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O Saber Tranquilo

“A maneira de mudar a mentalidade dos outros é com carinho e não com raiva.” – Dalai Lama

ESCAPANDO da ARMADILHA

Bueno.

As únicas situações em que consigo conceber a ideia de querer mudar o pensamento de alguém é quando a pessoa poderá causar algum dano físico ou psicológico a si mesma ou a outrém. A maioria das discussões neste sentido se dá pelo fato de alguém querer ter mais razão do que o outro, e muitas vezes quem tem razão tenta dissuadir a outra pessoa utilizando o método errado. Eventualmente, os dois lados de uma discussão podem estar certos, mas é grande a dificuldade de um lado enxergar as razões do outro, e quanto maior a dificuldade, maior a animosidade, maior a resistência.

O Dalai Lama não está errado na questão do carinho, mas no meio de uma qualquer discussão acalorada é sempre muito difícil pensar em demonstrar carinho pela outra parte, porém é sempre possível demonstrar carinho por si mesmo a qualquer momento. Mas como é que se faz isso? Como se pode pensar nisso naquela hora em que a temperatura da argumentação parece prestes a estourar a capacidade do termômetro da alteração de ânimos?

Bom.

A resposta, como sempre, está no objetivo aonde queremos chegar. A menos que eu mesmo me incapacite de pensar, sempre posso raciocinar em termos de o que eu quero para mim mesmo naquele momento. Aqui eu não quero me colocar numa situação de estresse. Quando entrei nessa discussão comecei a me permitir parar de pensar e entrar no jogo de provocação da outra pessoa. Estou com grande dificuldade de me acalmar contando até 10. Vou precisar contar até 100. Vou me fazer um carinho, agora. Em vez de ficar pensando no que quero dizer, vou escutar o que a outra parte está falando. Vou me desligar das minhas razões. Vou fazer com que eu entenda o raciocínio da outra pessoa. Mesmo que daqui a um minuto eu esqueça o que ela disse. Mesmo que ela não tenha razão nenhuma.

Se eu estou certo, vou me acarinhar usando calmamente meus argumentos, e com isso pacificar a minha mente. Meu poder está  na minha tranquila convicção de estar com a razão, ou ao menos apenas parcialmente errado. Conheço e reconheço os momentos em que meu sangue vai começar a ferver. É quando mais tenho que pensar que já sei como aquilo poderá terminar. A perda de tempo de tentar convencer alguém que levantou barreiras intransponíveis, pelo menos com uma discussão acalorada.

Sempre posso pensar diferente e fazer um carinho em mim mesmo. Isso pode tornar menos impossível controlar a raiva, que, afinal, não leva a nada.

XADREZ (52)


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