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Boa Pergunta

 SOLUÇÃO POSSÍVEL

Intrigada com uma coisa que escrevi ontem, a filha me questionou sobre como eu consigo ficar tanto tempo concentrado na leitura.

Apesar de surpreso com a pergunta, imediatamente respondi que no caso do jornal era fácil porque ele trata de muitos assuntos diferentes. Falei que é por isso que eu tenho uma pilha de livros na mesa ao lado do micro da sala de casa, e é por isso que tenho outra pilha na cabeceira da cama. Para poder ir variando de temas (no caso das pilhas de livros não é só uma variação de temas, mas de pontos de vista, de autores, ângulos de abordagem, porque os temas são mais ou menos humanos, ufologia e relações humanas).

Mas o questionamento da filha me fez pensar sobre uma série de coisas, entre elas o por que de eu não conseguir manter a concentração por muito tempo na leitura de um só livro. É sempre bom quando acontece este tipo de questionamento, porque me faz pensar. Imagino que a filha tenha me feito a pergunta porque experimenta ela mesma uma certa dificuldade em ficar tanto tempo concentrada na atividade de ler.

Percebo que vou ter que fazer na questão da leitura o mesmo que fiz com relação às caminhadas e meu hábito de cantar e assoviar as músicas que escuto enquanto estou na esteira.

Uma vez escrevi que quando estou na caminhada minha cabeça viaja. É quando faço planos, estabeleço metas, monto estratégias de uso do tempo, etc. Desde pequeno sempre gostei de conhecer os arranjos das músicas nos mínimos detalhes; memorizei ao longo dos anos muitas letras de músicas, conhecendo a fundo os arranjos delas, quando não eram músicas apenas instrumentais. Destas, aprendi a acompanhar os solos e tudo mais. Um dia eu descobri que por causa do meu diálogo interior, que nunca parava, estava mais concentrado nele do que em manter a memória das letras e arranjos de músicas que eu gosto. Estava com dificuldade de aprender letras novas, novos arranjos de músicas.

Então comecei a me dedicar apenas a prestar atenção ao que estava ouvindo, durante a caminhada. É o que faço hoje em dia: encerro meu diálogo interior por algum tempo. Presto atenção apenas ao que está tocando. Cuido a monitoria da esteira, mas mantenho a atenção na música.

Meu diálogo interior interfere na leitura de livros, mas não na do jornal, porque enquanto as informações se sucedem nas página do jornal eu posso ir pensando em fazer comentários sobre aquilo. Quando estou com um livro nas mãos daqui a pouco minha atenção se volta para outras coisas, e então eu troco de livro e começo tudo de novo (a concentração) até o diálogo interior voltar. Na hora de dormir o que me desconcentra da leitura é o pensamento de não poder esticar demais porque tenho que levantar cedo no dia seguinte. Quando é folga, penso que se enfiar a madrugada lendo vou gastar o dia seguinte dormindo, o que seria uma perda de tempo.

E por aí vai.

Mas para conseguir manter a concentração em qualquer coisa é preciso, antes de qualquer coisa, encerrar o diálogo interior. Parar de pensar que alguém possa estar querendo falar com a gente nas redes sociais (estando o computador ligado ou não); parar de pensar que a gente gostaria de falar com alguém de lá. No meu caso muitas vezes eu deveria parar de pensar na televisão, parar de pensar em música, parar de pensar no blogue.

É uma questão de força de vontade e treino; de treino e de força de vontade. Como diz o Dyer, eu só vou ficar bom naquilo que pratico, não naquilo que evito. Tenho que evitar mais o diálogo interior em alguns momentos e praticar mais a concentração em outros.


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