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Ensaio Filosófico (4)

ARREPENDIMENTOS

Sou eu que estou parado, deitado aqui em meu quarto, sem um espelho à frente, mas olhando para mim mesmo. Se estou aqui, só podia ser eu.

Enquanto jogos de palavras atravessam a minha mente, penso que arrependimentos não modificam o passado. Arrependimentos por alguma coisa que fiz são perdas de tempo. Não valem a pena. Por quê? Porque o passado não pode ser mudado. Com o que fizemos no passado mal e mal podemos antecipar o presente. Mas quando nos arrependemos do que ainda não fizemos, o presente pode ser modificado. Tão logo o modificamos, o que acabamos de fazer no momento seguinte se tornou passado. E se se tornou passado, não pode ser modificado, e se não pode ser modificado, do que acabamos de fazer não vale a pena arrepender. Se nos arrependermos, mal e mal poderemos remendar o presente.

Com o presente apenas remendado, sem poder modificar o passado, o arrependimento não tem sentido.

Quem acredita nisso?

Embora o passado não possa ser alterado e o presente mal e mal possa ser remendado, a grande verdade é que o arrependimento mantém acesa a luz que pode iluminar nosso presente de maneira a termos sempre presente a noção de que não precisamos cometer os mesmos erros.

Parêntese.

O uso da lavrapresente duas vezes seguidas na mesma frase foi intencionalmente empregado porque, para quem interpreta bem o que lê, a mesma palavra teve significados diferentes, o que favorece o uso uma vez atrás da outra.

Fecha parênte.

Quem sou eu para pensar em mal e mal remendar o presente? Quem sou eu para me deitar à frente de um pedaço de papel, com uma caneta na mão e divagar sobre as lições que o arrependimento pode ou não ensinar a mim ou a qualquer pessoa? Quem sou eu para achar que posso alterar meu presente colocando em prática arrependimentos por coisas que ainda não fiz? Ao fazê-las, se as fizer, também não vou conseguir remendar o passado.

Quem sabe se algum dia encontrar alguma das respostas (mas quem observou bem captou a essência do fato de que todas as perguntas afinal são a mesma, tendo todas, portanto, a mesma resposta) terei em mãos a tão sonhada tese com a qual desejo preencher telas e mais telas de computador?

Eu é que não sei. Mas meu garrancho de médico está assustador.

25.02.10

 


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