07:43
Dia idêntico aos anteriores, céu limpo, sol, nada de vento. No termômetro, 25ºC.
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MOLEZA e DORES
Minha ideia de que a folga na segunda-feira serve para ajeitar a vida durante toda a semana está subvertida no dia de hoje pela preguiça, moleza e dores da mudança do guarda-roupa do quarto da filha para o que o filho ocupava. Foi uma maratona de cinco horas, entre 17 e 22 horas de sexta-feira, com pausa somente para comer alguma coisa, alguns poucos minutos, a título de jantar.
Havia pelo menos uma coisa planejada para o dia de hoje, desde a sexta: tirar todos os pregos das madeiras que são o lastro da antiga cama do filho, que foi desmontada. As peças da cama estão aqui na sala, já que no quarto não tem mais onde as colocar. A ideia era reunir as peças, retirar os pregos do madeirame-lastro e chamar o Mensageiro da Caridade para levar a cama desmontada, pelo menos uns dois colchões dos cinco que agora povoam o quarto e a sala e algumas caixas. Estou com preguiça de tirar os pregos das madeiras.
Ontem, quando saíamos da festa de aniversário do meu primo, eu e um outro primo a quem dei carona descobrimos um novo vazamento de gasolina embaixo do Santa. Ele estava inclinado para o lado direito da rua, junto ao meio fio. Conhecedor até a alma de como funciona um Santana, porque dono de um, meu primo alertou que o vazamento era na junção do cano que leva a gasolina ao reservatório com o próprio reservatório. Ali, a borracha de vedação deve estar gasta.
Eu teria que ir até o mecânico agora pela manhã, deixando o Santa lá. Fazendo isso cedo, tipo 9 horas, quem sabe já ficava pronto hoje. Mas estou com preguiça de fazer isso. Meu pensamento para justificar a inércia é o fato de que o vazamento se apresentou quando o carro ficou inclinado para o lado direito, fazendo com que a gasolina se concentrasse naquele lado do reservatório. Como a poça era visível de longe, e em outros momentos, com ele no plano ou estacionado de ré, em casa, e a gasolina com fluxo para a frente, não se vê nada, a ideia é de que ele pode passar mais uma semana sem ser deixado estacionado assim, inclinado, e o vazamento não será tanto. Não sei se vai levar uma semana para eu deixá-lo no mecânico, mas ou faço isso até quarta, ou não faço mais, pelo menos até a semana que vem, quando, devido ao feriado de 7 de Setembro, estarei de folga na 3a.-feira.
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Faltando: 478, 2018, 283, 775, 2326, 1061, 488, 123, 366, 95 – dias.
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PREGUIÇA e DORES
Hoje também é dia de fazer comida.
Geralmente a comida que faço na segunda-deira, como praticamente só eu como, com a ajuda de potes e da competência do meu refrigerador dura quase que a semana toda. E como em alguns findis acontece de eu ir para a casa dos pais, entre quinta e sexta fica complicado eu cozinhar, porque o findi já vem e eu invariavelmente fico sozinho. Naqueles em que não saio de casa, me defendo com sopas instantâneas, frutas, algum eventual pedaço de carne que tenha sobrado (carne é a única coisa com a qual concordo em cozinhar a qualquer momento, porque posso fazê-lo no microondas) e alguma salada.
Apesar de já ter colocado feijão de molho, queria que o tempo andasse patra trás, ou até mesmo parasse, só para eu não ter que depois completar o serviço, para nem falar em fazer arroz e depois cortar salada.
A pior parte é que ontem estava conversando com um primo (o Alexandre, com quem tenho uma diferença de 8 anos e fazemos aniversário no mesmo dia), e quando estava comentando que ainda pretendia fazer mais uma mudança, de apartamento para casa, em meio à conversa chegamos à conclusão que para mim, que daqui a alguns anos estarei morando sozinho, a relação custo/benefício não compensaria fazer esta troca, ainda mais sendo um apartamento de três quartos.
Não sei se fiquei feliz ou triste com esta conclusão. Feliz, talvez, por não ter que fazer mais nenhuma mudança. Triste porque estarei irremediavelmente refém de ter que aturar barulho de gente caminhando em cima da minha cabeça, ter que descer para pegar meus jornais de final de semana e ter que aturar vizinho fumando na janela de cima e a fumaça de cigarro entrando pelas minhas janelas.
É um futuro cruel na velhice.
Por outro lado, a ideia reforça aquele meu pensamento de cair fora de Porto Alegre um dia, para quem sabe viver em Torres, ou Nova Petrópolis.
Enfim.
Vou deixar para me preocupar com isso mais adiante. Por enquanto prefiro esquecer que fazer mudança, mínima que seja, é uma das possíveis atividades a serem desenvolvidas pela espécie humana.
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DESPERTANDO
Escrevi algumas várias vezes que aceitar uma pessoa como ela é não significa ter que ficar junto. Acho que o que em mim deixa marca mais forte nas outras pessoas é o fato de que eu digo esse tipo de coisa e ajo de acordo com aquilo que estou dizendo. Sempre falo que “antes só do que mal acompanhado” não é uma simples frase de efeito, mas uma grande verdade, e algumas pessoas têm dificuldade em entender por que eu passo tanto tempo sozinho.
Nos últimos tempos, talvez eu esteja fazendo jus ao ditado que diz que “o pior cego é aquele que não quer ver“, e eu talvez não estivesse querendo ver que precisava aceitar uma pessoa como ela é e por isso mesmo deveria ficar antes só do que mal acompanhado.
Mas também é verdade que sempre tem um dia em que a gente acorda do sono (ou coma?) autoinduzido.
Porto Alegre