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Cap. 20 – Pt. 4

      Enquanto Augusto e o outro homem se cumprimentavam com um abraço, Miranda enxergou às duas mulheres e duas crianças, vinham todos em direção à porta.

      – Augusto! – disse a jovem negra, que Miranda não teve dificuladde em identificar como irmã dele. – O que está fazendo aqui?

      – Ora, irmãzinha… Vim ver a gatona minha prima…

      Miranda pensou que ela se estivesse referindo à menininha lourinha, mas conteve a respiração ao vê-lo abraçar à outra mulher. Chegou a erguê-la do chão, e ela correspondeu ao abraço dele.

      – Como está, Helena? – indagou ele. 

      – Feliz, Augusto. Muito feliz!

      – E estas gracinhas? – ele abaixou-se e a abraçou aos dois ao mesmo tempo. O menininho fez um grande esforço para livrar-se, mas a garotinha enroscou-se no pescoço dele. – Priminha, você vai crescer e ser minha namorada.

      – Não, eu quero ser sua namorada agora. – retrucou ela.

      – Bem, vou falar com seu pai sobre isso. – Augusto sorriu, beijando-a. – Pessoal, esta é Miranda. Ela é irmã de Ernesto, Elise.

      – Irmã de Ernesto? – Elise sorriu, surpresa, olhando para o irmão, como quem diz “que rapidez!”. – Bom, eu sou irmã dele…

      – Eu percebi. – Miranda riu.

      Feitas as demais apresentações, Roberto disse:

      – Gente, não sei quanto a vocês, mas eu vou terminar o meu almoço.

      – Querem almoçar? – indagou Helena aos recém-chegados.

      – Não. Não sei, eu não. – falou Augusto.

      – Nem eu. – disse Miranda. – Na verdade, estou acompanhando Augusto ao supermercado.

      – É, eu dei uma passada apenas para ver vocês… você… – ele olhou para Helena.

      – Não falou para ninguém que vinha aqui, né? – disse Elise.

      – Falei, sim, afinal eu sou um asno, com tendências a maníano suicida… Contei para todo mundo, já estou até procurando outro país para viver.

      Helena começou a rir, e Elise também.

      – Ora, não se zangue, foi só uma pergunta. – defendeu-se esta última.

      – ‘Tá bom, nós já vamos.

      Augusto e Miranda despediram-se e saíram.

      No carro, Miranda falou:

      – Por quê elas riram quando você falou “maníaco suicida”? E por quê você disse aquilo?

      Augusto sorriu, olhando para ela, antes de dar partida ao carro.

      – Eu não quis despertar a sua curiosidade, Miranda.

      – Acredito. E na verdade, confesso que não esperava que fosse assim.

      – Assim o quê?

      – Tudo. O que há de tão misterioso naquela mulher? Ela é linda. Achei-a um pouco parecida com… Virgínia?

      Augusto riu.

      – Miranda… você vai achar que sou um pouco adiantado…

      Ela o olhou muito séria. Chegara a hora de realmente conhecê-lo?

      – Você não vai me pegar de guarda baixa, Augusto.

      – Como assim?

      – Embora eu tenha forçado um pouco a barra para vir com você, a minha intenção era, sei lá, conhecê-lo um pouco melhor, nem sei porque quis isso, mas, enfim, eu quis. Mas não pense que por eu ter feito isso será fácil você jogar seu charme para cima de mim…

      Ele baixou o olhar, por instantes. Olhou-a depois.

      – Quer que eu seja franco, não quer?

      – Se não for difícil…

      – Não é difícil. Na verdade, você é quase a única pessoa fora de minha família a quem estou disposto a revelar um segredo. Você está fazendo perguntas que considero razoáveis, eu acho que é de confiança, e então pensei em convidá-la para um passeio. Fazer o que você quiser, dar uma volta na praia, nós dois, Luciano, também, mas longe de Geraldo e Virgínia. Mas não, você tem que pensar que eu vou cantá-la, porque, afinal, você é bonita e gostosa, está separada, blá, blá, blá… Você certamente encontrará muitas pessoas interessadas em pegá-la de guarda baixa, mas não sou uma delas.

      Ele arrancou com o carro, e Miranda ficou em silêncio.

                             *                 *                 *

      – Elise, você disse que conheceram esse rapaz, o Ernesto, apenas ontem? – indagou Helena.

      – E é verdade.

      – Durante a confusão onde ajudaram a salvar a vida dele e da moça detetive?

      Elise começou a rir.

      – Até já sei onde você quer chegar.

      – E Augusto já veio assim, com a irmã dele, como se fossem velhos amigos…?

      – Você não conhece o meu irmão. – Elise sorriu.

      – Mas é assim? – brincou Roberto. – Quero dizer, ele mal conhece uma garota e já a convida para sair?

      Elise riu.

      – Até onde eu entendo, uma ida ao supermercado não é, assim, um programão…

      – Então, o que quis dizer com aquilo? – indagou Helena.

      – Ah, ele tem uma boa conversa. E vocês ouviram, ela disse que o estava acompanhando ao súper, talvez tenha coisas para comprar, também. Mas Helena, não me diga que ficou grilada?

      – Será que fiquei? – falou, pensativamente. – As coisas estão acontecendo muito rapidamente, eu queria estar mais integrada à família. Acho que senti ciúmes do meu primo. Aquela garota é bastante atraente.

      – Acostume-se com a idéia, ele um dia vai casar. – Roberto começou a rir. – Só espero que seja com alguém capaz de compreender esses abraços que vocês se dão.

      – Você compreende? – Helena olhou-o profundamente.

      Ele devolveu-lhe o olhar.

      – Me emociona ver você receber demonstrações de carinho de sua família. – disse ele. – O que mais desejo é vê-la totalmente integrada. Só isso.

      Helena sorriu. Olhou para Elise e disse:

      – Viu?, ele compreende.

      Elise tornou a rir.


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