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Nem Um, Nem Outro

PELO CONTRÁRIO

Em tempos de campanha eleitoral acirrada muito se tem falado nos discursos de ódio de um dos candidatos ao Palácio do Planalto, que geraram manifestações idênticas (ou até muito piores, haja visto as agressões físicas e assassinatos que tiveram por base aqueles discursos) por parte de pessoas que são no mínimo despreparadas para o convívio democrático em sociedade. No dia de ontem li um artigo não lembro de quem na ZH, que escreveu que amor e ódio são sentimentos opostos.

Sempre que leio ou escuto isso, me vem à mente a ideia de que não são.

Penso em amor e ódio como emoções paralelas que andam lado a lado. Me vem à mente o conceito de indiferença como oposto dos dois sentimentos. Se eu for indiferente ao ódio, não quer dizer que esteja amando. Se for indiferente a amor não quer dizer que esteja odiando. Simplesmente significa, isso sim, que não ligo nem para um, nem para outro. Todos nós somos várias e várias vezes indiferentes tanto para com um quanto para com o outro.

Ser indiferente ao amor pode significar tanto a perda de algumas oportunidades de ouro quanto nos livrar de grandes encrencas na vida. Ser indiferente ao ódio me parece uma boa ideia em todos os sentidos. Se lhe sou indiferente, não lhe dou ouvidos, para começar. Não permito que ele determine de quem devo ou não gostar. Ao não dar ouvidos ao ódio não preciso reagir a ele, não deixo que ele decida como devo me sentir em quaisquer circunstâncias, não preciso escolher inimigos.

Se eu odiar quem me faça mal estarei cedendo meu controle emocional a outra pessoa, em vez de decidir como devo me sentir. A ausência de ódio contra quem me faça mal vai permitir que eu de cabeça fria possa estabelecer estratégias eficazes de defesa, sem a cegueira que pode me levar a me tornar igual à pessoa. Estou tratando com indiferença todos os  discursos de ódio que tentam me convencer de que estou cercado de inimigos, de lado a lado.

Não estou.

Admito que possa vir a estar cercado de pessoas que pensam diferente de mim e que em alguns casos podem não perceber que se tornaram odientas. É diferente. Mas eu não me meto em política.


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