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Duas em Uma

O QUE eu PRECISO

Duas necessidades se têm feito presentes no meu dia a dia, e não dá para definir qual das duas é mais importante. Na verdade, as duas andam juntas, e eu penso que embora nem sempre estejam assim, porque uma delas depende de fatores externos, quanto mais presentes, melhor a minha vida se torna. A necessidade que depende de fatores externos é a de silêncio.

Aqui, onde eu moro, é praticamente impossível. Ao contrário do que se possa pensar há muitos lugares na cidade onde se pode viver em silêncio, mas obviamente os condomínios de apartamentos (com raras exceções) não fazem parte dessa relação. Aqui o máximo se silêncio que consigo é o interno. Posso perfeitamente desfrutar de bons momentos em que nem a televisão, nem os aparelhos de som estejam ligados. E isso que houve época em que ficar sem música rolando o tempo todo era uma coisa impensável. Mas agora não.

 Na questão da leitura, claro, não dá para prestar atenção, absorver conhecimento, com música rolando junto. A questão da leitura, agora, na verdade, para mim, tem dois momentos iniciais. Um é o da primeira leitura, que é quando tenho que estar atento ao que leio, com vistas a passar caneta marca-texto em trechos que eu ache relevantes. Para identifica-los preciso estar bem ligado na leitura, e isso só com silêncio. O segundo momento é o da releitura, em geral à noite, antes de dormir, de forma a assimilar ensinamentos ou relevâncias daquilo que foi anteriormente pintado nos livros.

A hora da música é quando estou em atividades domésticas, de limpeza, na cozinha, há hora do banho, ou quando simplesmente estou a fim de cantar sem fazer nada. Nessas horas o único trabalho que tenho é o de apertar o botão para avançar alguma música que naquele momento não condiga com a minha disposição.

A outra necessidade pela qual o silêncio de faz extremamente necessário é quando eu sento para atender ao chamado da Fonte para fazer o que estou fazendo agora. Escrevendo. Escrever é uma outra atividade, assim como a meditação (que embora ainda não tenha o hábito de praticar já estou começando a desenvolver uma técnica pessoal), em que o silêncio é fundamental. Digamos assim: quando há barulho externo, ele ao mesmo tempo em que me mantém ligado ao Agora, porque é impossível ignorá-lo, me remete a uma expectativa de futuro, quando vou estar fora daqui. Então, havendo ruídos externos próximos (porque os distantes não interferem em nada), fica complicado ler, escrever, qualquer coisa que exija um mínimo de concentração.

Não se pode atender ao chamado da Fonte (que se manifesta várias vezes ao dia) quando não se pode pensar direito. Já a meditação em si, quando não se pensa nem em passado, nem em futuro, simplesmente se está no presente com a mente vazia, requer silêncio total. Só pode ser feita (aqui onde ainda estou) ou de manhã cedo ou na noite muito tarde (e nem sempre há garantias, quando se tem um vizinho sem noção como o meu do andar de cima), e nesses dois horários o que me falta, sempre, é tempo.

Estou tentando desenvolver um jeito de aproveitar o momento de escrever para fazer as duas coisas, escrever e meditar, uma vez que ambas convergem para o ato de estar no momento presente. De toda maneira, seja como for, pretendo sempre, ou o máximo de vezes possíveis, estar pronto para atender ao chamado da Fonte.

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