07:04
A madrugada começou com céu mais ou menos limpo mas terminou com ele bem nublado, como está agora. A cara do dia aponta para chuva. Vi um termômetro assinalando 8ºC às 6:37.
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MANUELA
Quando nos conhecemos, anos atrás, nenhum de nós tinha como prever o que aconteceria depois. Claro que pensamos coisas um sobre o outro que nos levaram a deixar crescer um sentimento que ficou durante anos não digo escondido, porque sabíamos que existia, mas paralisado, digamos assim, por circunstâncias que fugiam ao nosso controle.
Uma coisa que a gente não sabia onde ía parar, mas, como parece ser consenso, nenhum de nós sabe onde começou. Em que momento surgiu aquela convicção de que éramos a pessoa certa um para o outro é impossível determinar, assim como é impossível determinar se somos, mesmo, a pessoa certa um para o outro. Mas o que parece determinado é que temos que tentar, e o que parace mais certo ainda é que chegou a hora de tentar.
Enquanto esse amor crescia, entremeado por nossas constantes brigas virtuais, parece que sabíamos que a cada vez que tínhamos discordâncias, apesar de tudo elas não nos afastavam. Nos aproximavam. Porque mesmo nos períodos em que ficamos sem nos falar continuamos pensando um no outro. Existe uma coisa muito forte que agora que podemos estar juntos não parece que vai seguir o caminho normal das histórias que começam bem e terminam mal.
Relembro a frase do Paulo Sant’Ana que diz que “para separar duas pessoas basta juntá-las“, eu até acredito que seja bem verdadeira, mas também parece que se ela é uma regra, sempre terá que haver a exceção. Não sei se algum dia estaremos juntos na situação de viver sob o mesmo teto, mas acho até uma perspectiva razoável, que talvez algum dia se concretize.
Imagino que você tenha lá seus receios, eu também tenho os meus, mas parece claro que o que conseguimos ter não é algo que vá desaparecer de uma hora para outra pelo fato de que agora podemos estar juntos a qualquer momento. Acredito que para que desistamos um do outro será preciso muita coisa, muito mais do que os fatos comuns da vida. Como você mesma disse, ontem, na maioria das vezes a gente mesmo complica. Para nós, esta na hora de simplificar.
Durante seis anos sonhei com o momento de estar com você frente a frente, podendo tocá-la, acariciá-la, beijá-la, olhar em seus olhos. Poder dizer que amo você e ver em seus olhos que você sente o mesmo. Tantas outras coisas que aconteceram, ameaças de amor que não deram certo, agora me parecem muito claras por que não decolaram.
Acima de tudo, existia você, e você agora sabe que eu tinha razões, talvez incertas, mas tinha, para querer que você me odiasse, me detestasse, parasse de falar comigo. Ainda bem que não aconteceu, e ainda bem que partiu de nós dois essa intenção velada de nunca nos abandonarmos, mesmo quando isso parecia iminente.
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Contando: 469, 2009, 274, 766, 2317, 1052, 479, 114, 357, 86 – dias.
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QUERIDA
Mesmo arriscando provocar o olho gordo e sua ilusão de eficiência, hoje não poderia deixar de escrever para você. Não é coisa que vai acontecer todo dia. Então uma vez ou outra dá para fazer, até porque é aquilo que já se sabe, amanhã o post já será passado, e ele não vai ficar dez dias aparecendo na página principal, porque há outras coisas a ser postadas, outros fatos, e daqui a pouco ninguém mais vai se lembrar.
A parte boa é que este texto passará, mas o que sentimos, o que temos e o que passamos a construir devagarinho a partir de agora vai continuar, persistirá, existirá por muito tempo, porque já temos aquela coisa que os casais que vivem juntos há anos desenvolvem: o amor incondicional.
Não fosse assim, todas as vezes em que nos desentendemos já teriam sido suficientes para que desistíssemos, e isso nunca foi cogitado pelos dois ao mesmo tempo. E agora chegou o momento de nenhum dos dois cogitar. Então, aquele amor incondicional que demora alguns anos a se desenvolver entre os casais, já começa sendo a base para o que vamos viver a seguir.
Unidos por essa base, não importa o que aconteça, como você mesma escreveu, o rio alcança seu objetivo porque tem a capacidade de vencer os obstáculos, e sejam eles quais forem, o rio do que sentimos vai vencê-los todos. É mais uma coisa sobre a qual tenho uma convicção plena, tranquila, segura. De onde vem toda esta convicção? Daquele olhar que só você tem, que mira lá dentro da minha alma, como você disse.
Ele é só o que eu preciso para ter certeza do que você sente, é só o que eu preciso para sentir que estou certo em acreditar que sua existência em minha vida agora é muito mais do que um sonho acalentado por alguns poucos, mas vários anos. Olhando para você eu sei que não houve um segundo sequer de perda de tempo no desenrolar de um sentimento. As coisas aconteceram do jeito que tinham que acontecer, quando tinham que acontecer, nem antes, nem depois.
Lá no fundo sabíamos que seria assim. Desde que percebemos que não podia mais haver distância, nem separações, nem desconfianças, nem incertezas, passamos a saber que haveria muito diálogo, muita conversa, muita tentativa de entendimento, muitos avanços, e mesmo assim, quem sabe, ainda teremos nossas divergências, e com elas virão muitas conversas, muitos diálogos, muitas tentativas de entendimento, tendo como fundo isso que hoje sentimos, que é um amor profundo.
A partir de agora você não é mais uma mera insinuação de que alguma coisa esteja acontecendo em minha vida. Agora você é uma certeza, uma realidade que por enquanto apenas eu conheço, mas assim como este amor levou o tempo que tinha que levar para que pudéssemos vivê-lo, todas as outras coisas também acontecerão no seu tempo. Precisaremos ter uma paciência que já sabemos que temos. Mais do que isso, a paciência e o amor, o amor e a paciência, não precisamos.
Porto Alegre
è um amor que amadureceu. O amor do tempo certo. Nada melhor