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Bola nas Costas

INIMIGOS na TRINCHEIRA

Nunca fui contra a Copa do Mundo no Brasil. Talvez até tenha ficado dividido, em 2007, antes de sair a decisão da Fifa. Como sou eternamente otimista, depois de decidido só consegui penar nos benefícios para o país, em termos de mobilidade urbana. Desde o primeiro momento eu soube, claro, que haveria alguma roubalheira, com relação aos estádios.

Roubalheira, superfaturamento, desperdício, não importa o nome. Ninguém duvidava que acontecesse.

Eu também sempre soube, desde o começo, que com a invasão de turistas e a injeção de dinheiro no mercado quem vai ficar com o grosso do lucro serão os empresários, mas também se sabe que um turista estrangeiro bem atendido, se sentindo seguro e respeitado, vai deixar algumas gorjetas extras.

Se os governos não dão jeito na segurança, na saúde e em outras mazelas, não é culpa da Fifa, todo mundo sabe disso. Nenhuma dessas situações teria solução imediata, havendo ou não havendo Copa no Brasil. As melhorias em mobilidade com certeza não aconteceriam sem a Copa, mesmo aquelas que vão atrasar.

Embora seja declaradamente eleitor da Dilma, sou de opinião de que o maior protesto que se possa fazer, que dê algum resultado sem denegrir ainda mais a imagem do país, poderá ser feito em Outubro, nas urnas. E eu nem acredito na ideia de que uma vitória brasileira no Mundial possa contribuir para a reeleição da atual presidente. Isso funcionou em 1994 para o senhor Fernando Henrique porque o país estava com a autoestima abalada pela morte de Ayrton Senna.

Hoje em dia a Nação está abalada pela insegurança pública, pelas mortes na fila do SUS e pelo descaso com a educação, entre outros problemas. Mas estas são situações que vêm de muito tempo, não têm a ver com os encargos da Fifa, que há sete anos caiu na conversa do então presidente Lula. Ninguém obrigou a Fifa a escolher o Brasil, assim como ninguém obrigou o Brasil a se candidatar a sediar a Copa. Fora todas as exigências que foram feitas e aceitas (e aceitas são por todos os países que têm sediado Copas), os problemas do país já existiam e ninguém em sã consciência pode afirmar que teriam sido resolvidas de sete anos para cá, mesmo sem o Mundial aqui.

Meu maior receio, no meio disso tudo, reside na imagem do país que será transmitida para todo o planeta. E ela vai atrair ou afastar turistas, facilitar ou dificultar a entrada de brasileiros em outros países (e falo na condição de quem não tem nem condições, nem intenção imediata de viajar para o Exterior), e toda uma série de relações comerciais e diplomáticas.

A imagem interna já torna complicadas as relações entre brasileiros. Qual imagem queremos que o mundo veja?


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