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Cap. 7 – Pt. 2

       – Se você for bem esperta, não dê mais um passo pra lá, moça. Venha cá e entre no carro, bem devagar…

      Marjorie não disse nada. Estava com as chaves na mão.

      Abriu-o, devagar. O homem que não estava armado esperou do outro lado, e ela foi forçada a abrir a porta. Ele se sentou ao lado dela e aí, sim, mostrou que também carregava uma arma.

      – Agora, moça, como seu carro está de gasol? – perguntou ele.

      – Meio tanque. – mentiu ela.

      – É o suficiente para uma viagem só de ida. Litoral norte, moça.

      – Que parte do Litoral?

      – Bem longe… anda logo!

      Marjorie ligou o carro.

      O outro homem voltou para o outro carro, e saiu atrás do carro dela.

      – O que vocês vão fazer comigo? Quem são vocês?

      O homem deu uma risada que a garota simplesmente recusou-se a pensar no seu significado.

      – Você estava seguindo a pessoa errada, moça. Aliás, por quê você estava seguindo aquele homem?

      Marjorie ficou quieta. Olhou para o revólver apontado em sua direção.

      – Você tem que ficar com este negócio virado pra mim? – indagou. – Eu prometo que vou ser boazinha…

      – Sei. Me deixa ver a sua bolsa.

      Marjorie estava com ela atravessada no corpo, tirou-a devagar e passou-a ao homem.

      – Eu sou um cara muito nervoso, sabia? O meu amigo, no outro carro, é mais nervoso que eu. Ele já cumpriu doze anos. Eu cumpri sete, estamos foragidos. Uma morte a mais ou a menos no meu currículo não vai fazer diferença. Ainda mais uma gostosona como você. Claro que a gente vai se divertir…

      Ela fechou os olhos por um segundo. Pensou no que poderia fazer. Jogar o carro fora da pista. Provocar um acidente durante uma ultrapassagem. Atravessar a pista e entrar na contra-mão. O fato é que não queria morrer. Estar morta não a assustava, mas a maneira como morresse sim.

      O homem estava revistando a bolsa, e achou a sua carteira de documentos. Deu uma boa olhada em todos e depois disse:.

      – Hum… detetive particular… O que estava investigando naquele sujeito? Como sabia que ele estava envolvido com drogas?

      Marjorie não respondeu. O homem aproximou o revólver dela, até encostá-lo em seu corpo, e disse:

      – Fale comigo moça, seu silêncio me deixa nervoso…

      – Não posso falar, segredo profissional…

      – Mais um pouco de segredo profissional e você não vai poder falar por outros motivos…

      A jovem achou que era melhor não facilitar, mesmo que colocasse em risco a vida de sua cliente. Era a sua vida, agora, que estava em jogo, e podia ser que ela saísse viva daquele pesadelo.

      – Tudo bem. – falou. – A mulher dele me contratou para descobrir se ele tinha uma amante.

      – Uma amante? – o homem começou a rir, ainda olhando para ela firmemente. – Que bobagem… Você está ferrada, moça.

      O trajeto transcorreu em silêncio, depois daquilo. Marjorie sabia que enquanto dirigisse sem qualquer movimento em falso, estaria segura.

      Quando estavam se aproximando da entrada para a praia de Tramandaí, ela percebeu sinais de luz vindo do carro que os seguia.

      – Acho que seu amigo quer falar com você.

      – O quê? – o homem olhou para trás. – Que será que está acontecendo? Encoste.

      Marjorie olhou para o relógio. Já eram mais de quatro da tarde. Tinha que fazer alguma coisa.

      Os dois homens discutiram asperamente por causa de cigarros, o que tinha ficado no outro carro queria fumar. Não tinham cigarros, teriam que parar em algum lugar para comprar, com o dinheiro que havia na bolsa da garota, mas ela não poderia ficar sozinha. Entrar em um lugar pouco movimentado levantaria suspeitas. Decidiram que algum bar ou restaurante com muitas pessoas bastaria para que passassem despercebidos.

      Mas Marjorie decidiu que não passaria despercebida.

      Depois de terem entrado em Tramandaí, rodaram por vários lugares, até acharem uma sorveteria que estava bem freqüentada, e ali decidiram entrar e perguntar por cigarros.

      Marjorie estava segura por um braço, por um dos homens. Ela entrou olhando para os lados, o olhar implorando ajuda. O homem a puxava para junto de si, e ela sabia que ele a mataria, se fosse necessário. Seus olhos cruzaram com os de um rapaz louro, sentado sozinho numa mesa perto da entrada. Havia mais alguns casais, e outros homens e crianças, mas ela continuou olhando para o rapaz louro.

      Ao que tudo indicava, ele tinha percebido que ela estava em apuros. A comunicação no olhar era evidente. Ela balançou a cabeça afirmativamente, e então ele saiu de onde estava. Caminhou devagar na direção dos homens e disse:

      – Ei, está acontecendo alguma coisa errada aqui?

      – Fica na sua, meu chapa. – disse o homem que estava com a garota.

      – Moço, por favor, me ajude. – disse ela.

      O rapaz tentou segurar o braço dela e foi atingido por trás pelo outro homem, caindo por cima de uma mesa. Marjorie conseguiu livrar o braço e deu um soco no homem que estava perto dela.

      Quando se deu conta, havia mais pessoas ajudando-a.

      Alguém disse alguma coisa e em seguida seguiu-se uma pancadaria entre os dois bandidos e outras pessoas ali presentes.

 


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