SEM ESTRESSAR
Não leio o que o jornalista Tulio Milman escreve na ZH durante a semana. Todos os domingos eu vejo no Informe Especial o espaço que ele dá às pessoas que não concordam com o que ele escreve.
Como não leio, não sei do que as pessoas estão tratando, mas vejo que ele recebe duras críticas das pessoas. Sempre fiquei admirado como fato de ele as publicar, algumas francamente ofensivas à pessoa dele, e mesmo assim elas estão lá.
Acho um belo exercício de democracia, já que ele sabe que pelo menos a metade das pessoas vai discordar de pelo menos a metade do que ele publica na coluna, mas todo dia ele está lá, de novo, dando opinião, dizendo o que pensa, num canhão como a ZH. Se o que ele escreve se aproveita ou não é uma outra história. Só acompanho o trabalho do Tulio nas edições de final de semana, nunca vi nada de mais, nessas.
Usando o argumento que uma amiga me deu, hoje, a mesma Constituição que garante a ele o direito de expressão, garante às pessoas o direito de manifestarem sua discordância, mas não está escrito na Carta Magna que ele é obrigado a publicar as manifestações mais hostis e ofensivas. Se o faz, é por um espírito democrático. Provavelmente é o mesmo espírito que orienta o colega dele, Maurício Saraiva, quando afirma que “posso discordar de tudo que você está dizendo, mas defendo até à morte seu direito de dizê-lo“.
Se ele o diz por demagogia ou retórica não sei dizer, mas está certo o argumento de que é um direito, facultado a todas as pessoas, pois “todas são iguais perante a lei“. E todas são inocentes, até que alguém prove o contrário.
No terreno esportivo a coisa não fica atrás: escuto muito as queixas dos jornalistas esportivos, em especial os que se dizem isentos, de que quando falam mal de Inter e de Grêmio são bombardeados com e-mails ofensivos, torcedores gremistas e colorados tomam as dores dos clubes e times e “batem“ nos jornalistas, como se as críticas por eles feitas aos times fossem pessoais endereçadas aos torcedores.
Os jornalistas são pagos para dar as opiniões deles, e quem dá opinião está correndo o risco da crítica. Discordar das opiniões deles é natural. Quando são agredidos verbalmente, alguma coisa está errada.
Vejam eu: quando escrevi um post descendo a lenha no jornalista David Coimbra, há alguns anos, por causa de uma coluna por ele escrita condenando uma greve de professores estaduais, achei que levaria um pau de volta, com pessoas concordando com a posição dele. Não aconteceu nada.
Faz pouco tempo dei um pau na Rita Lee (de quem sempre fui fã) por causa de uma atitude infeliz (na minha opinião, a qual tenho um direito constitucional de expressar) por ela protagonizada no seu show de despedida. Ninguém escreveu uma linha a respeito, e eu duvido que ninguém que venha aqui ler o que escrevo goste dela, sempre vai haver fãs da Rita.
As estatísticas do blogue (as quais sempre espero que me apresentem bons números, porque, por causa delas, ainda hei de conseguir publicidade estática para o Quem Vai Querer Saber) me dizem que o post Empregados e Patrões foi sempre muito visitado, mas ninguém deixou sequer um comentário por lá.
O grande lance da democracia é todo mundo poder dar opinião, concordante ou não. A gente tem que estar preparado para a opinião contrária, bem como de repente ficar aliviado com a opinião convergente. Assim como não gostamos de tudo que vemos e ouvimos, é preciso estar preparado para quando as pessoas não gostam do que fazemos ou dizemos.
É preciso saber assimilar e seguir com a vida.
Vários pedaços de papel chegam até mim, enfiados por baixo da porta. Suponho que quem se dê este trabalho espera que eu forme alguma opinião, assim como suponho (ingenuamente, será?) que e as pessoas estejam preparadas para o fato de encontrar opiniões desfavoráveis, afinal, não sou obrigado a concordar com tudo, assim como nada me obriga a concordar com nada.
De minha parte, fico surpreso e me sinto recompensado com o fato de que minha humilde opinião possa vir a despertar uma reação tão intensa, sinal de que o que eu penso é importante para as pessoas, mesmo eu escrevendo sobre o que não interessa, como estou sempre repetindo que é a proposição deste blogue. É por gratidão à atenção que as pessoas dão ao que escrevo que, como bom democrata, deixo publicados a grande maioria dos comentários, porque além de ser um sujeito bonzinho e da paz, sou moderador da publicação, ou seja, no meu espaço, um espaço que eu pago para ter e usar, os pitacos da galera são publicados porque eu libero, mesmo quando as opiniões são ofensivas, até um determinado limite que não posso deixar que seja ultrapassado, porque o blogue tem um certo nível que não pode baixar.
Há muito tempo aprendi a lidar com a rejeição, mas falta de educação e de respeito são ligeiramente complicadas de tolerar.
Mesmo não concordando com alguma coisa que as pessoas escrevam, defendo até à morte seu direito de dar pitaco, mas não sou obrigado a publicar.
-
P.S.: escrevi, aqui, na semana passada, que pretendo fazer vestibular para Jornalismo.
É por gosto pessoal, não pretendo exercer a profissão, não precisei de curso superior para vencer na vida (inclua-se nisso criar dois filhos sozinho, que é uma coisa que eu sei que muita gente pensa que homem não tem capacidade para fazer).
Não sou jornalista, não trabalho para nenhuma revista, nenhum jornal, não tenho que investigar nada.
Sugiro a quem coloca comunicados por baixo da minha porta que use a caixa de correio. É para isso que ela serve. E sigam acompanhando meu blogue. Faz bem para a estatística e para meus planos de obter patrocínio pago a partir de números consistentes de visitação.
Porto Alegre
Escrevi no seu blog sobre Rita Lee,antes de ler esse texto..