O MEU TOC
Este post vai ser longo.
Ainda analisando minha relação do o transtorno obsessivo-compulsivo, terei que transcrever na íntegra uma parte da matéria do Caderrno Vida, páginas 4 -5, folhas centrais.
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OS TIPOS MAIS COMUNS:
COMPRA
> Preocupações cotidianas, como cobranças no trabalho, levam às compras, sem motivos ou necessidades, apenas por impulso; compra-se mais do que se pode pagar, principalmente produtos supérfluos; o hábito traz prejuízos sociais e financeiros e ocupa grande parte do tempo.
*No meu caso, qualquer preocupação cotidia me leva invariavelmente a evitar compras, supérfluos andam meio bastante cortados dos meus gastos, os gastos que são necessários já são de bom tamanho.
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INTERNET
> O paciente deixa de fazer atividades com a família e os amigos para ficar ao computador; se está fazendo outra coisa, pensa em voltar ao computador (pensamento único: fazer o login); acessa a rede pensando em ficar pouco tempo, mas acaba passando horas; checa e-mails constantemente, mesmo fora do trabalho; desenvolve ansiedade, depressão e agitação; não sente vontade de almoçar ou jantar enquanto navega; opta por manter amizades on line; perde a noção do tempo; nega que passa muito tempo na rede.
*Este tópico merece análise demorada.
Eu gosto de ficar ao computador. Mas não há internet forte o bastante para me fazer largar a televisão, os seriados e o futebol. Se deixar de fazer atividades com parentes e/ou amigos, será basicamente por causa daqueles dois. Ontem foi um dia, eu alternei o tempo todo, desde às 15 horas, uma hora vendo um filme, outra no coputador, até às 19, quando assisti Lost, In Plain Sight e Heroes, na sala, ao lado do micro, que permaneceu desligado o tempo todo. Voltei a ligá-lo depois, enquanto assistia ao jogo do Juventude, porque queria escrever sobre a partida, o que fiz logo depois que terminou.
Quanto aos e-mails, olho uma vez por dia no trabalho, e em casa, se eu não me policiar, nem chego perto do Outlook. Isso se reflete nas férias, quando minha CP fica lotada de porcarias, porque eu simplesmente esqueço de abrir. Tenho o hábito de comer na frente do micro, portanto não pensar em almoçar ou jantar não me ocorre, até porque o estômago se manifesta com muita força, nessas horas; só perco a noção do tempo quando estou com alguma coisa no fogão, mas, mesmo assim, como há dois relógios á minha frente, um na parede e outro no próprio micro, torna-se-me impossível não saber exatamente a quantas ando, até porque preciso controlar os horários dos seriados que quero assistir.
Quanto a fazer amizades on line, a maioria das amizades que faço o são porque as pessoas querem assim, não eu. E eu nego que passe muito tempo na rede, pelo menos quando esotu em casa, porque há a alternativa da televisão e suas várias atrações. A começar pelo sábado à tarde, em que geralmente deixo de lado o micro para assistir a três horas de Law & Order.
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JOGO
> No início, sente-se muito bem, a ponto de ficar eufórico; acredita que jogar é sinônimo de inteligência e astúcia e fica com a auto-estima elevada; com o tempo, passa a ver o jogo como escape para problemas do dia a dia, como se fosse um analgésico; afasta-se da família e dos amigos e tem queda de produtividade no trabalho; entra na fase perdedora, quando só pensa na vitória, deixando até de dormir para atingir seus objetivos. Em seguida, vem a fase do desespero; mente muito e fica devendo dinheiro; pode desenvolver depressão e ansiedade, além de cometer atos criminosos e até suicídio.
* Isso nunca vai acontecer comigo. O único jogo que faço é a Lotofácil, jogo oficial do maior banqueiro de apostas do país, que é o Governo Federal, e mesmo assim, comsegui estabelecer um patamar de apostas que se autofinanciam, e assim o que eu gasto mesmo não chega a 50 reais por mês, o que é pouco, pelo que se corre o risco de arrecadar acertando algumas dezenas.
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COMIDA
> Come em intervalos inferiores a duas horas – nunca; consome quantidade excessiva, além do necessário, e busca a sensação de estar cheio – só quando enxergo churrasco pela frente, aí, sim, perco a noção; depara com a falta de controle, não segurando o impulso – só quando entro no súper de barriga vazia, mesmo assim, metade do que ponho no carrinho demora um monte de tempo para ser consumido, depois; come rápido demais e mesmo quando não está com fome – nunca, se alguém estiver com pressa para comer, não sente comigo, porque eu demoro, em quaisquer circunstâncias; para apenas quando está empanturrado ou com sono ou por interferência de outra pessoa – só acontece a parte do empanturrado quando estou com churrasco pela frente; sente vergonha e culpa depois de comer – hahahahahaha, jamais!!!!!
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TRABALHO
> Envolve-se progresiva e continuamente com as tarefas profissionais – no tempo das horas extras na Procergs, sim, e faz tempo; o pensamento fica limitado ao trabalho – nem que a minha sobrevivência dependesse disso; desenvolve síndrome de privação, como pânico e depressão, quando está afastado (durante finais de semana ou férias) – hahahahahahahahaha; realiza poucas atividades fora do trabalho - hahahahahahahaha; apesar do esforço, tem queda no desempenho profissional – pouco provável, fora do Helpdesk da Procergs; deixa de se relacionar, inclusive com a família para trabalhar – no tempo das horas extras, sim.
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VERIFICAÇÃO
Antes de sair de casa, de manhã, verifico, sim, se as janelas estão relativamente encostadas, porque nunca se sabe quando pode dar uma virada no tempo e chover dentro de casa. Mas nada que eu fique me preocupando depois, se fiz ou não fiz, e muito menos que tenha que reconfrerir várias vezes antes de sair.
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COLECIONISMO
Este, sim, admito que tenho. Colocar papelada fora é uma grande dificuldade, sempre penso em aproveitar o outro lado das folhas, recibos e contas, para escrever ou usar na impressora. E fico guardando. Assim é com os cadernos antigos do colégio, que não tenho coragem de postar os textos no blog, mas também não coloco fora com a esperança de que alguém algum dia os vá ler.
Entretanto, como faço muitas anotações em volta do micro, de dados estatísticos para colocar no blog, sdempre vai uma boa percentagem de papelada fora, assim como o plano de usar sacolas retornáveis no súper estão facilitando minha intenção de me livrar das toneladas de sacolas ´plásticas que tenho aqui.
Este é o único ramo de TOC que escancaradamente assumo como real na minha vida. Mas já está mudando.
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P.S.:
Durante a confecção deste post, houve interrupção sem o menor sinal de depressão, agitação ou pânico, para que eu montasse meu pratinho de almoço, que não consistiu em nada mais que duas colheres de feijão, duas de arroz, com um pouco de queijo parmesão ralado em cima para derreter no microondas, e muita salada, e já faz uns 30 minutos que ainda estou comendo, e pelo que vejo no prato ainda vão mais uns 30.
E já estou louco para tirar da minha frente as folhas centrais da ZH de onde transcrevi as informações acima, porque está me dando nos nervos esse papel aqui na frente.
Porto Alegre