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Férias à Vista

E a HORA de PARAR

A conta que se costuma fazer na véspera das férias é sempre das horas que restam a trabalhar.

Hoje é dia 5, tenho seis horas a cumprir; amanhã mais seis; na terça tenho folga; na quarta mais seis; na quinta folga; na sexta férias. Então, pegando domingo, segunda e quarta, seriam 18 horas me separando de um período de 20 dias para ficar com a minha mulher, ler, escrever, fazer exercícios, ver televisão (filmes e futebol), alguns deles hospedados em Nova Petrópolis.

Quando retornar já sei que algumas colegas (vejam bem, algumas, porque homens nunca fazem este tipo de pergunta) vão perguntar, e aí, como foi de férias, ou como foram as férias, e eu vou dar a resposta de sempre: curtas.

Outro dia uma pessoa fora do trabalho me disse que não sabia o que faria se lhe tirassem o trabalho; que ama o que faz e não poderia se imaginar sem isso. Eu falei que uma coisa era ser assim, retirada do trabalho, ou ter o trabalho retirado de si. Outra é a pessoa se planejar para parar de trabalhar. São situações completamente diferentes. Eu me planejei para parar de trabalhar sabendo o que gostaria de fazer depois disso, me enchendo de atividades que trouxessem, em primeiro lugar, sossego e paz de espírito.

Eu em parte já vivo assim, porque são poucas as pessoas que podem dizer que têm como uma de suas “preocupações” saber a escalação com que seu time vai entrar em campo, a cada três, quatro dias, e como vai ficar posicionado na tabela de classificação ao final de cada rodada.

A parte material da história compete a cada um fazer com que depois se possa viver tranquilo. Isso inclui ao longo da vida cuidados com a saúde e a evitação de gastos desnecessários, bem como a aquisição de hábitos que não sejam dispendiosos. Isso falando de pessoas comuns, como eu, que não sou celebridade, nem rico, mas que passo longe de ser pobre (ou pior, miserável).

A vida está ai para ser vivida, curtida, celebrada como um fim em si. A alternativa é uma coisa que maioria de nós não quer. A vida não necessariamente precisa ter badalação, ostentação e bagagem a ser mostrada aos outros para ser vivida. As férias são, para mim, exatamente como vejo que será a aposentadoria definitiva. Um período de sossego, de celebração da vida pelo fato de estar vivo, sem dores, sem achaques, sem depender de ninguém a não ser de mim mesmo, digamos assim.

Uma outra coisa que ajuda é ter consciência de que nem sempre será assim. Vai chegar o dia em que não vou poder mais me coordenar sozinho. Também para essa ocasião a pessoa tem que estar psicologicamente preparada. Com certeza isso não se faz pensando em trabalhar até cair morto, o que na maior parte dos casos é impossível de acontecer. Em geral, a pessoa será convidada a se retirar do cenário funcional antes de chegar neste ponto.

E aí, sem estar preparada, porque nunca pensou nisso, como é que fica?


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