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Era Uma Vez…

E os NATIVOS com MEDO

Na leitura da ZH de final de semana me chamou a atenção um tópico na coluna do Tulio Milman sobre a justiça ter dado ganho de causa a um motorista de aplicativo que se recusou a levar duas pessoas ao Campo da Tuca. Os viajantes, irmão e irmã chegaram ao Salgado Filho e pediram a corrida. Entraram na justiça reclamando que o motorista havia se recusado a levá-los baseado na aparência dos dois, a começar pela cor da pele. O motorista alegou que não iria ao Campo da Tuca por ser território de gangues e por já ter sido assaltado na região.

A Justiça concordou com ele.

E aí eu fiquei pensando que houve um tempo em que eu pegava o carro e andava em qualquer biboca da cidade sem medo, apenas para conhecer. Claro que uma das ideias era saber onde eu gostaria ou não de morar, onde gostaria ou não de voltar, mas era coisa que se fazia sem susto. Hoje em dia Porto Alegre estás virada numa terra de ninguém, ou melhor, em alguns determinados espaços se sabe muito bem quem é o dono da terra, e a situação persiste a despeito dos esforços do poder público.

Agora foi aprovada uma lei estadual (eu acho) que concede isenções fiscais a empresas que contribuírem com a compra de armas, munição, coletes e viaturas para reforço policial. Já há um grupo de empresários engajados para isso.

E então eu fico pensando, é por essas e outras que coisas que queremos sair de Porto Alegre, porque a violência avança, e já chega em lugares que antes pareciam improváveis, aquém da periferia da cidade. Agora ela já chega através de pessoas que fazem ameaças a escolas, uma coisa impensável até pouco tempo. E há pessoas que parecem se divertir com isso, passando ameaças adiante, criando às vezes notícias falsas apenas para causar alvoroços.

Se estivesse no lugar do motorista de aplicativo eu também não quereria ir ao Campo da Tuca, nem à Vila Cruzeiro, nem em alguns dos outros lugares da cidade, com todo respeito às boas pessoas que lá habitam, por medo. Porque nem a cor da minha pele me protegeria da sanha criminosa que comanda as vidas de quem habita tais regiões.


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