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Pensando Leve

REMOVENDO OBSTÁCULOS

Bom, então entrando de novo no campo da filosofia: toda e qualquer mudança pessoal tem dois ingredientes básicos.

Um deles é a ausência de facilidade para mudar, porque é um processo que envolve mudança de crenças, e em qualquer idade da vida uma crença, seja ela qual for, já está enraizada na pessoa. Arrancá-la de dentro da nossa cabeça não é nada fácil. O outro ingrediente básico da mudança é a possibilidade de mudar, o que também envolve o sistema de crenças da pessoa. Ou seja, nenhuma mudança pessoal é fácil, mas toda e qualquer mudança é possível, desde que se acredite na própria capacidade de mudança.

O meu processo básico de mudança levou algo em torno de dez anos. E não foi por ter começado e recomeçado várias vezes, foi porque o processo é assim mesmo. Quanto mais tarde na vida decidirmos mudar, tanto mais tempo a mudança leva para acontecer. Isso é simples de entender.

Uma das perguntas que a pessoa deveria se fazer, quando se trata de qualidade de vida, é sobre qualidade de que tipo a pessoa quer para si. Não existe resposta genérica para isso, a resposta é pessoal. Cada um tem um conceito muito próprio sobre o que qualidade de vida significa.

Para mim, sempre representou envelhecer com domínio total das minhas faculdades mentais e físicas, que acredito seja o desejo de todo mundo, mas que nem todo mundo se esforça para alcançar. É o raciocínio da pessoa que acha que ter um objetivo na vida significa trabalhar até cair morto. Isso não funciona para mim.

Meu foco sempre foi o da eliminação das preocupações e eliminação do sofrimento. O sofrimento a gente elimina de várias maneiras, começando pela aceitação da imperfeição humana. A única expectativa que se pode ter em relação às pessoas (e nunca erramos ao pensar assim) é de que sejam imperfeitas. Neste quesito não decepcionamos ninguém, e ninguém, também, nos decepciona.

Por incrível que pareça, a eliminação das preocupações é bem mais difícil. O ser humano é pródigo em inventar motivos parasse preocupar, e paupérrimo em desenvolver meios de não se preocupar. Vou repetir: eliminar preocupações é um processo que envolve mudança pessoal, ou seja, envolve mudança no sistema de crenças da pessoa.

Se eu mudei algumas crenças pessoais para eliminar preocupações e sofrimentos? Sem dúvida.

Anos atrás criei para mim um guiazinho de três passos para solucionar problemas e eliminar a preocupação. Recapitulando, 1: estabelecer uma prioridade para a resolução de problemas que dependam exclusivamente de mim; 2: estabelecer uma prioridade para a resolução de problemas que não dependam apenas de mim; 3: nenhum problema é maior do que eu.

Outro dia lendo a coluna do Tulio Milman na Zero Hora vi uma coisa que resumiu ainda mais a minha tríade. Um líder hindu (ou algo assim) questionado sobre sua paz interior deu duas dicas: (a) se preocupe apenas com grandes problemas; (b) todos os problemas são pequenos.

Uma outra coisa que ajuda a não sofrer nem se preocupar demais é a frase que diz que “o que não tem remédio, remediado está“.

E, claro, tem o que aprendi com meu eterno guru, Dr. Wayne Dyer: se aquilo com que me preocupo realmente acontecer, então todo volume de preocupação não adiantou, porque não evitou que acontecesse. Se não acontecer a preocupação foi em vão, desperdício de energia. Preocupação, mesmo, só com o que eu posso resolver, ou seja, apenas com o que depende só de mim.

Isso é qualidade de vida.


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