RSS

Pobre Também Tem Emoção na Vida

07:07

A cara do dia mais uma vez se repete. A ventania que começou por volta das 21 horas se dissipou por volta das 22. Até choveu um pouco, mas na madrugada ficou só o nublado. Ao amanhecer, temparura estável, 15ºC às 6:34.

BATMAN EXISTE

Ele até que é bonitinho. Mas muito assustador e muito rápido. Apareceu voando dentro da minha sala justamente às 22 horas, quando eu desliguei a televisão e me preparava para ir deitar. Era para ser uma noite tranquila.

Sem saber o que fazer, minha primeira reação foi de pânico. Corri para a área de serviço e abri a porta. O bicho ía para a janela da sacada e vinha para a cozinha, depois voltava para a sacada e depois vinha para a cozinha de novo, ficou vários minutos neste movimento. Depois pareceu se acomodar atrás das caixas de papelão encostadas na parede ao lado da estante.

Tratei então de chamar a filha, alertando-a para o problema. Ela fez uma pesquisa na internet, porque é só nessas horas que a gente descobre não saber nada sobre morcegos. Descobrimos que atacar, caçar ou perseguir morcegos é crime, no Brasil. Ficamos aliviados ao saber que ele são hematófagos, não atacam pessoas. Não gostei de saber que o ciclo de vida de um morcego varia de 15 a 21 anos.

O que resolvemos fazer, com base nas informações da internet: apagar todas as luzes, abrir as portas da área de serviço e de entrada do apartamento, abrir a janela da sacada, retirando a cortina da frente, e fazer o bicho voltar a se movimentar, porque, segundo a dica obtida, “nenhum morcego é cego“. Abrindo as portas e colocando uma luz com que ele possa se guiar, ele naturalmente encontrará a saída, diz a lenda.

Uma das alternativas para tentar fazer o amiguinho sair de onde estava foi borrifar inseticida, porque a falta de ar certamente o faria se deslocar. E acoteceu que borrifei e o bicho demorou a se mexer. A filha começou a reclamar do cheiro forte do inseticida. Fui ao meu quarto e abri a janela o máximo que deu. Mas esqueci a porta do quarto aberta. Uma das recomendações era de que as portas dos outros cômodos deveriam ficar fechadas, para limitar o espaço e induzir o morcego a encontrar a saída.

Como ele demorou a se mexer, até estávamos acreditando na hipótese de que um morcego quando dorme para de respirar, quando ele deu sinal de vida. A filha ficou na porta do quarto olhando de cantinho. Eu fui para o lado de fora do apartamento, para segurar a porta, já que ela tendia a fechar por causa do vento, e também para manter a luz da minuteira do corredor acesa.

O bichinho então voou, voou, voou, para lá e para cá, mais uma vez sem saber para onde ir. Às vezes parecia que sairia pela área de serviço, mas sempre voltava. Foi então que ele descobriu a passagem pelo corredor. A filha deu um grito e fechou a porta do quarto. E eu me dei conta de que tinha deixado a do meu aberta quando fui abrir a janela. O morcego voltou pelo corredor e depois foi de novo. E aí não voltava.

Minha reação foi tentar me aproximar do quarto para ver se tinha ido embora pela janela. Quando estava quase chegando ele apareceu de novo, batendo as asas muito rapidamente e ali deu pra ver que o cara era até bonitinho. Mas saí correndo de volta para a sala e ele aparentemente voltou para o quarto. Mais um instante de silêncio, então decidi ir até o quarto, cheguei na janela, não houve movimentação. Dei mais uma borrifada de inseticida e esperamos mais um pouco.

 Faltando:  474, 2014, 279, 771, 2322, 1057, 484, 119, 362, 91 – dias.

NOITE DIFÍCIL

Só depois de alguns minutos foi que finalmente achei que o morcego havia mesmo saído. Ele não ficaria muito tempo parado, se sentisse a sensação de asfixia do inseticida. Então, decidi dormir.

