Quando saiu do banheiro, Miranda ainda se sentia um pouco confusa quanto a uma dezena de coisas. A casa estava lotada de pessoas, e isso a incomodava, ela não sabia exatamente por quê.
Sabia, entretanto, que, pela primeira vez, desde a tarde anterior, estaria perto de Mônica e Augusto. Perto de Mônica. Seus sentimentos para com sua amiga ainda eram os mesmos, de gratidão, amizade, amor. E sabia, instintivamente, que não deveria dirigir a ela quaisquer tipos de cobranças, ironias, “tiradinhas”, nada. Por outro lado, imaginava que ouviria comentários, não importava quem os fizesse, sobre seu desempenho jogando futebol com os meninos na praia.
Alguém sempre faria algum tipo de comentário.
Miranda não sabia como fazer para evitar que o assunto se prolongasse, como evitar que mais cedo ou mais tarde alguém a adjetivasse de “maravilhosa”, ou “descuidada”, algo assim, e ela não estava se sentindo nem uma coisa, nem outra.
Estava com saudade de Luciano.
Quanto a Augusto… não sabia como deveria agir, e por isso esgueirou-se até à cozinha, evitando passar pela sala, num primeiro momento. Conversou um pouco com a prima de Valéria, dirigindo-se, depois, para os fundos, onde a babá estava com Luciano e os filhos de Helena.
Ao vê-la, Luciano veio imediatamente para seu colo. Miranda o beijou e perguntou a Valéria:
– Essas crianças comeram alguma coisa? Você já comeu alguma coisa?
- Luciano comeu, os outros dois não sei, não falei com a mãe deles sobre isso, mas não pediram nada.
– Hum… bom, agora vou me juntar a você na tarefa de cuidar do bem-estar deles. Vamos voltar para a cozinha, pessoal?
Helena foi quem percebeu, de relance, que Miranda estava na cozinha com as crianças. Sem se preocupar com as conversas que rolavam na sala, em torno do que pediriam para o jantar, encaminhou-se para lá.
– Aí estão os meus anjinhos. – falou, sorrindo.
– Estamos providenciando algo para eles comerem. – falou Miranda. – Não fomos lhe perguntar, mas acho que ambos já comem bastante sólidos, né?
– Ah, sem problemas. Não conseguimos fazê-los comer, antes de virmos para cá, e nem queríamos vir, mas Virgínia insistiu tanto…
– E você fez bem em vir. Não tinha cabimento ficar se escondendo.
– Queria lhe agradecer, Miranda, pelo que fez.
– Imagina, eu nem fiz nada…
– Ah, ‘tá bom. Você arriscou tanta coisa, hoje, minha amiga… posso chamá-la assim?
– Está me encabulando…
– Você conseguiu ajudar Virgínia diretamente e a mim indiretamente, e lhe devo esta. Não sei se haveria um encontro, com todas as coisas que conteceram… Ela está tão feliz… e eu…
– Que bom, isso já valeu o meu dia. – Miranda deu uma risada.
Helena esperou alguns segundos, depois disse:
– Acho que hoje você conquistou todos os pontos possíveis para chegar ao coração do meu primo.
Miranda ficou quieta, olhando-a, também, por alguns segundos. Seus olhos desviaram-se para os de Valéria, que estava atenta, mas sem grande interesse, depois voltaram para os de Helena.
– Não fiz nada premeditado.
– Claro que não, e esta é a melhor parte. – Helena sacudiu a cabeça. – Ele jamais esperava ver você na praia, jogando futebol com garotos. Era uma coisa que eu também gostaria de ter visto.
– Isso contou pontos a meu favor? – Miranda surpreendeu-se.
Valéria começou a rir, e não parou mais.
– O que foi, hein? O que eu disse de mais? – Miranda também começou a rir.
– Não foi o que disse, mas como disse. – esclareceu a garota.
– Ah…
– Mas a mim parece bem claro. – continuou Helena. – Os homens gostam de simplicidade, gostam que as mulheres sejam desprendidas. Não gostam de coisas complicadas, nem que sejamos “frescas”…
– Eles podem ser, mas não gostam que nós sejamos. – arrematou Valéria.
Miranda riu.
– Augusto não me parece um cara cheio de frescuras. Nem meu irmão o é… Espero que meu filho também não seja…
– Graças a Deus, meu marido também não é. – disse Helena. – Mas tem muitos homens que o são.
– É um problema de criação. – falou Valéria.
– A culpa é sempre da mãe. – Miranda continuou rindo.
- Pois é. – concordou Helena. – Enfim, parece que desta vez ele encontrou alguém que o impressionou, que superou as expectativas dele.
– Só que aí ele se impressionou com a coisa errada, porque eu não pretendo jogar futebol com meninos toda semana…
– E mesmo que pretendesse, ele seria o primeiro a chamá-la de ridícula, depois de algum tempo. – disse Valéria.
Helena olhou para a garota com surpresa.
- Pôxa, você fala com uma autoridade… – comentou.
Valéria tornou a rir.
– Desculpem, não era nem para eu estar falando nada, me meti na conversa de vocês…
– Não, não, espere aí. – tornou Helena. – Já aconteceu algo assim com você, pelo jeito.
- Comigo, ainda não. – Valéria balançou a cabeça. – Mas todos nós conhecemos histórias…
– ‘Tá, mas ao fim e ao cabo de tudo isso – falou Miranda. -, não entendi bem, não fiz nada de mais, para que Augusto ou qualquer outra pessoa se impressionasse.
- A questão é que você fez o que lhe deu na telha, sem se importar com mais nada. Acredite, isso impressiona.
- Um cara como o Augusto? Me parece loucura.
- A vida é louca, Miranda. Só estou querendo dizer que há portas se abrindo para você. Não as feche sem saber o que há do outro lado.
- E nem as abra com muita pressa, pelo mesmo motivo. – arrematou Valéria, de novo.
As outras duas olharam-na com atenção, mais uma vez.
- Desculpem. – Valéria riu mais um pouco.
Naquele momento, Virgínia entrou na cozinha.
- Ah, vocês estão aqui. – falou. – Os homens estão famintos, malucos, lá na sala, formamos uma comissão para tentar descobrir por que você estava demorando tanto tempo no banho. – ela olhou para Miranda com um sorriso amarelo.
- Ih, já saí faz tempo… – Miranda devolveu-lhe o sorriso sem graça.
- Ótimo, então…
- O que vão pedir?
- Vamos pedir várias pizzas. As crianças…?
- Por isso estamos aqui. – disse Miranda. – Nós nos encarregamos.
- ‘Tá certo, então. Até daqui a pouco. – e Virgínia voltou para a sala.
Porto Alegre
Oi Nilton que bom voltar aqui, e ver o site de carinha nova.confesso que fiquei um pouquinho perdida.
saudades.
beijos