de frente da sacada.

Tudo Calculado, Será?

Hora Brasileira de Verão

10:18

O que escrevi ontem aconteceu com todas as letras, cores e raios solares. Não errei uma vírgula. Hoje o céu está limpo, típico dia de primavera/verão. Diz a lendsa que amanhãa chuva volta. We’ll see.

O termômetro permanece estacionado nos 25ºC.

-

MAIS UM DIA…

Outra vez, jogo rápido.

Ontem à noite, enquanto assistia Rainsing The Bar, The Good Wife e Após as Primeiras 48 Horas em três canais diferenets, deixei o VCR gravando direto três horas na Warner, com Cold Case, The Mentalist e Warehouse 13. Quando acordei, hoje, às 6:30, em vez de repetir o procedimento de ontem (ontem, ao acordar, no mesmo horário, comecei a ler o livro do Dino Kraspedon e depois assisti à gravação de Three Rivers, de sábado), comecei direto a assistir àquelas gravações, o que levou até às 8:55 para terminar.

Sempre correndo a fita nos intervalos com as mesmas intermináveis chamadas do canal.

Depois disso foi que tomei otradicional café da manhã, e depois, acredite quem quiser, terminei de ler as 28 páginas que faltam das 222 do livro do Kraspedon.

Sim, escrevi corretamente.

Terminei agora de manhã, antes das 10:05, um livro que comecei a ler na manhã de ontem. Fiquei o dia inteiro concentrado nele, ontem, parando apenas no momento de dar uma cochiladinha, porque o sono pegou, mesmo, de tarde.

Daqui a pouco, depois que postar este texto, começo o livro do Thoreau, como previsto. No formato pocket, ele tem singelas 80 páginas, mas não sei quanto tempo demorarei para lê-lo todo, porque pretendo usar canetas marca-texto com ele, o que implica ler, reler, marcar, são interrupções breves, mas que garantirão uma leitura do tipo três passos para a frente e dois e meio para trás.

-

 Contando400 dias para a renovação da minha CNH, 1940 dias para a minha aposentadoria, 205, 697, 2248, 983, 410 dias para o final do período do “jeito novo de governar, 45, 17, 96. (61, 85, 165, 71, 257, 118, 320)

-

…DE FÉRIAS

Certamente com a continuação da leitura o sono vai bater de novo, e vou ter que dar uma interrompida. Mas hoje vai me ajudar muito o amistoso da Seleção Brasileira, às 12:30. Como é amistoso, não preciso prestar muita atenção. E como será num horário condizente com a hora de almoço, se eu terminar de comer antes de o jogo terminar, sentadinho na frente da tevê é líquido e certo que acaberei cochilando, ao que não vou tentar resistir, pelo contrário.

Como vai haver narração pelo rádio, será possível cochilar e acompanhar o andamento da partida, abrindo os olhos em momentos de gols, por exemplo, e voltando a cochilar, pelo menos até o final da partida. Com isso, estarei restabelecido para continuar a leitura do livrinho citado.

Ainda não sei o que pegarei depois, mas estou entre duas opções básicas, O Livreiro de Cabul, de Asne Seierstad, e Quando Chega a Hora, de Zíbia Gasparetto, estes, sim, livros para mais que um dia de leitura, mesmo com toda a dedidação das horas. Talvez, para não ter que escolher entre ambos, continue a leitura de alguns dos que estão sobre a mesa da sala, ou até comece a ler algum outro sobre ufologia.

Sobre a ufologia, não vou me furtar de comentar o livro de Dino Kraspedon.

É todo recheado com informações científicas e citações bíblicas por parte do comandante do disco voador. Não posso comentar nada da parte científica porque nada entendo sobre o tema, e não entro em questões religiosas. Como escrevi ontem, e anteriormente, nem por um minuto acreditei nas circunstâncias sob as quais o autor alegou terem-se dado seus encontros com aquela entidade, que, ao que tudo no livro indicou, se parecia muito com um homem branco normal da Terra, já que, também segundo o autor, nos encontramos na Estação Roosevelt, o que, para mim, não foi mais do que uma afirmação disparatada.

Entretanto…

Sendo a edição que tenho em mãos uma publicação de 1957, como também ontem escrevi, me chamaram a atenção duas previsões, digamos assim, do extraterrestre, que, para começar, sequer teve atribuído a si um nome: primeiro, ele disse que devido à natureza belicosa e perigosa para o Universo de seus habitantes, toda a vida no planeta Plutão seria extinta; e que a Humanidade terrestre seria nos próximos anos devassada pelo surgimento de um sem número de enfermidades estranhas.

A primeria afirmação, repito, proferida em 1957, me fez recordar que há bem pouco tempo cientistas afirmaram que Plutão não era mais um planeta (por favor, alguém me corrija se eu tiver feito confusão e o ex-planeta não seja aquele); a segunda afirmação me fez lembrar do vírus da Aids, do Ebola e do Antrax.

E agora?

-

OUTRAS CIDADES:

38. Cincinnati; 39. Portland; … (40)