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Lições do Tempo

MEDO e CERTEZA

Palavras do meu irmão, em comentário sobre um post anteriormente publicado (Duas Frentes): sobre o medo só se constrói mais medo. Pelo menos na vida real, medo demais, penso eu, prostra, acovarda, retrai.

Está coberto de razão. Passei uns dias pensando nisso, e depois me ocorreu que não é só o medo que assusta.

O certo pelo duvidoso também. Especialmente quando o certo não se faz tão evidente, fica se amarrando, no ar, movido pelo medo enquanto o tempo passa. Fica também no ar uma perspectiva de que o certo algum dia se concretize, mas enquanto ele sucumbe ao medo de se mostrar há uma oura perspectiva de que algum dia o duvidoso poderá se apresentar e se tornar o certo.

Significa dizer que enquanto um não se apresenta, talvez  por medo de se concretizar, e por isso não vive o agora, o outro não passa de uma expectativa de algo que pode num futuro remoto não só aparecer (para começar), como pode ou não se realizar, e aí não se vai nem para a  frente, nem para trás.

Neste ponto fiquei pensando que uma das grandes vantagens da passagem do tempo na experiência de vida é o fato de que a gente aprende a administrar a expectativa do certo que não se apresenta quando poderia, e a visualizar o duvidoso como algo que é exatamente isso, uma coisa duvidosa, portanto, imerecedora de preocupação.

Uma tal capacidade é tão eliminadora de sofrimento que me surpreende o fato de que tanta gente não sabe o que fazer nessa situação, mesmo depois de atingir uma certa idade. Quando se é jovem é natural não saber, mas depois que o tempo passa as lições da vida nos dão tudo que precisamos saber para tocar as vida sem sofrimento, apesar da relutância do certo.

E não podemos esquecer: muita gente interpreta o certo como duvidoso, e é o medo que faz isso. Exatamente como meu irmão disse que acontece. O medo paralisa. Faz a pessoa desacreditar no certo e pensar nele como duvidoso. Em vários casos este tipo de confusão pode fazer com que a pessoa interprete o duvidoso como certo, utilizando o medo como um protelador da ação concreta.

Quando isso acontece o fracasso do duvidoso frustra, mas a frustração em vez de ensinar a pessoa a se direcionar para o certo, ensina a direcionar para o medo. E este, por sua vez, faz o que a gente já sabe: empurra a ideia do certo mais para lá, induzindo a pessoa a vê-lo como duvidoso. Aprender a administrar a expectativa do certo torna mais fácil tomar decisões. É mais fácil ter paciência de esperar que o certo se concretize. Dá liberdade para tocar a vida com a certeza de que nossa autoestima e amor próprio não serão afetados pela perspectiva do duvidoso que pode ou não acontecer e nem pela demora do certo a se apresentar.


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