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Só Uma Parte

Hora brasileira de Verão

08:00

O dia amanheceu nubladão, mas já passou a parcialmente nublado. Não parece que vai continuar chovendo, mas nunca se sabe. O calor, sim, continua: vi termômetros assinalando 21, 22 e 19ºC entre 6:55 e 7:06.

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MODO REVOLTA (1)

Quando chove durante a madrugada, a primeira coisa que me vêm à cabeça é a lembrança de uma música do primeiro disco do Kid Abelha, de 1984, chamada “Hoje Eu Não Vou“. É o que dá vontade de fazer. Penso que depois é só compensar as horas, ficando para trabalhar à tarde algum dia (ideia que, por si só, já tem a força suficiente para me tirar da cama). Ao mesmo tempo, o cara disciplinado que há em mim faz com que eu pense, não, não, eu tenho que ir, imagina, estragar minha fama de funcionário “cumpridor“, para nem falar que o meteorologista em mim alerta para o fato de que a chuva pode dar uma aliviada “no decorrer do período“.

Assim foi ontem, assim foi hoje: quando amanheceu, não chovia. Se não chove, tudo mais perde o significado, eu me arrumo e venho. Fico torcendo para que não aconteça de novo o que aconteceu ontem, que não choveu durante toda a manhã, mas começou quando eu saí daqui, e, como tinha deixado o Santa no estacionamento da Procergs, e tive que passar numa lotérica para fazer minha fezinha na Lotofácil de hoje, não escapei de tomar um banhão.

Até podia ter feito aquele esquema de pegar dois ônibus para chegar na Procergs. Como não tem um só que vá daqui até lá, a estratégia é pegar qualquer um que me deixe na Oswaldo Aranha, e ali pego ou o T-7 ou o 492 (o mesmo que pego na frente da Procergs para vir até aqui, quando deixo o Santa por lá), que me trazem até à frente da empresa. Mas preferi não fazer, decidi caminhar, me molhando, mesmo, estava bom, quente, sem vento. Minha preocupação passou a ser, então, uma vez que fiz o caminho de sempre, a descida acentuada da Marechal Floriano, depois de cruzar a Duque, quando então o solado da sandália na calçada molhada passaria a ser uma ameaça. Para minha sorte, por causa das marquises, os cantos da calçada estavam secos, o que serviu para me lembrar de novo o porque de eu evitar usar guarda-chuva: para não emburrecer junto com os que andam com aquele acessório aberto embaixo das marquises.

Quando cheguei no Santa estava ensopado. Tinha pensado em entrar na Pro e ir até o Helpdesk, pegar meu contra-cheque de dezembro e assinar a folha ponto. Mas aí pensei duas coisas, uma, que estava todo molhado, não dava para entrar na empresa daquele jeito, outra, que daqui a pouco teria que ir de novo para assinar a folha ponto de janeiro, pegando também o contra-cheque do mês, quer saber?, vou para casa. Tinha pensado também na intenção de ir ao Big e depois passar no Barra, mas aí, molhadão como estava, também não dava.

Só que, no meio do caminho, comecei a pensar: chego em casa, troco de roupa, almoço e saio de novo? Se trocar de roupa, a única maneira de manter a ideia é já colocar roupa de rua, se eu simplesmente botar um calção, já era. Se tirar as lentes de contato, pior ainda. Em compensação, o que pode me acontecer de pior se eu entrar no Big ou no shopping assim mesmo, molhado, como estou? Como sempre digo a quem aconselho a fazer essa pergunta, a resposta me disse o que fazer. Entrei no shopping molhadão, mesmo, porque já sabia o que aconteceria. Primeiro, o lugar estaria meio deserto, como de fato estava. Segundo, ninguém liga.

