QUAIS SÃO?
Seguidamente sou questionado por pessoas sobre o por que de eu frequentar salas de chat à procura de alguém para namorar, em vez de sair para a rua, na noite, ir a bares, ou sei lá mais onde, como que dando a entender que acham que aqueles são os lugares certos para conhecer pessoas.
Pulando a parte de que já tive algumas namoradas que conheci no chat, e que de uma delas até noivo estive, sempre me defendo dizendo que a internet é um modo eficaz, seguro e econômico de se conhecer gente, a começar pelo fato de que só saio se já tiver alguma coisa acertada com alguém. Não preciso sair sozinho, gastar, vagar por aí, na esperança de que alguém me note. Quando saio, é para conhecer pessoalmente alguém com quem já conversei muito virtualmente, alguém que já viu minhas fotos, de quem eu já vi as fotos, então os dois estão pelo menos predispostos a se ver ao vivo, já sabem o que vão esperar, não será preciso procurar.
Mas o que eu penso, de verdade?
A meu ver, nos dias de hoje, nos tempos de hoje, não existe mais isso de “lugares certos“, todos os lugares são certos. A pessoa que quer encontrar sua alma gêmea (e acreditem aquelas que não querem, há pessoas diferentes de vocês, que querem, sim, ter alguma coisa com alguém) tem que estar preparada para encontrá-la na fila do banco, do caixa de supermercado, das caixas de pagamento das lojas, no ponto de ônibus. As possibilidades são infinitas.
Toda pessoa que pensa que existe lugar certo para conhecer gente com que se envolver está limitando a sua área de cobertura. O amor está em qualquer lugar, em qualquer canto. Quem pensa que “aqui não é o lugar” certamente não o encontrará ali. Seja onde for, no mundo real ou no virtual. O amor só aparece para quem estiver aberto para ele, e as pessoas que o procuram precisam estar abertas para encontrá-lo em qualquer lugar.
-
ARREPENDIMENTO TARDIO?
Muitos anos atrás, quando eu recém havia me separado, passei seis meses envolvido com a primeira pessoa que conheci logo após a separação. Seis meses antes de começarmos a namorar, em que passávamos o tempo todo juntos, nos comunicando, saindo, mas não se falava abertamente em namoro. Eu queria, mas ela ficava se fazendo de desentendida, se bem que não me largava.
Um dia ela disse que precisava fazer uma viagem para resolver um problema com alguém, e eu lembro que fiquei furioso comigo mesmo, porque eu tinha feito coisas para ela que o próprio pai dela não quis fazer, como emprestar meu nome para que ela tivesse cartões de crédito como minha dependente. Ela trabalhava, comprava, quitava os débitos dela numa boa, eu não via problema. Naquela semana ela havia se dado um banho de loja e viajou no findi, para tratar do tal problema.
Eu, na época, na condição de aspirante a namorado, era apenas um amigo, mas fiquei furioso. O que foi que eu fiz? Puxei a minha cordinha interna, deu o clic e desliguei. Tanto que ela voltou, passou a semana inteira e só na sexta-feira tornamos a nos falar, quando ela, indignada com o meu silêncio, ligou, furiosa, para cobrar explicações sobre meu “desaparecimento“.
Acontece que, durante aquela minha “clicada“, na segunda-feira seguinte ao findi de viagem dela, quando voltava do Morro do Osso, onde tinha ido ver os filhos, que ainda moravam com a mãe, peguei um T-4 que estragou no meio do caminho. E dentro daquele ônibus havia uma mulher jovem, bonita, que já tinha chamado a minha atenção. E quando estávamos do lado de fora, esperando pelo carro seguinte, eu puxei assunto com ela, que foi receptiva. Começamos a conversar, os dois éramos separados, ela tinha 28 anos (eu estava com 35), tinha três filhos, morava na Vila Jardim.
A conversa continuou quando o outro T-4 veio, trocamos telefones, combinamos de nos ver de novo, combinamos de sair.
Se eu tivesse pensado que aquele não era o lugar certo para conhecer alguém, teria deixado passar uma oportunidade ótima de falar com uma pessoa legal, que também não ficou pensando que não era o melhor lugar para conhecer alguém. O problema foi que, no final da semana, a outra pessoa me ligou, indignada, dizendo que “como que passa uma semana e tu não me liga“, e eu lembro de ter dito algo do tipo “quem viajou foi tu, quem tinha que me procurar na volta era tu, nós somos só amigos porque tu queres, então não tens direito de me cobrar nada“, e a conversa seguiu por aí, até que concordamos em nos encontrar no domingo à noite, no Shopping Lindóia, depois que eu voltasse da casa dos filhos, já que aquele final de semana seria meu.
Parêntese.
Houve um lance, agora não consigo me lembrar quando foi, que eu estava conversando com ela, acho que foi num domingo à noite, sei lá, e que eu fiz menção de dar um beijo nela, e ela virou o rosto. Foi um choque, e eu, imediatamente disse que estava na hora de ir embora, ao que ela me disse que ficasse, que não me arrependeria. Eu, pensando que a pessoa só tem uma chance de me rejeitar (pensava assim na época e penso da mesma maneira hoje), continuei me afastando, ela continuou me chamando de volta, mas eu fui embora. Não lembro agora em que momento isso aconteceu, mas foi antes do findi em que ela me intimou.
Fecha parêntese.
Então, no domingo seguinte, quando nos encontramos no shopping, começamos a conversar, e lá pelas tantas ela me garfeou, me agarrou e começamos a namorar ali.
Como resultado, logo em seguida tive que ter uma conversa com a moça que conhecera no ônibus, tive que dizer a ela o que rolava antes, e que não poderia ter nada com ela. Percebi que ela se decepcionou, e eu penso, hoje, que, se não fosse pelo fato de estar há quase 6 meses cortejando a minha amiga, eu teria ficado com ela, e hoje eu sei que teria sido a melhor escolha.
Mas, enfim, aconteceu como tinha que acontecer.
Porto Alegre