LEITURA e EDUCAÇÃO
Desde criança sempre tive afinidade com os livros. Segundo me consta, desde antes de ir para a escola eu já sabia ler.
A leitura transformou a minha vida de diversas maneiras, desde quando eu era um guri carente que pensava em escrever histórias de amor (e que depois virou um adolescente e depois um adulto carente) até o momento em que nos livros aprendi a gostar muito mais de mim do que até então me havia sido ensinado, e isso me mudou tanto que todas as minhas carências ficaram para trás.
A leitura tem um grande poder de transformação porque é a maior fonte de informação que uma pessoa pode ter. Uma pessoa, uma família, a sociedade, as nações, o mundo inteiro pode ser influenciado pela leitura. Mas ela, só, não faz nada além de transmitir informação. A transformação começa a partir do que as pessoas decidem fazer com toda a carga de informação que a leitura proporciona.
O poder da transformação está com a leitura. O poder de decisão de quem pode operar a mudança está com quem lê. Porque a transformação pessoal em qualquer nível é também um ato de decisão pessoal.
Nada pode mudar isso.
Por isso leio praticamente tudo que cai na minha mão. Algumas coisas leio mais do que outras, porque têm significado prático e rápido. Como leitura e educação andam de mãos dadas, duvido que alguém duvide que só há um caminho para a eliminação (se não em sua totalidade, pelo menos em grande parte) da violência na sociedade brasileira, que é através da educação. Não consigo imaginar algum outro caminho. Ao mesmo tempo, não sei se é possível levar a educação a todas as pessoas, e mesmo que seja, não é garantia de que todos terão garantida uma melhor qualidade de vida. Mas todo mundo sabe que um maior nível de educação em geral pode trazer um grande bem para toda uma sociedade.
Fico pensando nisso, por exemplo, a cada vez que penso que Porto Alegre comemora (ao menos eu comemoro) o aumento do tratamento de esgoto lançado no Guaíba, de 27 para 77%. Do meu ponto de vista os 77 ainda estão longe de nos livrar da vergonha da distância do que seria o ideal, mas, vamos combinar, é melhor do que os 27.
Não entendo nada de química orgânica, mas se sou prefeito de alguma cidade que precisa lidar com um problema de tal magnitude (e se for pensar que por conta do desenvolvimento econômico e problema só tende a aumentar), eu poderia começar a tentar encontrar alguma solução estimulando os Químicos da cidade, sei lá, o pessoal que entende disso, a desenvolver algum projeto novo, que viabilizasse o alcance de uma meta mais próxima dos 100% unindo, talvez, os tipos de tratamentos conhecidos e já existentes (com todas as obras que fossem necessárias) a alguma nova tecnologia que aliasse eficiência e custo justo.
Eu instituiria um concurso público. Sei lá, algo assim.
Uma vez que o desenvolvimento de uma cidade ou região depende muito da industrialização (mesmo que seja uma industrialização rural), é preciso levar juntos, lado a lado, um planejamento econômico e um planejamento ecológico. Um não pode andar sem o outro. Precisamos fazer algum esforço para conciliar os dois interesses, que, a meu juízo, precisam caminhar em paralelo.
Precisamos de mais educação, mas não é só isso, precisamos de educação com ênfase no bem coletivo. A noção de bem coletivo começa pela educação que necessariamente passa pela leitura.
Leitura é tudo quando se trata de educação.
Porto Alegre