10:50
Chuva e ventania fortes atravessaram a madrugada, permanecendo o tempo assim, fantasiado de inverno. A irreverência do termômetro de parede, ainda assinalando 21ºC me fez rir, quando olhei. Ao menos ele parece estar se divertindo.
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PENSANDO BEM…
Rotinas são feitas em parte para nos trazer alguma segurança. Elas também servem para eventualmente nos tirar do sério. E também existem para serem quebradas.
Eu gosto de rotinas. Mas em dias como hoje, ficar na cama até um pouco mais tarde era coisa que se impunha, não importando a quantidade de tarefas domésticas que teria que fazer quando saísse dela. Foram duas horas a mais na cama do que o previamente autoacordado, mas o caso é que depois daquele período de bobeira além do horário anteriormente pensado começou a me vir na cabeça um pensamento inquietante, que me fez saltar de um pulo: melhor do que passar a manhã inteira na cama é passar a tarde inteira na cama.
Foi o que me fez levantar.
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ÚLTIMA PÁGINA
A leitura da ZH de ontem não levou todo o tempo que pensei que levaria, porque, para começar, algumas coisas já tinha lido ontem mesmo, como a coluna do Paulo Sant’Ana em que ele aborda a questão da impossibilidade de se recomeçar um romance que algum dia já aconteceu, mas foi interrompido.
Apesar de a coluna ter sido bem esclarecedora, normalmente bem escrita, com as ideias claras daquele jornalista, a ideia não era inedita para mim, e eu sempre a resumi com uma pequena frase, própria do meu pensamento: “o que não deu certo uma vez, certamente não dará de novo“, e isso já diz tudo.
Aquilo que anteriormente a nós não servia, não será hoje que servirá. Isso, em se tratando de relacionamentos. Vamos deixar de lado as posições de quem um dia fez oposição política e hoje faz situação. Política e relacionamentos não se misturam, são dois fóruns completamente diferentes. Na política é onde mais funciona a Lei de Lavoisier, mais do que na Natureza: na política, nada se cria, tudo se transforma.
Mas não é assim com relacionamentos. O que hoje nos causa desconforto, não importa quanto tempo passe, amanhã nos causará o mesmo, se não estiver pior, poque quanto mais o tempo passa, mais as diferenças se acentuam.
Portanto, recomeçar relacionamento que uma vez não deu certo encaminha inexoravelmente para o rasgo do iceberg no casco do Titanic: é afundamento certo.
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Faltando: 450 dias para a renovação da minha CNH, 1990 dias para a minha aposentadoria, 255, 747, 2298, 1033, 460 dias para o final do período do “jeito novo de governar“, 95, 338, 67, 20 dias para o início do Horário de Verão, 146.
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ELA, de NOVO
Mais uma vez, Martha Medeiros aborda um assunto que incrivelmente tem a ver com o momento atual porque passo na vida, em sua coluna do Caderno Donna. “O Deus das Pequenas Coisas” tem dois trechos que gostaria de trasncrever, que resumem tudo.
“… quando trocamos o “ser feliz” pelo “parecer feliz“, nossas necessidades tornam-se absurdas e nada que viermos a conquistar vai ser suficiente, pois teremos perdido a noção do que a palavra suficiente significa“.
“Algumas pessoas não conseguem desenvolver essa satisfação interna que faz com que nos sintamos vitoriosos simplesmente por estarmos em paz com a vida, mesmo possuindo problemas, mesmo tendo questões sérias a resolver no dia a dia“.
Às vezes não tenho como evitar me sentir como Thomas Alva Edison, a quem foi perguntado se depois de tantas e tantas vezes em que tentou criar uma lâmpada incandecente, sem obter êxito, não estaria na hora de desistir, e ele deu como resposta que “agora já sei tantas e tantas maneiras de como não se faz“, e seguiu adiante, a despeito de algumas outras vezes também me sentir como Ivan Ilitch, personagem do livro de não me lembro qual autor, que em “A Morte de Ivan Ilitch“, descrevia a sensação que tinha era de que toda a sua vida tinha sido um erro.
Uma vez, pouco antes de terminar um relacionamento, eu disse a uma pessoa que na minha família não era conhecido como “o mais certinho“, que sempre fui meio louco da cabeça, mas que eu era feliz sendo assim. Não que tenha que me agarrar a este rótulo, até porque não acho que seja apenas um rótulo, eu não sou, mesmo, muito certo.
Mas àquela pessoa também disse, na época, que “se aparecer alguma louca para me acompanhar, que bom, mas se não aparecer vou continuar seguindo feliz com a minha loucura“. Sonhos todos nós temos. Sejam eles de que tamanho ou natureza forem, sempre estarão lá. E todos os sonhos têm um preço. Seja ele alto ou baixo, também sempre estará lá.
Martin Luther King tinha um sonho para brancos e negros, manifestou este sonho e morreu assassinado. O mesmo aconteceu com Mahatma Gandhi. Eu tenho um sonho. Na verdade, nem sei se tenho ou tinha. Sempre ouvi dizer que deveríamos lutar por nossos sonhos. E todos os sonhos têm um preço. Será que devemos desistir de um sonho porque ele em algum momento se tornou mais complicado para se tornar realidade?
Ou será que eu realmente pedi a noção do que a palavra suficiente significa?
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COISA CHATA
Na semana passada escrevi, em sequência ao jogo do Grêmio com o Náutico, que não se deveria esquecer que o time pernambucano está na rabeira da classificação do campeonato nacional. Que a vitória sobre aquela equipe, mesmo acontecendo fora de casa, não inaugurava nenhuma nova era no futebol do Tricolor.
Foi o que ficou comprovado no jogo de ontem, quando, mais uma vez enfrentando um adversário qualificado, quarto colocado, mesmo tendo saído na frente no placar o time de Paulo Autuori se desencontrou e permitiu a virada do Goiás.
Mas como é chato o sujeito ter sempre razão!
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CHUVA, FRIO, NOVA PETRÓPOLIS
Como não sou muito certo da cabeça, não preciso justificar a associação de ideias: dias como hoje, com vento e chuva, me remetem a estrada, e estrada me remete a Nova Petrópolis, cidade onde, se pudesse, gostaria de estar neste momento, e mais ainda, se possível fosse, de onde não gostaria de ter que retornar.
Porto Alegre