Acontece que o rádio-relógio estava desregulado, por alguma queda de luz. Como ele só pode ser acertado pela hora, o comando dos minutos não funciona mais, e como toda a confusão anterior tinha levado quase uma hora, estava bem certinho o momento de, às 22:50, eu acertar o despertador para 23 horas e deixá-lo marcado para despertar às 6.

Um livro que eu não gostei muito de ter começado a ler, que é o das 100 dias para melhorar o marketing pessoal, já estava sobre a cama, para eu dar uma lida antes de apagar a luz. Depois que terminar, pretendo nunca mais chegar perto dele, ou, ao menos, não antes de ler uma grande série de livros que estão à minha espera.

Depois de alguns minutos, em que o sono começou a pegar, fui desligar o abajur e aí foi que a noite começou a ficar mesmo difícil: ao puxar o fio da tomada, o rádio-relógio desregulou de novo. Isso significaria mais uma hora de espera, até às 23:50, o que eu poderia fazer acordado ou dormindo, mas não poderia dormir fundo, só cochilar. Para cochilar, teria que deixar a luz acesa. Foi o que fiz.

À primeira vez em que abri os olhos faltavam 20 minutos para poder regular novamente o despertador. Tornei a cochilar. Quando voltei a abrir os olhos já tinha passado meia-hora do horário de acertar o negócio. Então resolvi apelar para o último recurso, aquele que eu qusee nunca uso: acionei o despertador do celular.

Dormi meio mal, porque toda vez que queria saber a hora meus olhos procuravam o rádio-relógio, e ele desregulado. O celular estava no carregador, na cabeceira da cama, mas o fio do carregador se misturava com outros fios, então eu tinha meio que despertar para poder encontrá-lo. Olhar o relógio de pulso, só acionando a iluminação do visor, o que também ajudava a despertar.

E assim foi a noite toda, até o momento em que vi que o celular estava totalmente carregado. Aí o coloquei debaixo das cobertas, encostado em mim, para sentir a vibração, já que não tinha certeza de que escutaria o galo cantando. O problema é que então faltavam apenas 10 minutos para levantar.

SEM RUMO

Depois de tudo isso é natural que esteja caindo de sono. Não vai ser uma manhã muito fácil. Ainda tem trabalho amanhã, mas daria bem, bem, para passar a tarde toda dormindo, ou, então, segurando o sono, para cair na cama às 21, depois do NCIS.

Além disso, depois terei três dias para ficar de bobeira. Estava pensando seriamente em dar uma viajada, mudar de ares, desde fevereiro que não saio de Porto Alegre. A parte ruim é ter que fazer isso sozinho. Acho que já esgotei a cota de pegar estrada solito, ainda mais depois daquela aventura inesquecível de 23 de fevereiro, quando fui a Bento Gonçalves e depois tive que retornar ao início da Rota Romantica para chegar novamente em Nova Petrópolis.

Mesmo assim, a vontade de sair é grande. Vem por aí três dias de feriadão, depois de amanhã, e tudo indica que ficarei em casa sozinho, o que por um lado é bom, pela economia que acarreta, mas também não deixa de ser um desperdício de tempo e energia, apesar de que a energia seria só a de ficar na frente do computaor e da televisão, o que não sei se é o que quero passar o tempo todo fazendo.

A leitura também pode vir a ser uma boa atividade se não me der muito sono. Mas faz falta fazer alguma coisa diferente. Tantas coisas têm acontecido, tantos problemas para resolver, desde os mais simples até os mais complexos, que uma espairecidazinha não seria má ideia.

Não haverá treino da F-1 para ajudar a manhã de sábado a passar mais rapidamente. A filha confirmou que fará feriadão, ou seja, vai sair de casa em algum momento do sábado e só vai voltar na terça-feira. Quem sabe eu poderia aproveitar e ficar três dias tomando sopinha e apostando na alimentação light. Sem ir ao supermercado, depois de ter feito aquele ranchão.

Uma decisão que ontem começou a tomar forma: depois de muitos e muitos anos de desconforto pessoal,  chegou a hora de blindar a dentadura.


Your Comment