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Passo Um

No QUE ACREDITAR?

Todo mundo sabe que todo mundo tem um determinado sistema de crenças e que este sistema traz consequências dos mais variados tipos de resultados. O que nos permite compreender se aquilo em que acreditamos (que é o que serve de base para o modo como agimos) é bom ou ruim são os resultados que obtemos. Não tem como fugir disso. Para as pessoas dominadas pela influência do ego, admitir que seus resultados não são bons, e ir além, admitir que precisam mudar alguma coisa em sua forma de pensar, é um desafio muito grande, quando não insuperável.

Toda necessidade de mudança, toda ação que efetivamente se queira executar com relação à mudança de pensamento e portanto de comportamentos com vistas a obter uma mudança de resultados passa por uma alteração no sistema de crenças, e para que esta alteração realmente aconteça é preciso dar um pequeno passo (que para muitas pessoas pode parecer impossível): é preciso acreditar que pode começar a pensar de um jeito diferente.

Meu caro amigo aposentado encalacrado em dívidas, ou amigo encalacrado em dívidas que ainda não se aposentou, não importa. É com você que estou falando. O foco não está na aposentadoria, mas na dificuldade financeira.

Veja o meu caso: eu trabalhava e recebia pensão alimentícia por ter a guarda dos filhos. Fazia horas extras em todas as oportunidades possíveis, incluindo Natal e Ano Novo, datas em que se faz festa na madrugada, e ia direto para o trabalho. Podia tirar empréstimo em 10x pela Fundação da empresa, renovável quando da quitação da 6ª parcela, para nem falar nos empréstimos que podia tirar pela Associação de Funcionários.

Tudo isso descontado em folha. E estava sempre mal de dinheiro.

Uma boa parte das dívidas eu inconscientemente sabia que tinha a ver com a emoção de culpa por ter separado a família. Depois de uma certa idade meus filhos nunca mais viram o pai e a mãe no mesmo ambiente (coisa rara entre 1993 e 2013, e que provavelmente vai demorar outro tanto para acontecer), e isso pesava.

Então eu compensava esta questão emocional tentando proporcionar a eles tudo que me fosse possível, especialmente nas listas de Natal, em que cada um fazia seus pedidos e ganhavam tudo que estava na lista, sem exceção, até porque nunca pediram nada absurdo, mesmo que depois o pedido atendido ficasse atirado ou jamais fosse usado. Eles nem lembram mais disso.

A questão, então, passa a ser que em primeiro lugar é preciso identificar onde está o foco do problema emocional que nos faz gastar demais. Qual a compensação que estamos tentando estabelecer (até para nós mesmos) ao sucumbir aos apelos do consumo, e depois eliminá-lo.

Sempre que se fala nisso a primeira reação das pessoas é vir com um “eu não consigo“. Mas não é que a pessoa não consiga, ela não quer ter que fazer o esforço de mudar de pensamento, porque dá trabalho; é mais fácil continuar pensando e agindo do jeito de sempre, porque ela já sabe o que esperar.

Se agarrar ao conhecido não dá trabalho, mesmo que os resultados dessa (in)ação sejam desastrosos. Até eu pensei assim por muitos anos. A gente bota na cabeça o pensamento de não consigo, de quando vejo já fiz, eu gosto disso, gosto daquilo, e os piores pensamentos, eu preciso, eu mereço ter isso ou aquilo. E assim a pessoa mergulha na areia movediça do desespero financeiro.

Junte-se a isso a infame comparação com familiares, vizinho, colegas de trabalho, se eles têm então eu também tenho que ter, e aí me enterro até a testa muitas vezes pensando que os outros estão em situação melhor, e quantas e quantas vezes o outro pode estar mergulhado em dívidas por causa do mesmo tipo de pensamento?

Em uma próxima postagem vamos chegar a um ponto crucial dessa história toda: aquele momento em que a pessoa decide dar um basta na situação e passa a acreditar que pode começar a pensar de um jeito diferente. Como já escrevi em posts anteriores, não existe solução milagrosa (e isso também contribui para o espírito de não-mudança). Existe foco e disciplina.

E depois a pessoa acaba descobrindo que também existe gratidão.


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