A BRASA do MEU ASSADO
A boneca inflável do Veríssimo; o esquecimento de nomes e rostos do Scliar; a tentativa de mudar o outro, da matéria de capa do Caderno Donna; os desejos da Martha Medeiros.
Olhando para estes assuntos, assim à primeira vista, não parecem em nada conectados. Mas eu consigo enxergar conexão em tudo. Esta é a essência da individualidade do ser humano: cada um interpreta as coisas de uma maneira, às vezes semelhantes, às vezes completamente diferente. E amanhã ou depois eu mesmo posso olhar para os mesmos textos e interpretá-los de maneira completamente diferente.
Começando pelo final, a coluna da Martha, me surpreendi ao perceber que o que ela escreveu, que pode ser verídico ou não, de acordo com as palavras do terapeuta citado, é uma coisa que eu mesmo já venho escrevendo aqui e que já usei como argumento com muitas e muitas pessoas que estavam indecisas sobre momentos em suas vidas: não é tão importante a gente saber o que quer, mas é fundamental saber o que não se quer. Quando a gente sabe o que não quer, é meio caminho andado para evitar confusão.
E, como escrevi antes, o que eu menos quero é rolo.
Dois bons exemplos da confusão a que me refiro? Tiro-os da matéria de capa do Donna de ontem:
1) Barbra Streisand, atriz e cantora americana: “Por que uma mulher dá duro durante 10 anos mudar os hábitos de seu marido, e depois se queixa de que ele não é mais a o homem com quem ela se casou?“
2) Amy Sutherland, escritora americana: “A maior queixa que ouvi das mulheres é que os maridos não fazem o bastante em casa. A maior queixa que ouvi dos homens é que, quando eles tentam ajudar, as mulheres criticam a forma como eles ajudam“.
A confusão que estas duas frases apontam é a de que há pessoas que não só têm dificuldade em saber o que querem, como também não sabem o que não querem. Eu sei que quero ficar longe deste tipo de trapalhada. Lendo o restante da matéria cheguei à conclusão de que as perguntas sobre o por que de eu não ter casado de novo depois de 16 anos e alguma coisa de divorciado, ou o por que de eu conseguir passar longos períodos sem namorada têm respostas, e elas são muito claras.
Assim como é claro, para mim, o efeito que algumas das pessoas que passaram pela minha vida deixaram, apesar de eu não pensar nelas na maior parte do tempo, algumas promoveram mudanças no meu comportamento que no começo me faziam pensar que elas poderiam aparecer de repente aqui em casa, e que se isso acontecesse elas veriam que eu ainda fazia coisas do jeito que elas me mostraram que deveriam ser feitas, o que depois passou, mas não o novo hábito. Assim como pessoas passaram e eu possa eventualmente lembrar delas, mas ficou o gosto por algum cantor ou banda que conheci a partir do relacionamento que tive com elas.
Portanto, em alguns determinados casos, esquecer nomes ou rostos não é de todo ruim.
Já a questão da mulher inflável, se comprasse uma, isso certamente daria confusão, porque acabaria comprando mais de uma, e depois seria um dilema escolher com qual queimar as calorias do dia. A parte boa é que as outras certamente não fariam cenas de ciúmes, quando eu escolhesse alguma, e muito menos todas elas me cobrariam atenção se eu decidisse que num determinado dia os seriados ou o futebol seriam a minha prioridade.
Porto Alegre