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RECAPITULANDO e SEGUINDO ADIANTE

Anteontem, ao sair de casa para o trabalho, levei um susto, quando entrei no elevador. Não, não foi com a minha cara. A síndrome de “eu não tenho mais a cara que eu tinha, no espelho essa cara não é minha” já está superada, passou. O que me deu um susto foi o fato de a calça que eu estava usando, que eu aprendi a amar e idolatrar ao longo dos anos, estava puída em dois lugares na parte da frente da perna direita, ou seja, estava rasgada. E o elevador descendo. Pensei duas coisas, uma, vai passar como se fosse uma daquelas calças que já vêm assim de fábrica. Outra, quer saber?, ninguém liga.

Vim, trabalhei, normal, voltei para casa, eu tinha razão, ninguém deu bola. Então, ontem, minha intenção no shopping era comprar uma calça. Todo molhado, andei, andei, enlouqueci com alguns preços (da mesma maneira que acho um absurdo mais de uma loja cobrar entre R$ 230 e R$ 240 por um jeans, acho absurdo algumas lojas cobrarem de R$ 39 a R$ 59, passando por aquelas que ainda ficam abaixo dos R$ 200, mas acima de R$ 150), mas acabei achando, para variar, na única loja em que sempre pensei que nunca poderia comprar nada, mesmo ela tendo convênio com a Asprocergs, aliás, onde já comprei mais de uma peça de roupa.

E comigo não tem muita conversa, nem enrolação. Um vendedor veio na minha direção e eu mostrei uma peça na vitrine, dizendo o mesmo de sempre, “esta aqui, se tiver 42 eu levo“. Claro que eles nunca têm exatamente a mesma peça que está na vitrine. Mas ele procurou, procurou, disse que se não tinha ali no balcão, “lá em cima eu tenho“, mas, antes disso, mostou uma outra peça, meio parecida com a que eu queria, fiquei com ela na mão, porque gostei. Olha daqui, olha dali, ele daqui a poouco pegou a peça da minha mão, olhou de novo, dobrou-a e colocou junto com as outras.

Parêntese.

Aposto como dentro da cabeça dele passou o pensamento de que a calça que eu estava querendo levar era cara (e talvez até fosse), que seria muito eu levar uma peça, e tinha pedido especificamente por aquela da vitrine, então ele simplesmente pegou e colocou a peça junto com as outras e subiu correndo, decerto torcendo para que eu ainda estivesse ali quando voltasse.

Fecha parêntese.

Quando retornou, com a calça que eu queria, para surpresa dele, eu estava de novo com a peça anterior na mão e disse a ele que levaria as duas. Puxei o cartão Banricompras e quando ele me perguntou como eu queria fazer, falei as palavras mágicas que já percebi que dão muito certo: “o parcelamento que tu puderes me oferecer para este cartão“, e saí de lá com 4 vezes sem entrada e sem acréscimo.

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 Faltando:  64, 680 dias para a renovação da minha CNH, 1951, 496, 988, 2539, 1274, 16, 701, 19, 12, 93, 194, 58, 336, 93.

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  MODO REVOLTA (2)

Depois daquilo, passei no Big, onde foi tudo jogo rápido. Não almocei nem ali e nem no shopping. Quando estava passando no caixa avistei um camarada altão, vindo com uma gata do lado, e o reconheci como sendo o goleiro Michel Alves, ex-Juventude, agora na reserva de Lauro, no Inter. Altura de goleiro ele tem.

Em casa, depois de almoçado, fui fazer as bainhas das calças, uma coisa que só não faço desde criancinha porque quando criancinha não havia necessidade. Na adolescência foi que esta dor me ensinou a gemer. Meu gosto por mistureba não se resume à comida. No aparelho de som do meu quarto estavam dois cd’s do Moby e um da Madonna (como foram relançados em cd e eu me desfiz de todos os discos dela que anteriormente tinha em vinil, decidi que vou comprar todos novamente, e o que estava no aparelho era o primeiro que ela lançou). Eu queria escutar em especial a música Borderline, pela qual sou apaixonado há pelo menos um quarto de século (depois de tudo, ela foi a última a tocar, pela programação do aparelho).

Bueno.

Depois de estar com as bainhas prontas, quando fui colocar as peças no meio das outras (parece bobagem, mas é impossível eu usar uma peça de roupa nova no dia seguinte à compra, há um ritual de “adaptação” dela no meio das outras), olhei para uma calça que também estava comigo havia um tempão, eu já tinha até dado umas costuradas nela, e decidi que tinha chegado a hora. 

