08:52
Amanhecer parcialmente nublado, que provavelmente seguirá de assim para menos, ao longo do dia. Nada que assuste. Às 6:35, 21ºC.
¶
RECOMPENSADO
Minha determinação de trabalhar todos os finais de semana, ou no sábado, ou no domingo, para que minha segunda folga seja na segunda-feira, fez de mim uma espécie de coringa do setor, quando os colegas precisam trocar as escalas deles. Não tendo nenhum compromisso maior num ou noutro dia, tanto faz, para mim, trabalhar sábado ou domingo, desde que a folga da segunda esteja garantida. Então, se algum colega precisa trocar seu sábado ou domingo na escala, para mim tanto faz, eles sempre vêm falar comigo e, em geral, acabo trocando.
Pois desta vez aconteceu um fato inédito: um colega veio me propor uma troca para me favorecer, simplesmente. Também já mencionado aqui, meu amigo Marcus, grande cabeça, olhou a escala e viu que eu estava programado para folgar no próximo sábado, trabalhar domingo, e depois folgar segunda, terça e quarta (as duas últimas por conta dos dias em fevereiro que vim trabalhar quando era para estar de folga). Ele disse que olhou a escala, viu aquilo e enlouqueceu, porque, se fosse com ele, ficaria maluco ao ter uma parada tão boa tendo que ser quebrada por causa de um dia de trabalho no meio. Então, como para ele também tanto faz trabalhar sabado ou domingo, já que ficará na cidade, ele veio espontaneamente propor uma troca, para que eu tenha os quatro dias seguidos, o que me favorecerá muito, em função de ter que ficar de domingo para segunda na casa dos pais, que estarão viajando, a partir de hoje. Na escala para os cuidados com minha avó me propus a passar lá de domingo para segunda. Só que agora ficarei isento de ter que trabalhar no domingo.
Só falta efetivar a troca no sistema, o que sabemos, de antemão, que não haverá problema para fazer.
Obrigado ao amigo.
§
BRAVO VIGILANTE
Já mencionei em posts anteriores que o mundo há alguns anos tinha mais romantismo.
Para mim, isso se confirma a cada episódio que assisto do antigo seriado “O Vigilante Rodoviário“. Baseada na realidade de sua época, como não poderia deixar de ser, a série brasileira tem na imagem do patrulheiro de estrada uma visão romãntica de um tempo em que as pessoas podiam se sentir seguras em suas viagens. Numa época em que as estradas não tinham acostamento, apesar de mostrar imagens de um único centro urbano, São Paulo, as filmagens eram feitas em sua maioria em regiões do interior onde o que sobrava eram campos, e as estradas, basta olhar, não eram nada movimentadas, na comparação do que são hoje.
A coisa mais estranha que se vê, na maioria dos episódios, são bandidos de cara limpa, usando terno, gravata, e o mais inacreditável, mesmo para bandidos da televisão brasileira dos anos 60, alguns deles eram capturados por crianças. Claro que se tratava de televisão, mas, mesmo assim, hoje em dia, se for nas produções atuais, as crianças são alguns dos principais alvos dos assassinos. O romantismo aparece até mesmo quando tiros são disparados, nos episódios, porque as balas pegam somente de raspão, ninguém é atingido, e o Inspetor Carlos (Carlos Miranda) quando atira é só para desarmar, e isso aconteceu uma vez, em mais de 20 episódios já vistos.
Mas falando da parte técnica, as histórias eram muito fraquinhas, mas até Alfred Hitchcock, um dos grandes mestres do terror em todos os tempos, parece fraco diante do que se faz hoje, quando o terror chega às telas. Na verdade, ele não é quase nada, comparado ao que algumas pessoas fazem na vida real de hoje. Então, o Vigilante Rodoviário apresentava roteiros que hoje fazem a gente cair no sono, não prendem mais a atenção da mesma maneira de quando eu era criança, o que me faz pensar que a única coisa que fazia com que adultos na época se ligassem no seriado, é que eles viviam também uma outra realidade, a mesma em que as tramas eram encenadas, ou seja, uma época de mais romantismo.
A precariedade do empreendimento aparecia até mesmo nos créditos iniciais, enquanto rolava o tema de abertura. Mesmo tendo participado de apenas um episódio, porque raramente se repetiam atores na série, a não ser os tidos como principais, que nem sempre apareciam, os nomes que apareciam nos créditos eram sempre os mesmos. De conhecidos, apareciam sempre os nomes de Rosamaria Murtinho (que ali aparacia como Rosa Maria, nomes separados), e Ary Toledo, que atuou em apenas uma história, num papel mínimo, mas o nome dele estava lá desde o primeiro episódio. Em outros, ficaram fora dos créditos os atores Milton Gonçalves, e ontem assisti um em que Stênio Garcia, bem jovem, também interpretava um bandido.
Eram as limitações da época, somente, ou a produção não pensava neste tipo de coisas? De toda maneira, está sendo legal olhar, mas não é algo que eu tenha vontade de ver de novo, como outros seriados mais novos, que mesmo mais novos, já são antigos. Ao final de tudo, resta a lembrança (para quem viveu aquela época, mesmo não tendo consciência disso) de que já houve mais romantismo no mundo, é um sentimento de nostalgia que nada no mundo moderno poderá nos tirar.
VIGILANTE RODOVIÁRIO
De noite ou de dia, firme no volante
Vai pela rodovia, bravo vigilante
Guardando toda a estrada, forte e confiante
É o nosso camarada, bravo vigilante
-
O seu olhar amigo
É o farol que avisa o perigo
Audaz e temerário pra agir a cada instante
Da estrada é o vigilante,
Vigilante Rodoviário!
*
É ou não é um belo exemplo de romantismo?
Porto Alegre