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Dois Lados, Uma Verdade

07:26

Outro amanhecer de sol e céu de horizonte parcialmente nublado. Agora que o sol sai antes das sete horas ficou muito melhor de levantar cedo. Melhor ainda, levantar cedo estando de folga. O relógio de parede assinala gloriosos 19ºC.

 LADO A

Mais uma na segunda-feira de folga. A diferença desta para a da semana passada é que não tem chuva, não faz tanto frio, não tenho que colocar o pé fora de casa. Desta vez lembrei, já na sexta, de deixar a aposta da Lotofacil de hoje pronta. Naquele dia, não sei como, a menina do caixa se passou e passou duas vezes um dos cartões. Eu dei a ela os R$ 20,00 da aposta e ela me disse que faltavam 4, e eu perguntei se já tinha aumentado, ela me disse que não, então eu falei que eram apenas 5 cartões, e não seis. Ela conferiu, eram cinco, mesmo, então procurou e viu que um tinha passado duas vezes.

A expressão “um dia” me lembra um desenho do Charlie Brown, em que a Lucy diz para o irmão, Linus, que vive agarrado no cobertor azul (não são estas as palavras, mas servem para ilustrar a minha ideia): “um dia você vai ter que crescer; um dia você vai ter responsabilidades de adulto; um dia você terá que deixar de ser tão inseguro“, e assim por diante, ao que Linus, sem pestanejar, responde: “um dia“.

Não sei quando isso começou. Nenhum de nós (não a banda, e nem eles saberiam) quando isso começou. O que sabemos é que vem rolando alguma coisa desde 2002, até porque, entre algum ponto de 2002 e começo de 2006 ficamos sem micro em casa. Mesmo assim, a comunicação teve poucas interrupções. Mesmo quando ela esteve fora do país.

Uma coisa que é engraçada é o fato de nunca ter sido uma relação muito fácil, mesmo virtualmente. Mas o que faz com que duas pessoas briguem, divirjam, fiquem irritadas uma com a outra virtualmente, e mesmo assim não consigam se largar? Seria o fato de nunca terem chegado perto uma da outra? E quando chegam perto, se entendem, e mesmo assim continuam brigando, mas não conseguem se abandonar?

Eis a história. Com base nela, me parece agora meio óbvio por que outras tentativas de relacionamento não tenham dado muito certo. Porque, no fundo, ela sempre esteve por trás de tudo. Uma sensação de que poderia largar tudo por causa dela. No fundo, talvez não querendo crer, eu sabia que ela gostava tanto assim de mim, mesmo não entendendo muitas coisas que hoje são perfeitamente compreensíveis. Nada como a passagem do tempo e melhoria das condições para as coisas aflorarem.

Longe de ser um relacionamento perfeito, porque isso não existe, ambos sabemos que é o que estamos querendo, não só agora, mas para o tempo que vem pela frente. O que é passado, passou. Quando duas pessoas ficam tanto tempo se comunicando, divergindo, às vezes concordando, mas não conseguindo se desligar (houve até uma época em que isso foi possível, mas uma das duas partes cedeu e resolveu voltar a contatar, e admito que fui eu, porque ela nunca deixou de ter meu nome em sua lista de contatos), é porque alguma coisa mais forte do que o normal está acontecendo.

Ao acordar, hoje, já saí da cama com uma música antiga do Roberto Carlos na cabeça. Fiquei pensando nela, e acho engraçado como algumas músicas dele têm relação direta com o que acontece na minha vida hoje, mesmo sendo todas músicas antigas (para nem falar naquela que, em 1973, evitou que eu fizesse uma grande bobagem). O que não posso deixar de pensar é que a busca de uma vida inteira pode ter chegado ao fim.

 Faltando:  474, 2025, 290 dias para a Copa do Mundo da África do Sul, 782, 2333, 1068, 495, 130 dias para 2010, 373, 102.

LADO B

Enquanto vou exercitando minhas contagens de dias, uma coisa acabei aprendendo: o período de um ano passa sempre muito depressa. Enquanto as contagens estão em números acima de 365, parece que o tempo não passa. Mas depois que chega naquele número, ele dispara. Contagens que baixam de 100 dias, então, são um abraço.

Uma contagem que eu gostaria de poder estar fazendo, aliás, não é uma, são duas, é para os dias em que finalmente eu e o Brasil inteiro vamos nos livrar das presenças dos senhores Wagner Tardelli Azevedo e Wilson Souza de Mendonça na arbitragem de competições oficiais do futebol brasileiro. Fico feliz toda vez que o Chico Garcia, analista de arbitragem da Rádio Gáucha, diz que esses dois senhores estão com 45 anos e é o último ano deles no apito. Se eu soubesse quando será isso, com certeza estaria contando. Os dois são muito ruins. A maior prova é que ambos perderam o escudo da Fifa. Não é preciso dizer mais nada.