Outro parêntese.

Depois de ter feito minha aposta na Lotofácil quando saí do trabalho, ontem, dei uma passadinha na Ughini, que é outra loja em que temos convênio pela Asprocergs. Um vendedor quase pulou em cima de mim e eu disse que só queria olhar as calças (todas elas estão em mostruários fáceis de achar, visivelmente identificadas com a numeração do tamanho, eu não precisava de ajuda), então ele me mostrou onde estavam as 42. Olhei, olhei, olhei, não gostei de nenhuma das da cor que eu queria (escura) e todas eram da mesma marca, o que já me deixou indignado. Mas esta última peça que eu tinha em casa, de que tinha decidido me desfazer, também era daquela marca, só vi depois. Das calças claras daquela marca eu gosto.

Fecha o outro parêntese.

Está decido, então, que, quando sair daqui, hoje, além de fazer a aposta para a Lotofácil de 2a.-feira (lembrando que é feriado de Nossa Senhora de Navegantes, mas só
onde tem água“, que é uma brincadeira que faço, e que é eternamente incompreendida
, portanto haverá sorteio normal, mas as lotéricas daqui estarão fechadas), vou dar outra passadinha na Ughini, aturar outra vez algum vendedor achando que sou retardado e não vou conseguir encontrar as peças da numeração que procuro, e comprar uma calça clara para substituir a que já está descartada.

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MODO REVOLTA (3)

A vida vem em ondas como o mar, num indo e vindo infinito (Lulu Santos – Nelson Motta).

Faz muito tempo que aprendi a não lutar contra as fases da vida. Aprendi a dar ao meu corpo e à minha alma o que eles pedem, quando pedem. Quando não precisam mais, recebo o aviso e paro. A onda recente de gamação por Pepsi-Cola normal sei que um dia vai acabar, e quando chegar esta hora, vou parar, assim como faz um tempão que não compro amendoim, nem para torrar, nem em forma de rapaduras, e o caso mais gritante é o da Malzbier.

Entretanto, acho que está passando a minha época de “menino bonzinho” quanto a vir ou não vir de carro para o trabalho. Acho que cansei de economizar gasolina. Não é isso, mas é parecido com isso. Senão, vejamos: saindo de casa e pegando o Cohab, nunca chego aqui antes de 7:20, 7:25. Se for de carro até à Pro e pegar o 492 para vir até aqui, chego entre 7:15 e 7:20. É quase o mesmo horário com maior conforto: não preciso caminhar da Salgado até aqui embaixo.

A diferença está quando saio: por causa dos horários do Otto, levo quase uma hora para chegar em casa. Se tiver que fazer alguma outra coisa antes de pegar o bus, somando tudo, dá quase duas horas. Sendo que é bem possível que o tempo que fico no final da linha esperando um ônibus (minha sorte é que posso pegar tanto o da Azenha quanto o da Perimetral) seja equivalente a quase metade do tempo que levaria caminhando até à Procergs para pegar o Santa, para nem falar que quando desço na Cavalhada tenho que caminhar quase 10 minutos para chegar em casa.

Fazendo a caminhada até à Pro, pegando o Santa e indo direto para casa, não dá mais do que 45 a 50 minutos, sem falar no ganho de tempo em caso de ter que fazer alguma outra coisa pelo Centro, ou quando tenha que passar no Big.

Pegando dois ônibus por dia já estava calculando que depois de fevereiro já poderia pedir uma suspensão temporária dos créditos no cartão do TRI, o que representaria uma boa economia por cerca de dois a três meses, se passar a usar em média uma passagem (o 492 da Procergs até aqui), vai começar a deixar de sair uma grana que pode ser revertida em gasolina e, portanto, conforto para vir trabalhar.

Agora é só ir amadurecendo a revolta, sempre lembrando o que diz meu guru, Dr. Wayne Dyer:

Nada é mais forte do que uma ideia cuja hora chegou.


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