AS SEM NAMORADO – PORQUE QUEREM
Eu não sabia que a caminhada tinha sido promovida pelo site do ParPerfeito. Claro que alguém teria que ser o responsável pela promoção, mas isso nem me passou pela cabeça. Fui ver na ZH de hoje, mais uma vez, em uma coluna do Moacyr Scliar.
Ele tem razão ao dizer que nada substitui o encontro cara a cara, e com isso deu a entender que a iniciativa do site foi válida, porque é complicado começar romance pela internet, sem saber ao certo quem está do outro lado.
Esta também é a minha opinião, mas não resta dúvida que a internet, por estar, em tese, ao alcance de todos, favorece a que as pessoas se conheçam, e por mais que se diga que ela encurta distâncias, o que acho discutível, em nenhum momento desmente as pesquisas que dizem que as pessoas preferem se envolver com alguém que esteja no mesmo bairro, ou no mesmo lado da cidade, quando muito do outro lado dela, mas nunca em distâncias muito superiores.
É uma regra que obviamente tem exceções, mas o básico está na regra: a internet favorece a aproximação de pessoas que estejam tão próximas quanto possível, o que facilita, e muito, o contato visual, o encontro frente a frente.
Mas até nessas circunstâncias, encontrar o par perfeito é uma coisa complicada, porque o ser humano é complicado. Tiro a base por mim.
Vamos combinar: todas as pessoas que me conheceram ou me conhecem através da internet em nenhum momento me viram, em alguma sala de chat, ou mesmo no MSN, afirmando que sou “bonito, gostoso, sedutor, o homem dos seus sonhos, o genro que sua mãe queria“, etc., eu nunca me anuncio assim.
Meu anúncio é grosso, embora nem tão curto: sou divorciado, bem desenrolado, sem namorada fixa, nem móvel, com status de resolvido. Em nenhum momento me anuncio como “dublê de príncipe encantado“, e coloco a minha cara para bater, nas fotos, o que é o mínimo que se poderia esperar.
O que eu acho engraçado é que tenho a impressão bem nítida de que a mesma mulherada que tanto se queixa de que “não tem homem“, espera, sim, por um príncipe. E geralmente elas gostam de princípe que pode até ser cafageste, desde que bonito. Quem não é, não importa que seja “divorciado, bem desenrolado, sem namorada fixa, nem móvel, com status de resolvido“. É irrelevante.
Mas e o outro lado?
Bem, o outro lado também é muito estranho.
Tenho conhecido muitas “princesas desencantadas“. Desde as que se permitiram engordar absurdamente, e que bradam aos 4 ventos que “estou de bem com o meu corpo“, só faltando dizer, como uma pessoa com quem convivi uma vez me disse, que “ser gorda evita que mexam com a gente na rua“, esquecendo que não favorece a que mexam com elas, e muito menos nelas, dentro de casa, até às que se cuidam, mas que se desencantaram tanto que afirmam que têm medo de se envolver porque temem que o relacionamento não dê certo, o que dá razão ao pensamento que diz que “o medo de perder tira a vontade de ganhar“.
O que é ainda mais engraçado?
As desencantadas que se permitiram engordar absurdamente são as que menos têm medo de fracassar num relacionamento, são as que mais ousam, as que mais fazem pressão para que os nem tão príncipes assim fiquem com elas, o que leva a pensar que elas não se aceitam tão bem quanto dizem, porque já que não têm acesso aos príncipes encantados, os desencantados servem.
Alguns desencantados, como eu, buscam o desafio das outras desencantadas, que é muito mais excitante, porque mais difícil. Ou, como disse alguém num livro que eu li, elas só se fazem de difíceis quando lhes interessa parecerem assim (equivale dizer que quando o pretendente não lhes interessa elas se fazem de difíceis), porque quando elas se interessam por alguém o trabalho da pessoa fica ligeiramente facilitado por iniciativa delas.
E toda mulher sabe que o homem nunca vai pensar que estará reagindo a uma iniciativa delas, ele sempre vai pensar que o primeiro passo foi dele, o que dá a elas uma grande vantagem – quando é de seu interesse.
-
PEQUENO P.S.:
Há princesas desencantadas que são moderadamente gordinhas e que são lindas, já estive noivo de uma, já namorei uma, ensaiei namoro com outra, mas também é preciso dizer que essas são uma outra espécie de desafio, porque, sabedoras de que são gordinhas diferenciadas, também se fazem de difíceis.
Porto Alegre