RSS

Em Causa Própria

07:06

Numa promissora reedição do amanhecer de ontem, a única mudança estava no termômetro, para ainda melhor: 13ºC às 6:38.

PAGANDO POR TER SAÚDE

Ontem três colegas e uma gerente foram dispensadas para ir embora por causa da gripe A. Três delas foram de máscara, porque gripadas, a quarta foi dispensada por estar grávida.

Os que ficamos, por estar com boa saúde, teremos que trabalhar em dobro, sem ajuda de ninguém dos outros setores, ficando sobrecarregados e com problemas até para ir ao banheiro. Mas, enfim, vou ter que me habituar com o fato de que ter saúde pode significar ter que trabalhar mais.

SITUAÇÃO DIFÍCIL (1)

Muitos anos atrás, mas depois da extinção dos dinossauros, quando me separei da mãe dos meus filhos, muitas e muitas vezes tive que ser firme e dizer a eles que a separação não tinha acontecido por nada que eles tivessem feito.

Meu filho, na época com 8 anos, chorava e perguntava quando eu voltaria para casa e eu tinha que ser firme, dizer que não voltaria, que nunca mais seríamos uma família, mas que eu continuaria sendo pai deles, a mãe continuaria sendo mãe (o que depois se comprovou que não era bem assim), que eu teria uma namorada, que a mãe teria um namorado (o que não sei, nem quero saber, se aconteceu), mas que continuaríamos sendo pais deles.

Depois aconteceu o episódio de a guarda deles me ser dada de bandeja pela mãe, e daí em diante aconteceu aquilo que estava implícito, e que é resolvido pelo tempo: criança esquece. Quando não lhes é infligido nenhum mal físico, quando são deixadas livres para viverem suas vidas normalmente, que foi o caso dos meus, as crianças logo, logo esquecem situações difíceis, porque depois outras alegrias vêm para tomar conta.

No caso dos meus, como, apesar de tudo, nunca interferi no relacionamento deles com a mãe, a infância foi mais ou menos normal, cresceram como pessoas que todo mundo gosta, têm facilidade de fazer amigos, são pessoas amorosas ao jeito deles.

É difícil, mas não é impossível.

E criança esquece.

 Contando:  485, 1756, 301, 793, 2344, 1079, 506, 141, 384, 113.

SITUAÇÃO DIFÍCIL (2)

O final de um relacionamento pode ser uma coisa bem complicada, especialmente quando uma das partes não aceita. Mesmo assim, se a parte que “pede pra sair” é a que efetivamente tem que sair, não há nada que a obrigue a ficar.

Foi o meu caso.

Em caso de uma separação, quem teria que sair seria eu, e eu fui a parte que quis sair. Já quando a parte que tem que sair não é a que pede a separação a coisa pode ser bem mais complicada. É muito difícil lidar com a rejeição. Quase ninguém, e eu me incluo na lista, sabe lidar com ela.

Quando a parte que tem que sair não aceita a separação, a vida de quem fica pode vir a se tornar um inferno. Entretanto, há uma máxima que diz que ninguém gosta de ficar falando sozinho. Há também a que diz que “água mole em pedra dura tanto bate até que fura“. No caso da pessoa que fica, sua “água mole” é bater na pedra da insistência de quem teve que sair, e ser firme, não dar espaço, não dar ouvidos, não ceder a toda  pressão que a outra pessoa fizer para que lhe seja permitido voltar.

Quando há filhos envolvidos, então, a coisa tende a ficar ainda mais complicada, mas, como escrevi, acima, criança esquece. Sabendo preservá-la, não discutindo na frente dela, cada lado pode apresentar sua versão, mas, com o tempo, a criança aprende a saber qual o lado justo.

Em situações assim acredito que o mais correto é buscar apoio na Justiça. Limitar o campo de ação da parte que teve que sair, deixar o assunto para ser tratado por advogados, pessoas não diretamente envolvidas, que não hesitarão em defender as razões de seus clientes, mas que estarão agindo de acordo com a lei, que até prova em contrário, no melhor interesse da criança, deverá observar qual dos dois pais tem o equilíbrio necessário para promover o desenvolvimento saudável de uma criança.

Quando a pessoa não é psicologicamente equilibrada, isso aparece imediatamente, e juízes de Varas de Família são calejados em reconhecer um caso e outro.

Esta é a minha visão da coisa, mas eu mesmo reconheço que ela é bastante radical e complicada para outras pessoas assumirem, mas é que quando foi a minha vez eu tive que radicalizar, mesmo, e sempre tenho em mente a frase de Abraham Lincoln, que dizia que “uma vez que nosso caso é inédito, devemos agir de maneira igualmente inédita.

Brigas de casais em momentos de separação ou por guarda de filhos não são inéditas, mas “uma vez que nosso caso é radical, devemos agir de maneira igualmente radical“, mesmo ficando dentro dos parâmetros aceitáveis da Justiça.


1 Comments Add Yours ↓

  1. picida ribeiro #
    1

    Separação e complicado, e acho que nunca há o melhor jeito. è sempre muito dificil. Fiquei separada por 40 dias e não me reestabeleci até agora. Quando há filhos, então…



Your Comment