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Foi de Bandeja

A VIDA COM os FILHOS

Em atenção à singela menção honrosa que a Picida fez em seu blog a respeito de eu ter criado os filhos (ele completará 24 em junho, ela completou 21 na semana passada), quero dizer que a única parte da história que não foi natural foi o fato de a mãe deles ter entrado na Justiça espontaneamente para me passar a guarda.

Não quero e nem vou entrar no mérito dos motivos reais que a levaram a fazer isso, mas as alegações que aparecerem no processo podem ser anlisadas, porque eu imagino que deva haver, sim, alguma diferença entre os aspectos reais da decisão dela e os que ela alegou apenas para poder justificar judicialmente a atitude.

De qualquer maneira, para mim, nada poderia ter sido mais feliz, depois que tomei a decisão de me separar.

Para o casal que tem filhos e uma vida estruturada, o que normalmente conta para decidirem não se separar são a questão financeira (que acarreta a quebra da estrutura do padrão de vida) e a questão dos filhos (que vão sofrer com a quebra da estrutura familiar).

Se eu disser que não pensei nisso tudo quando comecei a cogitar em me separar definitivamente da mãe deles, partindo para o divório, estarei mentindo. Claro que pensei. Mas, como já disse a muitas pessoas, pela minha cabeça não passava a ideia de envelhecer ao lado de alguém com quem eu já não conseguia mais me acertar. Nem por causa da própria pessoa, nem por causa dos filhos. Muito menos por causa deles, pela simples razão de que eles não deveriam ser a causa de eu estar junto da mãe deles. Filhos são consequência do que faz um casal permanecer junto. É muito pior para eles, crescer assistindo e/ou escutando brigas entre os pais, do que nunca mais ver os dois juntos no mesmo ambiente.

Quando o que faz um casal permanecer junto desaparece, nada mais deve ser levado em consideração a não ser o bem estar fisico e a saúde mental dos formadores do casal. Saúde mental eu sempre tive, tanto que recebi a ideia de ficar com os filhos e criá-los sozinho de braços abertos, enquanto a outra parte alegava que o filho, àquela altura com 10 anos de idade, apresentava “desvios de comportamento“, os quais, se ainda não estivesse convencido de que nunca existiram, poderia estar procurando até hoje. Nunca os vi.

Tenho na família exemplo do que é normal acontecer, de pai que não dá muita bola para filho depois de separado, assim como tenho exemplo quase igual ao meu, com a diferença de que as mães não abriram mão da guarda, mas enfim, quando chegam ao meu conhecimento histórias de pais que não querem assumir os filhos, ou que os deixam para trás sem remorsos, para constituir novas famílias, ou que reconhecem os filhos, mas não se interessam por seu sustento, ou mal e mal querem saber de dar alguma ajuda mínima para que as mães os criem, é quando mais me sinto um E.T.; é quando mais o meu estômago se embrulha e dá vontade de vomitar.

Nunca passou pela minha cabeça ficar longe dos filhos, se bem que a separação da mãe deles me obrigaria a isso, haveria limites, e eu teria sido uma pessoa muito infeliz se tivesse que acompanhar o crescimento deles de longe, mas uma coisa que também sempre me passou pela cabeça foi a ideia de que os filhos cresceriam, bateriam as asas, iriam embora, e ficaríamos, a mãe deles e eu, com as vidas desperdiçadas, envelhecidos, sem chances de recuperar, no mínimo, a paz de espírito abandonada após longos e longos anos de convívio destrutivo.

Eu, não. Negativo.

Por isso, num primeiro momento, usando de uma estratégia contra a qual nenhum ser humano resiste, a de provocar um pouco para que a pessoa insista na sua intenção, forcei a barra para que a mãe deles efetivamente levasse a cabo a passagem da guarda, e tratei de fazer logo um acordo, para que ela não tivesse tempo de mudar de ideia, e peguei os dois correndo, mesmo estando com uma mão na frente e outra atrás, sem patrimônio, sem nada, tendo que recomeçar tudo de novo, mas nada me deu mais felicidade.

Claro que ela deu pensão, o que acontece até hoje, mas o caso é que ela fez o que nenhuma mãe normal faria, e dentre todas as com quem conversei até hoje apenas uma me disse que seria capaz de largar tudo, inclusive filhos, para viver uma nova vida.  

Foi um lance de sorte, meu, ela ter feito isso.

E a meu juízo, minha atitude foi absolutamente normal, sem nada de mais. Anormais são as reações de quem não assume a paternidade como um presente divino.


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