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Renascendo – Cap. 29 pt. 1

      AUGUSTO chegou à sala e encontrou menos movimentação do que esperava. Por ali só estavam Ernesto, Mônica, Miranda, Luciano e Virgínia.

      – Oi, gente. – disse ele, sorrindo. – Prontos para a festa?

      Ele se sentou no sofá, ao lado de Virgínia.

      – Virgínia já nos contou que parece que você não vai. – falou Ernesto. – Tem certeza de que Elise não ficará sentida?

      – Bom, ela sabe como eu sou. Fomos criados juntos, não vai se importar. Já Marcelo e os pais dele… Além disso, eu tinha uma combinação com Miranda…

      – Augusto… – murmurou Miranda. – Sobre isso…

      – Eu sei. – disse ele, olhando para ela. – Virgínia já me disse que você mudou de idéia. – ele parou de falar. Saiu de onde estava e aproximou-se de Miranda. – Que é isso em seu rosto? – perguntou. – Andou apanhando? – ele ergueu o queixo dela devagar, com um dedo. – Miranda, que é isso em seu pescoço?

      Miranda olhava para ele e percebia uma genuína preocupação de sua parte. Seus olhos encheram-se de lágrimas, e ela não conseguiu falar.

      – O que aconteceu com ela, Ernesto? – Augusto virou-se para ele.

      - Bom, foi…

      – Deixe, Ernesto, eu mesma falo. – disse Miranda. Seus olhos pousaram sobre os de Augusto. – Eu tenho um ex-marido. Ciumento, violento, que hoje tentou cumprir a ameaça que fez, quando eu o deixei.

      – Ele… tentou matar você?

      – É, por aí. Mônica e Ernesto me ajudaram. Algum vizinho deve ter chamado a Polícia, ele fugiu quando apareceu uma viatura.

      Augusto ficou olhando para ela, por segundos. Coisas diferentes passaram por sua mente e seu coração. Estava admirado por ela estar firme, sem grandes lamentações. Sentiu uma certa raiva com aquela situação. Achava tal tipo de agressão uma covardia inominável.

      – Sinto muito, mas não me sinto bem para sair por aí. – continuou Miranda, calmamente. – Ele está lá fora em algum lugar, parece que está armado, eu não posso arriscar a sua vida, se ele surgir de repente. Quero ficar perto do meu irmão. Vou para a festa. Se ainda quiser, quando tudo isso acabar, podemos dar o nosso passeio.

      Augusto tentou sorrir. Não sabia o que dizer. Durante boa parte do dia seu pensamento variara entre a expectativa de rever Miranda e a de rever Mônica, mas ao olhar para Miranda, algo aconteceu. Algo a que ele só conseguiria chamar, assim de improviso, de… preocupação.

      – Bem, Miranda… eu acho que você tem todo direito de se resguardar. – ele se virou para Ernesto, recuando, voltando para o lado de Virgínia. – O que a Polícia vai fazer a respeito?

      – Nós demos uma queixa. As marcas em Miranda servirão de prova para pedir a prisão preventiva de Márcio.

      – Tomara que ele tenha ido embora da praia. – disse Virgínia. – É uma situação horrível. Até eu me sinto acuada.

      – Exagero seu, Virgínia. – falou Miranda. – Eu não me sinto acuada. Não estou sequer assustada…

      – Isso não pode ser verdade. – Virgínia exasperou-se. – Não acredito que não tenha medo do que possa lhe acontecer. Com este menino lindo para criar…

      Aurélio e Gisela apareceram na sala.

      – Oi, oi, garotos. – disse Aurélio. – Augusto, você não vai, mesmo?

      – Acho que… vou, sim. Só vou chegar um pouco mais tarde.

      – Hum… Geraldo vai nos levar no carro dele. Virgínia, você vai com Ernesto, não é?

      – É, sim, tio.

      – Ótimo. – Aurélio olhou para Augusto. – Então, o carro é seu, não tem desculpa para não ir.

      – Ok, pai.

      Gisela aproximou-se de Miranda.

      – Não que eu queira fazer um drama, minha cara, mas… como você está?

      – Gostaria de estar tão bonita quanto você. – respondeu Miranda, com um sorriso.

      – Isso você consegue, daqui alguns anos. – brincou Gisela.

      – Eu já estou bem. Bem, mesmo.

      – Que bom.

      Elise chegou logo em seguida.

      – Ah, aí está você, seu fujão! – disse para Augusto. – Vou boicotar a sua festa de noivado, você vai ver.

      – Não vou lhe dar este prazer. – respondeu ele.

      – Não vai noivar, ou não vai dar uma festa?

      – A festa vai correr pela família da noiva, se houver uma.

      – Você nunca vai se casar? – indagou Mônica, quebrando o próprio silêncio.

      – Não sei. Mas nunca é tempo demais, eu acho.

      Foi a vez de Geraldo chegar à sala.

      – Mas eu vou à festa, irmãzinha. – falou Augusto. – Só vou chegar um pouco mais tarde.

      – Ah, quer fazer mais sucesso que a noiva? – Elise começou a rir. – Sinto muito, mas hoje a estrela sou eu…

      – Sem contar que vou chegar sozinho, nem vou chamar a atenção.

      Miranda cochichou alguma coisa ao ouvido de Mônica, que demorou alguns segundos, depois disse:

      - Quem sabe, então, antes de ir à festa, você me deixa na casa de Ernesto e Miranda? Eu fico aqui esperando, enquanto você se arruma…

      - Ué, o que houve? – indagou Elise, surpresa. – Pensei que tivesse aceitado o convite que lhe fiz…

      - E eu aceitei. – disse Mônica, hesitando alguns segundos, enquanto pensava no que dizer. – Acho que mais por educação do que por qualquer outra coisa… mas acho que não quero ir, não. Não é nada pessoal, tá?

      - Tá bom… Você quem sabe…

      - Eu levo você, sem problemas. – disse Augusto, olhando para Mônica.

      - Ih, assim corre o risco de não aparecer na festa. – brincou Geraldo.

      - Ô primo, fica frio. – disse Augusto.

      Depois de mais algumas brincadeiras, o grupo saiu.

      Mônica tinha estado prestando atenção em Augusto com muita discrição. Ele tinha vindo à sala de calção e camiseta e ela já tinha tirado algumas conclusões. Ele não tinha físico de atleta, não era musculoso, mas tinha um corpo atraente. Tinha demonstrado preocupação com Miranda, preocupação esta que não cessaria, mesmo que conseguisse levá-lo para a cama, e isso seria ótimo. Por outro lado, tinha observado Miranda, também. Ela não ía muito fundo, mas era bastante provável que tivesse passado por cima do orgulho para contar a ele o que havia lhe acontecido. Importavam-se um com o outro. E ela? Importava-se com eles? Seria capaz de fazer amor com ele e depois olhar nos olhos de sua amiga? Intimamente, sabia que sim. Afinal, ninguém poderia afirmar, naquele momento, que haveria alguma coisa entre eles.

      Augusto olhou para Mônica e começou a sentir-se excitado. Estava sozinho com ela, e ela estava linda. Bobagem, era melhor tirar aquilo da cabeça.

      - Bom, Mônica… eu estava meio indeciso, mas…


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