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Nem Brincando

 SÓ POR NECESSIDADE

Eles (o poder público) querem que a gente deixe o carro em casa. É uma pretensão que eu não consigo entender. Totalmente sem sentido. Por que uma pessoa em sã consciência cometeria uma tal insanidade? Todo mundo (até quem não tem carro) sabe a diferença entre uma coisa e outra. E eu tenho certeza absoluta de que quem anda de ônibus todos os dias, independente da linha, gostaria de estar fazendo aquele trajeto em um veículo particular.

Os usuários atualmente eventuais, como eu, ainda poderiam até se iludir se, numa eventualidade como hoje, por acaso caísse em alguma fenda espacial que o surpreendesse e naquele dia tivesse a sorte de utilizar um serviço de qualidade razoável. Mas já que em todas as ocasiões aleatórias o que se vê é sempre a mesma coisa, mais reforçada fica a minha ideia de que não dá para usar o transporte público em Porto Alegre. E o pior é que só usei ônibus da empresa da Prefeitura.

Começou na ida: o T-7 demorou tanto a aparecer na parada, no horário das 13 horas, que quando apareceu era um, eram dois, juntos. Claro que o da frente era o que parava, lotando de passageiros, enquanto o outro ia embora. Impossível saber qual dos dois estava ou atrasado ou adiantado, e a cara de poucos amigos da cobradora não recomendava que se perguntasse.

Na volta, podia pegar duas linhas, mas tive o azar de que passaram ônibus das duas quando eu ainda estava preso no sinal do outro lado da avenida. Uma era o T-7 e a outra era a 492, Sesc Petrópolis, de empresa privada.

Enquanto algumas linhas, inclusive algumas da prefeitura e outras da mesma empresa da 492 passavam mais de uma vez pela parada (e é sempre assim, aquelas que não nos servem parecem sempre funcionar melhor), nada de outro Sesc e levou 22 minutos para que outro T-7 surgisse no horizonte.

Como era de se esperar, metade do povo que estava na parada queria aquela linha. E desta vez só veio um. Pela quantidade de pessoas em seu interior ficou óbvio que o fenômeno da superpopulação estava acontecendo nas paradas anteriores à em que eu embarquei, e pior, se repetiu nas seguintes: o cobrador com toda paciência orientando os animais a dar um passinho mais para o fundo, e toque-lhe botar gente pela porta da frente. Cabe aqui o clichê de que qualquer lata de sardinha tem mas espaço do que o que havia naquele ônibus.

Para completar: pelo que entendi de conversas entre passageiros e por uma discussão entre uma moça que viajava de pé e um brigadiano sentado no banco do fundão, havia uma integrante de quadrilha de batedores de carteira, já conhecida dos passageiros (mas não do policial militar), que desceu na parada do Campus Central, da UFRGS.

Então é para isso que eles querem que a gente deixe o carro em casa? Horários descumpridos, intervalo grande demais entre um horário e outro, superpopulação e batedores de carteira dentro dos coletivos.

É mole?

Se nem a empresa do poder público escapa dessa safadeza geral, que dirá as outras. Isso, para nem falar que o público fica sem ter para quem reclamar, com um exemplo desses.


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