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O Conto de Fadas da Vida Real

QUEM ANALISA?

Assim como para a construção de condomínios de prédios residenciais, instalação de lavouras de arroz irrigado e outros procedimentos os órgãos de proteção ambiental têm que fazer um estudo do impacto sobre o meio ambiente, deveria existir, nem que fosse dentro da nossa cabeça, algum setor que fizesse o estudo do impacto que o aparecimento de uma pessoa em nossas vidas, entre tantas que surgem, pode acarretar sobre nós.

Muitas pessoas surgem e passam, mas por que algumas causam impacto? E o impacto que causam, o que pode trazer, depois?

Por que de repente alguém a quem nunca vimos, de quem nunca soubemos antes da existência nos faz pensar (e com isso sentir) que qualquer momento longe dela se torna tão custoso, doloroso, preocupante? Porque sentimos uma sensação de que aquela pessoa em especial, por mais parecida com outras que possa ser, é diferente? O que, na companhia dela, no que ela diz, no que ela transmite, a distingue de todas as outras?

Em algum canto da mente deveria haver algum neurônio, alguma célula capaz de explicar isso.

Ao mesmo tempo, alguma outra célula ou neurônio deveria poder exlicar por que isso às vezes passa tão rapidamente. Porque às vezes não se estende. Não dura tanto quanto se pretende. Por isso outras pessoas passam e só algumas ficam, ou temporariamente, ou para sempre (para sempre até que não, não acredito nisso, talvez porque nunca tenha acontecido comigo).

E quando somos nós que passamos e não ficamos?

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  AFINAL, o QUE é, MESMO, QUE eu QUERO?

Na última sexta, dia 29, meu primo Paulo e sua espoda Beth completaram 28 anos de casados.

Eles nem devem pensar que eu lembro, mas acontece que fui padrinho de casamento, naquela também sexta-feira de 1981. Embora nunca tenha ligado em nenhum dos anos anteriores para felicitá-los pela passagem da data, o que também não fiz agora, nunca deixei de lembrar.

Como casei naquele mesmo ano, meses mais tarde, e como o meu casamento durou 12 anos (que considero tempo demais, pelo que foi), algumas considerações podem ser feitas, e venho pensando nelas há já algum tempo.

Ontem uma pessoa com quem passei uma boa parte do dia conversando me disse que faz algum tempo que não acredita mais em conto de fadas. Imediatamente me ocorreu o pensamento de que o problema, talvez, seja o fato de que algum dia ela tenha acreditado nisso. Mas não é uma questão dela, para as mulheres, desde meninas, é muito mais fácil se identificar com a donzela que é salva, nas histórias infantis, do que para os meninos se identificarem com o príncipe salvador.

Quando somos crianças, o que fica é sempre a parte dos ratinhos trapalhões que ajudam a donzela, das abóboras que viram rodas de coches, e das bruxas que são aniquiladas ou postas de lado no final. A parte do “felizes para sempre” fica para o imaginário das meninas, e depois a coisa se acentua à medida que elas crescem. Pior, tudo aponta para o fato de que os pais as criam com a ideia de que algum dia serão salvas e protegidas por alguém, o que é o oposto do que normalmente é ensinado aos meninos.

Fico pensando na criação que dei aos meus filhos.

O Jeison nunca foi ensinado a ser o salvador de ninguém. A Dafne nunca foi ensinada a esperar ser salva por alguém, e muito menos a ser salvadora de alguém. Foram ensinados a cuidar de si, para que não dependessem de ninguém. Por indução, foram ensinados a não gerar a necessidade de que alguém dependesse deles para ser salvo. 

A grande verdade é que ninguém está aqui para ser defendido por ninguém, nem para defender ninguém. Isso é coisa para quem precisa de advogado.

O que acontece é que a princesa e o príncipe são assim, pessoas comuns, que podem surgir a qualquer momento, a quem o “felizes para sempre” não está em momento algum assegurado, mas que ambos terão que fazer com que aconteça, de maneira equilibrada, com igual nível de contribuição, e que seja boa para ambos.

Só posso imaginar que seja assim, porque só isso explica casamentos que duram tanto quanto o dos meus pais, e os que aparentemente estão durando, como os dos meus primos, um deles já tem mais de 30 anos, ou como o de uma das minhas irmãs, mãe do Pedro e da Maria Alice. Escrevo “aparentemente” porque vacinar-se é preciso. Não sei detalhes, nem me interessa saber, de como fazem para que a chama se mantenha acesa, mas, de alguma maneira, conseguem fazer com que o conto de fadas da vida real dure um pouco mais.

Talvez tenham se feito e respondido a pergunta título deste tópico e a resposta tenha sido diferente da que eu obtive quando me envolvi com a mesma questão. 


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