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Dia 39

Horário brasileiro de Verão

11:29

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A nebulosidade da madrugada se transformou em temporal ao amanhecer, e apesar de o vento e a sensação térmica ajudarem a pensar que a temperatura caiu, na parede o termômetro permeneceu estacionado nos 31ºC.

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COMO eu FUNCIONO

Uma das vantagens de uma pessoa na situação, de divorciado, bem desenrolado, sem namorada fixa, nem móvel,com status de resolvido é que ela pode fazer o que der na telha, a qualquer hora, sem precisar explicar nada para niguém, desde que não seja algo fora da lei.

Uma das coisas que eu mais faço, então, é usar a internet para falar com pessoas. Pessoas falam comigo de várias idades, várias distâncias e várias maneiras de pensar. Há aquelas que já conheci pessoalmente, há as que não tentei conhecer, as que não tentaram me conhecer, as que não quiseram, enfim, tem situações para tudo. O que leva as pessoas a querem se conhecer no mundo real, ou não? Nada mais, nada menos, do que o que elas pensam umas sobre as outras, com base nos indícios para os quais o relacionamento virtual aponta. Vale muito da experiência não só com a internet, mas de tudo que nos rodeia ou que chamou a atenção ao longo da vida, na questão do conhecimento das reações humanas. 

Dou aqui dois exemplos.

UM PENSAMENTO

Uma pessoa com quem comecei a conversar, depois da segunda ou terceira sessão de conversação, começou a apresentar um padrão. Para um bom observador, acostumado a valorizar a testemunha como eu, três sessões de diálogos bastaram para identificar que aquela pessoa tem que (1) ter sempre razão em todas as conversas, todos os assuntos abordados; (2) a última palavra tem que ser a dela; (3) ela dificilmente concordaria em reconhecer quando tivesse dito alguma coisa fora da casinha, porque, para começar, ela (1) tem que ter sempre razão, e portando dificilmente pediria desculpas, até porque (2) a última palavra tem que ser dela, e sendo assim ela (3) dificilmente reconheceria ter dito alguma coisa fora da casinha.

Ficou fácil perceber que era um círculo. Sabedor daquele tipo de reação, com mais três ou quatro sessões, nas quais testei a pessoa de propósito, confirmei minhas observações, e, com base nelas, comecei a pensar coisas que não só evitaram com que eu decidisse levar adiante uma amizade com a pessoa, como, mesmo ela sendo uma mulher bonita, quase da minha faixa de idade, e vivendo a menos de 1o0km de POA, fizeram com que meu cérebro desviasse qualquer pensamento que pudesse levar meu coração a vir a sentir alguma coisa por ela.

É esta parte que jamais entra nas análises que as pessoas fazem quando se trata deste assunto. Quando elas não querem ter alguma coisa com alguém, o que fazem sem perceber é pensar coisas que desestimulam o cérebro de enviar sinais ao coração para sinta alguma coisa a respeito de qualquer pessoa. Pensam que não querem alguém porque usa barba, porque é gorda, porque é petista, porque parece ser uma pessoa intolerante, porque enviam ao coração sinais de que gostam de alguma outra pessoa. A grande maioria das pessoas pensa muito mais na parte que as faz gostar e quase nada na que as faz desgostar, mas o mecanismo com que processam uma e outra reação é o mesmo: está no que elas pensam.

Qualquer pensamento que denigra a imagem de alguém já é suficiente para afastar do coração sinais que induzam ao gostar. E como se viu no exemplo acima, não foram precisos muitos para que eu chegasse àquela conclusão. 

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 Contando: 317, 1857, 122, 614, 2165, 900 dias para a Olimpíada de Londres, em 2012, 327, 13, 02, 82, 174, 35, 143, 237, 327.

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OUTRO PENSAMENTO

Uma outra pessoa, que conheço há mais de meia década, me diz que é instável, muda muito de vontades, de humores, que se irrita facilmente com qualquer coisa. Aparentemente, é uma pessoa ansiosa, que quer tudo para ontem, não tem paciência para esperar pelas coisas. Diz que eu a irrito, que para mim é preciso que a mulher tenha praticamente a minha idade, como se idade fosse determinante para um relacionamento dar certo (sendo que ela mesma sabe que não é, o que deduzo por situações que ela mesma me descreve), para nem falar em alguns outros detalhes mais práticos, do tipo ela ser alguns centímetros mais alta do que eu e morar a 480km de distância.

Quando meu cérebro começa a pensar nessas coisas todas, minha cabeça pensa nos momentos em que passamos juntos, nos quais ela nunca demonstrou impaciência comigo (embora uma vez já tenha dito que quando é amizade existe um limite para a impaciência, que só é extrapolado em caso de namoro), apesar de eu de propósito ter feito e/ou dito coisas para testá-la e ela tenha passado no teste; penso em todas as risadas que ela dá quando está do meu lado, nas conversas espirituosas que temos, e na quantidade infindável de assuntos que abordamos quando estamos lado a lado, e no fato de que parece que sempre temos mais alguma coisa para dizer (e realmente temos, já que temos praticamente os mesmos tipos de problemas), nos tratamos de igual para igual, como se não existisse diferença de idade. Aliás, a diferença de idade pode estar servindo como fator de aproximação. 

Estes são os sinais que meu cérebro envia ao coração, em vez de pensamentos que poderiam me afastar da ideia de querer ter algo com ela. Vou mais longe: contrariando todas as minhas próprias expectativas pessoais, porque em outras épocas e com a quase totalidade de outras pessoas com quem falei ou falo, que estão longe demais para me inspirar algum tipo de sentimento, fico sempre pensando que não são480km que vão fazer com que eu deixe de pensar nela como alguém especial em minha vida. Se eu pude ir a Laguna num sábado e voltar de lá na segunda-feira seguinte, dirigindo seis horas e fazendo apenas uma parada, não será essa distancia curta, dentro do território gaúcho, que vai se tornar um impecilho. E não posso esquecer que temos em comum o gosto por viagens, e que muitas das nossas conversas giram em torno de aventuras pelas estradas que sabemos que seriam muito legais de fazermos juntos. 

É a minha Razão falando mais alto que a Emoção, me fazendo acreditar que é possível, o que, então, financia e subscreve sensações que podem se refletir no meu coração. Mas é porque eu penso coisas a respeito de uma situação que meu coração reflete em forma de sentimentos, e não coisas que meu coração sente que se refletem no cérebro em forma de pensamentos.

E quem prestou atenção, verificou que, quando eu quis pensar coisas que me levaram a pensar de maneira diferente sobre a situação com aquela pessoa, foram muitos os argumentos a favor, quando com a outra pessoa, um ou dois contra já foram o suficiente. Com um ou dois argumentos contra, o coração não chegou a sentir coisa alguma pela outra pessoa, prevaleceu minha intenção cerebral de manter distância dela.   

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NÃO é POR AÍ

Um dente do siso é tão importante quanto todos os outros que o acompanham dentro da boca da gente, mas na hora de mastigar nossas prioridades são os molares, prés-molares, caninos, etc. Não é pelo siso que começa o deleite por um bom pedaço de carne. Tendo que passar hoje por uma cirurgia exodôntica, também conhecida como extração dentária, primeiro passo efetivo para a colocação de arreios, não só estou ansioso para que chegue a hora, como também penso que não será isso que por enquanto vai fazer com que eu evite exercitar os outros dentes na deglutição de pedaços de churrasco. 

Nem vem.


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