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Circulando

REVEZANDO o REVEZADO

Faz parte do meu atual estado de mudança pessoal uma crescente febre de leituras. Meu maior problema, ao longo das tardes/noites, é conciliar as leituras com a bobeira que bate, logo depois do almoço.

No geral almoço sentado na frente da tv do quarto, olhando as gravações de episódios de seriados feitas na noite anterior. Isso pode acontecer de terça a sexta. Algumas vezes dá bobeira ali mesmo. Nessas horas sou obrigado a ficar rebobinando a fita para ler o que perdi, porque a soneira costuma ter caráter incontrolável. Outras vezes consigo assistir gravações numa boa, mas mais tarde o sono ataca. Sempre luto contra isso, mas estou começando a achar que para poder ler na parte da tarde vou ter que aderir ao processo de sonolência. Também já percebi que uma boa hora para ler e escrever é no final da tarde, entre 18 e 20 horas.

O problema é que esta atividade concorre com o ligeirão que estou dando nas caixas de temporadas de seriados que tenho aqui. A ideia é ir completando minhas coleções devagarinho, quem sabe comprando uma por mês. Os seriados que estou mais perto de ter as temporadas completas são Stargate SG-1 e Arquivo-X. Mas também é neste horário que preparo meu jantar, então não poderia, por enquanto, nem teria como, neste momento, dedicar duas horas a ler e escrever.

É muito fácil perceber que estou atravessando um momento de grande insatisfação interna. A habilidade de adotar uma atitude testemunhal com relação a mim mesmo torna bastante clara a necessidade de uma mudança radical em alguns hábitos do meu dia a dia. Como já sou conhecedor de uma série de circunstâncias da minha pessoa, sei que essas mudanças terão caráter temporário. Cada fase na vida ocupa um espaço e depois se vai e vem outra, com situações se repetindo. O que elas têm em comum é sempre a sensação de que algo precisa ser recuperado.

Agora quero recuperar meu espaço de leitura. Amanhã vou querer recuperar o espaço da televisão. É assim que funciona. Quem está na mira da perda de espaço,. neste momento, e o está perdendo em ritmo acelerado, é a internet. Depois de vários e vários anos de ditadura digital auto imposta, vem aí uma perda de espaço inimaginável, tempos atrás.

Enquanto meus olhos observam a evolução da temperatura no termômetro digital de parede, não tenho como evitar de me surpreender com a imensa dificuldade que é a eliminação de três folhas de papel por dia. Nunca pensei que pudesse ser tão difícil e me vejo obrigado a reconhecer que não tenho conseguido. Na verdade, muitas e muitas fontes de papelada aparecem assim do nada, num ritmo normal de uso é praticamente impossível acompanhar.

Mais uma vez imagino que o que me falta é ter alguma ideia mirabolante, que me absorva, já que tempo e disposição para escrever não faltam. O pior é que, se for pensar, em termos de postagem no blogue, três folhas (que nem sempre equivalem a seis páginas) não são muita coisa: uma coisa é eu escrever seis páginas à mão; outra são estas mesmas, digitalizadas. A diferença do espaço que ocupam é gritante. Uma linha escrita na tela da página de criação do blogue são quase duas manuscritas. Às vezes olho para a tela do computador e vejo que não tem quase nada escrito, mas no papel já foi um lado e mais um pouco.

Isso, falando em folhas de tamanho normal, papel A4, ou folhas de caderno. Mas como escrevo em tudo que é tipo de papel e papelão (desde que aceitem o risco da caneta Bic), inclusive os lados B das notas fiscais das maquininhas dos supermercados e postos de combustíveis e de algumas embalagens de produtos de limpeza e higiene, muitas quantidades descartadas de papeis às vezes representam quase nada, na tela do computador.

Tudo que escrevi até aqui a punho, nos últimos três parágrafos, ainda não deu uma página e meia de uma folha que pode ter a largura do padrão A4 (que não tem muita diferença de largura para a tela de criação, que não tem muita diferença para a tela de leitura normal, a não ser que a pessoa abra um post especificamente, dentro de sua categoria), mas não tem o comprimento, porque era uma folha cortada.

A meta de três folhas por dia é alta.

Talvez alta demais.

Quando, algum dia como pretendo, eu estiver formado em jornalismo, ou até mesmo antes, durante o curso, talvez se torne mais fácil ter ideias sobre o que e como escrever que facilitem o consumo de papelada (mas se ficar esperando por isso tenho até medo de pensar na quantidade de papel acumulado que vou armazenar). O que sei que não vai estar no meu perfil é aquela correria diária em bisca de notícias, a concorrência para ser o primeiro a informar coisas.

Tô fora dessa.


1 Comments Add Yours ↓

  1. picida ribeiro #
    1

    Acho saudavel essa sua diversidade de tarefas: TV/ leitura/ escritas.
    Cada vez me convenço masi que a internet ocupa um tempo exagerado na vida das pessoas.
    Até o tempo para relações humanas está comprometido.



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