RSS
  Porto Alegre
Siga @Aliadopoars

Mais Decisões – Pt. 11

- Alô?

- Pai?

- Oi, filha.

- Acabei de chegar. A mãe já me contou tudo.

- hum… bem… desculpe…

- Ah, pai, pare com isso. Eu estou um pouco nervosa, não estranhe meu jeito de falar…

- Tudo bem…

Enquanto ele falava, Marisa entrelaçõu a outra mão dele com seus dedos e a beijou. Depois ergueu-se e afastou-se.

- Pai?

- Sim, estou aqui. O Nic está por aí?

- Está, sim, só um pouquinho.

*                  *

- Pai.

- Nic. Preciso de um favor seu.

- Diga.

- Marisa quer o telefone de Nádia.

- Ela está aí com você?

- Sim, filho, ela está.

- Ela pediu pra você me pedir isso?

- Não. Estou pedindo porque ela não vai parar de me incomodar se não falar com Nádia ainda esta noite.

- Eu imagino. Bom… anote aí. Mas pai… se ela não quiser falar…

- Me comprometo com você de que falarei com Marisa sobre isso.

- Está bem.

                        *

- Elaine quer falar com você de novo.

 - Tudo bem. Obrigado, filho.

- Não por isso, pai. Um abraço.

*                      *

- Pai.

- Diga, filhote.

- Minhas malas já estão prontas. O irmão disse que me leva, só falta você autorizar.

Pausa.

- Tem certeza de que é isso que você quer?

- Tenho. Ainda sou meio adolescente, mas já consigo compreender que a única maneira de eu não odiar de vez a minha própria mãe é me afastando dela. Assim ainda posso continuar a amá-la, ou tentar, pelo menos.

- Muito maduro pensamento, Elaine. Se Nic está disposto a trazê-la, venha, mesmo. Estarei esperando.

- Então está bem. Obrigada, pai. Amo você.

- Eu também amo você, filha. Estarei esperando.

- Certo. Até daqui a pouco, então.

*                              *

Elaine definitivamente não era do tipo de pessoa que deixava os assuntos pela metade. Depois de ajudar Nic a colocar suas coisas no carro, foi ao quarto de sua mãe.

Ana Paula estava psicologicamente abalada, parecendo um farrapo humano.

- Mãe…

- O que é? Vai fugir, também?

- Mãe… – ela aproximou-se, falando ternamente. – Não importa se isso é ou não uma fuga. Para mim, no momento, o importante, o mais relevante, é que você não me deixou outra escolha. Nem para mim, nem para o meu pai, e provavelmente nem para o meu irmão. Nem para Amélia, tenha certeza, porque eu vou levá-la daqui, para que seja tratada com mais dignidade.

- Vou ficar abandonada…

- Fisicamente? Sim. Você colhe o que planta. Eu, com dezoito anos, tenho esta compreensão. Você também deveria ter. Mas há ainda uma outra coisa que você deve saber…

- Veja o tom em que você está falando comigo…

- Estou falando calmamente com você, minha mãe. O que eu quero que você saiba é que… um amor de filha, de uma filha por uma mãe, não se extingue da mesma maneira como o de um marido por uma esposa. Embora você tenha feito (e a meu juízo aindas esteja fazendo) de tudo para que eu deixasse de amá-la, eu estou fazendo uma tentativa honesta e sincera para que isso não aconteça.

- Indo embora?

- Sim. Espero que você consiga compreender. Se mesmo com isso você continuar sendo a pessoa esnobe e arrogante em que se tornou ultimamente, nada mais poderei fazer. Espero que você seja feliz. E por enquanto, tchau.

Elaine deixou o quarto sem se importar com as lágrimas da mãe.


Your Comment






  Porto Alegre
Siga @Aliadopoars