RSS

O Processo

COM UMA BRINCADEIRA EMBUTIDA

Hoje o dia tem sol. Parece que ele vai ficar visível durante vários dias. Ao mesmo tempo em que estará à vista, não vai esquentar muito. Há uma massa de ar polar. Temperaturas em queda. Já fui olhar as camisetas de mangas compridas. Serão necessárias para os começos de manhã gelados. Nas saídas dos começos de tarde nem tanto. Vou ter que comprar mais.

Meu processo para lidar com roupas exige que haja uma quantidade de pelo menos o dobro das que hoje estão no armário. Hoje são onze. Preciso de vinte e duas. Pelo menos. Porque eu tiro uma peça, uso, ela vai para o cesto de roupa suja. Digamos que isso aconteça numa segunda-feira e neste dia eu faça uma lavagem. As lavagens são sempre feitas à note, bem como o recolhimento da roupa seca na corda, pela singela razão de que bate sol na máquina de lavar, na posição (a única possível) dela na área de serviço. Então eu a blindo desse desconforto. Fica protegida pelas toalhas e lençóis e não trabalha de dia.

Mas então, avançando.

Aquela camiseta vai para a o cesto da roupa para lavar no dia da lavagem (dia 1). As lavagens acontecem a cada dois dias em média. No verão é isso, mas no inverno (ou no frio) posso precisar de um dia a mais. As janelas sempre têm frestas, para circulação de ar, mesmo no frio, e no quarto onde está o secador de chão a fresta vai direto na roupa a secar. Facilita. Mas lavagens dependem de o cesto de roupas estar lotado.

Depois da lavada, a roupa que está no cesto vai para a máquina. O tambor fica lotado, mas o cesto pode ficar vazio. Até encher de novo pode levar mais do que dois ou três dias. Para efeitos de cálculo, vou contar como três dias. Então, por esta conta, a próxima lavada acontecerá na sexta (dia 4). Só que entre a segunda e a sexta eu já usei três camisetas de mangas compridas (contando que seja uma semana em que não tenha me aventurado a viajar na terça; na folga de quinta prefiro ficar de molho em casa). Uma segunda, uma na quarta e uma na sexta. Então, de onze restam oito na pilha. Eu lavo na sexta a camiseta usada no dia 1. Próxima lavada, terça-feira (dia 8) Mas antes disso usei mais três camisetas, uma no sábado, uma no domingo e uma na segunda. De oito, ficaram cinco. A roupa lavada no dia 4 vai para a estante da sala onde eu deixo a roupa lavada para dobrar.

Abre parênteses.

Por uma questão de espaço nas gavetas e nos nichos específicos, panos de prato, toalhas de rosto e de banho, ceroulas, etc., têm que obrigatoriamente estar circulando, porque não cabem todas as peças nos lugares. Então tem que ter uma parte na gaveta, uma parte na corda, uma parte no cesto do banheiro, uma parte na trouxa de roupa lavada dentro da estante, e eu só dobro e guardo uma trouxa de cada vez, no dia da lavagem. E as trouxas, que eu digo, são as roupas recolhidas envoltas ou por um lençol de cima, ou um de baixo, que são lavados um de cada vez, com esta finalidade específica.

Fecha parênteses.

Então, a camiseta que foi lavada no dia 1, uma semana depois, no dia 7, foi para a estante. A próxima lavada será no dia 8. Haverá uma camiseta em uso na quarta (dia 9 supondo que eu de novo não tenha viajado na terça). Ficam quatro na pilha. Depois de terça a próxima lavada será no domingo (dia 12). Já terei usado mais duas camisetas, sexta e sábado. Ficaram duas na pilha, que serão usadas no domingo e na segunda. A camiseta do dia 1 está na terceira trouxa (esqueci de mencionar, mas no espaço da estante reservado para isso cabem três bolos de roupas).

Ou seja, na terceira segunda-feira aquela primeira camiseta ainda estará em trânsito, faltando pelo menos mais seis dias para ser dobrada (e quando dobrada ela vai para a parte de baixo da pilha e fica subindo até ser a primeira, quando então será novamente usada), e eu já não terei nenhuma na pilha do armário.

Significa, então, que por se tratar ao mesmo tempo de uma coisa séria e uma brincadeira, será necessário pelo menos dobrar o número de camisetas, porque no meio disso não posso descartar totalmente a possibilidade de viagem. O que eu também acho que não vale a pena é usar muito seguidamente as mesmas peças de roupa porque o desgaste com as lavagens será maior, e daqui a pouco estarei tendo que comprar de novo.

Este é o legítimo caso que comprova que mais é menos. É por causa deste raciocínio que tenho camisetas de mangas curtas completando de dez a quinze anos de uso. E ainda vai chegar uma época em que não vou mais estar trabalhando e a média de utilização vai cair ainda mais.

Preocupações eliminadas desde já.


Your Comment