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É só Pensar

AUTOINCRIMINATÓRIO

Se tudo que eu disser pode ser (e será) algum dia usado contra mim, há momentos em que eu penso que gostaria de abrir mão de todos os direitos de defesa e me comprometer definitivamente.

Esta vontade só me ataca porque sei que não haverá a menor consequência de eu me comprometer. Mesmo que o que eu disser seja usado contra mim. O que é, mesmo, que a gente diz, que é usado em nosso favor? Até onde eu sei, imaginar uma tal circunstância não passa de fantasia. Tudo nos compromete. 

Esqueci de mencionar, mas faz alguns dias que terminei a leitura de As Forças Armadas Falam, livro sogre ufologia, de Jean-Claude Bourret, e passei a ler Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, de Gustavo Cerbasi. Passando da fase da galhofa, na qual afirmo que gostaria de saber no que consisteum casal inteligente, uma vez  que do meu ponto de vista o inteligente seria não casar, descobri muitas coisas interessantes com a leitura, e mais, descobri que os ensinamentos para casais funcionam muito melhor quando se trata de uma só pessoa.

1o. comprometimento: apesar do que eu possa pensar sobre isso, existe pelo menos uma pessoa com quem eu não teria medo de casar.

2o. comprometimento: contrariando todas as expectativas e ignorando exemplo acontecido bem aqui do lado, ela é advogada.

Uma pessoa solteira tem muito maiores chances de obter os resultados sugeridos a partir das dicas do Cerbasi. Na parte tocante à disciplina para sua obtenção, uma única pessoa que seja decidida, determinada e disciplinada pode fazer fortuna pelo simples fato de que não haverá ninguém para atrapalhar-lhe os planos e cronogramas.

Mas ainda acredito que é possível fazer tudo em parceria. Aliás, diga-se de passagem, até eu entendo que é bonito construir alguma coissa junto com alguém, desde que os dois estejam determinados e sejam suficientemente disciplinados. E não estou absolutamente falando de viver aprisionado, sem prazeres. Isso sequer é mencionado no livro, pelo contrário. Com disciplina, dá para fazer as duas coisas.

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SEI, MAS QUEM NÃO SABE? 

É uma repetição interminável. Moto contínuo do aconselhamento sentimental.

 Na minha vida inteira, desde muito cedo, as pessoas sempre me procuraram para pedir conselhos, ajuda com seus problemas sentimentais. Uma coisa engraçada, porque eu mal e mal consegui lidar com coisas que me incomodavam, em especial os amores não correspondidos, meus medos, frustrações e baixa autoestima, até à idade bem adulta.

Não foi sequer muitos e muitos anos depois que algumas dessas coisas deixaram de me incomodar e eu comecei a administrar melhor esta parte, mas durante o processo as pessoas continuaram a me procurar para pedir conselhos. Uma vez,quando eu tinha uns 20 anos, alguém me disse que eu parecia ter 30, pelo nível de conversa que estava tendo, e pelo que eu parecia entender sobre relacionamentos, quando, na verdade, até ali eu sequer tinha tido uma namorada. Não sabia nada de relacionamentos.

Se alguém me perguntar, hoje, se entendo alguma coisa deles, com toda franqueza devo dizer que não. Não entendo nada de relacionamentos. Mas entendo muito de mim. Entendo tanto de mim que sou capaz, hoje em dia, de sentir que posso gostar de uma pessoa que não me corresponda e o mundo não acaba por causa disso. Na verdade, hoje em dia sei que quem perde com a não decolagem de um sentimento não sou eu, é qualquer pessoa de quem eu goste e que não me corresponda. Mas para chegar nesse estágio, muita coisa teve que acontecer, muito tive que sofrer, até aprender a eliminar o sofrimento, e no meio desse caminho todo, o que foi que aconteceu?

As pessoas continuaram me pedindo conselhos.  

E eu, como bom aprendiz, continuei aconselhando. Enquanto fazia isso, fui aprendendo, também, a entender que a pessoa que pede conselho quase nunca vai aceitá-lo de bom grado, porque, em geral, os conselhos que dou vão de encontro à maneira como as pessoas pensam e sentem as coisas. E aí ja começa a diferença. Não escrevi que as pessoas sentem epensam as coisas, mas o contrário. É uma equação muito simples, mas que a maioria das pessoas se recusa a entender. Uma coisa que todo mundo aprende nas aulas de Ciências, Biologia, ou sei lá onde se aprende isso.

Em algum momento da vida a gente aprende que o cérebro comanda tudo no nosso corpo. Tanto ele comanda tudo que quando deixa de funcionar o coração para de bombear sangue pelo corpo. Sem o cérebro, nada funciona. Ele é formado de neurônios que passam o tempo todo dando ordens, pensando coisas, nos fazendo tirar conclusões, às vezes as mais estapafúrdias. Como tudo começa com o cérebro, é razoável presumir que tudo que pensamos e sentimos parte dele. 

É o cérebro que faz as pessoas se agarrarem ao pensamento de que no coração a gente não manda. O pior, para mim, é que quando digo que isso é uma bobagem, as pessoas se apegam, mais de uma vez, e mais uma vez, ao pensamento de que quem está dizendo a bobagem sou eu. E pensando assim, acreditam que estão certas quando dão ao coração um poder que ele absolutamente não tem. Sem o cérebro, nosso corpo não é nada. Sem cérebro, nosso coração não é nada. Quando as pessoas dizem que o que os olhos não vêem o coração não sente“, para justificarem não ficar pensando em coisas que podem ou não estar acontecendo, esquecem-se de que o que o cérebro não pensa o coração não sente.  

 Todo mundo sabe que a vida é feita de escolhas. A grande maioria se esquece de que pode escolher entender que o cérebro é que manda em tudo, inclusive no que escolhemos sentir, para nem falar no que escolhemos pensar. Ninguém mais nos coloca pensamentos no cérebro, a não ser nós mesmos, e através de qual órgão isso acontece? Do cérebro ou do coração? Sentimos o que escolhemos pensar. Porque tudo é uma escolha. É uma coisa bem simples.

Se escolho pensar coisas sobre uma determinada pessoa, escolho deixar que essas coisas me façam gostar dela, escolho continuar pensando essas coisas e escolho continuar gostando dela mesmo que não me corresponda. Em compensação, escolho não ficar pensando nisso, escolho achar que o mundo não vai acabar se ela não gostar de mim; escolho pensar que posso ler, escrever, ver tv, viajar, escolho pensar que posso fazer qualquer coisa enquanto não escolher deixar de gostar daquela pessoa. Escolho pensar que ela sabe que posso ser bom para ela, que posso fazer com que se divirta, escolho pensar que posso ser para ela uma companhia tão estimulante quanto ela é para mim.

Passo o tempo todo escolhendo. Meu coração sente tudo aquilo que meu cérebro comanda através das coisas que eu penso a este espeito. Não existe nenhum mistério nisso. É tão lógico e tão simples quanto a consciência que tenho de que há algumas outras pessoas querendo ter alguma coisa comigo e eu escolho pensar coisas que fazem com que eu não me interesse por elas. Assim como o que o cérebro não pensa o coração não sente, o coração também não sente coisas que o cérebro pensa. O que o cérebro pensa faz com que o coração sinta ou deixe de sentir qualquer coisa.

É onde tudo começa, onde tudo termina, jamais o contrário.

Todo mundo sabe, mas tem gente que insiste em pensar que não.


1 Comments Add Yours ↓

  1. picida ribeiro #
    1

    Entre os tesouros de poder e saber aconselhar está o dom raro de saber ouvir e para ser tão procurado, isso voce deve ter de sobra



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