Também é óbvio que o tempo passa muito depressa. Há algumas coisas que aprendi em relação ao tempo, desde muitos anos atrás, mesmo no tempo em que me deslocava de ônibus para o trabalho. Por exemplo, hoje em dia. Quando o depertador toca, às 5:50, levanto, tomo café, me arrumo, saio, pego o carro, vou para o trabalho. Geralmente, às 6:50, já estou lá dentro. Me parece incrível pensar que, uma hora antes, eu estava apenas levantando, e assim a primeira hora se passa naquela coisa de que “há pouco tempo atrás eu estava fazendo isso, isso e aquilo e agora estou aqui.” O mesmo se dá quando saio. O tempo passa depressa, mas, ao mesmo tempo, uma hora é um espaço de tempo que dá para fazer muita coisa.

E agora pela manhã? Tinha ido dormir ontem à noite por volta de 23 horas. Dei uma boa lida, estou acabando mais um livro que trata de Ufologia. Achei boa ideia dormir cedo, para levantar cedo hoje e aproveitar meu dia de folga. Tenho zilhões de coisas para fazer.

Acordei 6:30, levantei direto, estava bem dormido, não deu bobeira. Antes de tomar café dei mais uma examidada no feijão que passa por “cinco processos de seleção“, como diz na embalagem, botei de molho. Daí tomei café tranquilamente, resolvendo alguns itens da pilha de folhas de palavras cruzadas retiradas dos jornais de sábado e domingo que fica em cima da mesa especialmente para este fim, depois vim escrever o post de hoje.

Mais uma olhada no relógio de parede e vejo que daqui a pouco já estarão se completando as duas horas que o feijão tem que ficar de molho. E ainda não fiz quase nada, mas é assim mesmo: quando estou em casa, sem a tensão de que o telefone pode tocar a qualquer momento, como é lá no trabalho, consigo produzir um pouco mais. Digo, “um pouco“, sendo bastante modesto.

O que eu acho é que preciso de um bom prêmio de loteria, se bem que acho que não pararia de trabalhar, acho complicado fazer isso, pelo simples fato de que não penso em abrir mão de todos os direitos trabalhistas que tenho adquirido ao longo destes até agora 30 anos de trabalho. Sempre pensei no quanto seria bom poder trabalhar sem ter a pressão de ver o salário consumido em pagamento de contas, porque as contas seriam pagas com a utilização de uma outra renda. Aliás, a principal delas desapareceria bem antes dos 2000 e tantos dias que ainda faltam, o que, para começar, seria o maior dos alívios.

SEM SABER LER

Sempre disse e vou continuar dizendo que não entendo muito bem a linguagem das entrelinhas. Sou retardado o suficiente para não entendê-la em momento algum, nem quando as pessoas falam comigo, nem quando as leio, mas como o ser humano é contraditório, algumas coisas eu gosto de deixar no ar.

Em momentos anteriores, quando estive gostando de alguém, a primeira coisa que fiz foi escancarar aqui, porque isso dá uma felicidade que a gente não consegue muitas vezes esconder. Como o blog é um reflexo do meu estado de espírito em algum momento do dia, se naquele momento estou transbordando de alegria, isso naturalmente vem parar aqui.

Mesmo não podendo dizer que estou transbordando de alegria agora, mas se a busca de uma vida inteira terminou, por estar finalmente acontecendo alguma coisa com uma pessoa que eu conheço há tanto tempo e da qual definitivamente não consegui e não quero me desligar, mesmo que eu não diga, é possível que fique no ar a sensação de que quando não estou perto dela, ou falando com ela, mesmo virtualmente, eu sinta saudade.

Porque também me parece, depois de algumas poucas experiências, que a felicidade alheia incomoda a algumas pessoas (gerando até expectativas de que ela não dure muito), às vezes me reservo o direito de fazer como os grandes colunistas que leio no jornal a na internet fazem: não comentam absolutamente nada de suas vidas pessoais, seus sentimentos, não falam das pessoas que amam. 

Resguardo a nós dois, o que não significa que eu não sinta falta dela, que não pense nela o tempo todo, que não queira tê-la por perto seja de que maneira for. Quanto às entrelinhas?

Estão aí, para os bons entendedores.


1 Comments Add Yours ↓

  1. picida ribeiro #
    1

    Acho que errei nas “entrelinhas” rsrs
    Primeiro: Não dá para contar que musica do Roberto voce acordou “ouvindo” hoje? Só por que sou fã…
    Segundo: Lamento não fazer parte dos citados “bons entendedores”mas vou continuar tentando…
    Terceiro: sei lá qual será seu criterio, respeitarei cada um , mas gosto qunado voce fala de voce, não acho isso escancarado, voce senpre o faz, (quando faz) com equilibrio e sabedoria, enriquece á todos nós leitores.
    Quarto: se não tiver devolvendo nada, terminando nada, tanto melhor, mas não deixe de ler o post da Tatiana. Boa semana.



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