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Perdeu a Graça

PARA SEMPRE, NÃO

Entre os livros da pilha que está ao sobre a mesa ao lado do PC da sala de casa estava A Ponte Para o Sempre, de Richard Bach. Um livro que já li pelo menos umas quatro vezes, e que desta vez queria marcar as passagens mais interessantes.

Para quem ainda não o conhece, trata-se de um semibiográfico texto escrito pelo autor de Fernão Capelo Gaivota, Ilusões e outros, onde ele conta uma parte de sua vida em que estava à procura de sua alma gêmea, que depois julgou ele haver encontrado em sua grande amiga, a atriz Leslie Parrish, com quem, afinal, se casou.

O problema, para mim, é que a história de A Ponte Para o Sempre sempre deu a ideia de uma coisa na qual até eu acredito, mas não vivi, que é a eternidade do amor e do casamento. Ao ler a história do livro, a sensação que se tem é de que o relacionamento dos dois, pelo jeito como começou, seria mesmo para sempre. E o que se sabe é que Bach e Parrish se divorciaram em 1999, depois de 21 anos de casados. Digo que é o que se sabe, mas eu só soube na semana passada, e por acaso.

Como estava lendo o livro, resolvi procurar no Google imagens da Leslie, porque, afinal, se ela era atriz eu deveria conhecer. Encontrei muito material a respeito, incluindo uma carta por ela escrita para Richard em 1999, quando de sua decisão de se separar dele. E aí eu pensei que sou mais romântico do que pensava (ou sei lá se é isso), porque ao ler o texto dela na íntegra, ao saber do sofrimento que aquela mulher passou ao lado dele, fiquei tão decepcionado que não consegui mais ler o livro e até o tirei da pilha.

Resumindo: ao que entendi, Richard Bach é um sujeito que tem problemas com intimidade. Enquanto Leslie Parrish esperava que houvessem momentos em que passariam algum tempo juntos, quando os compromissos de trabalho de ambos lhes permitissem, ele dava um jeito de se afastar e depois promovia algo do tipo um recomeço, com a finalidade aparente de não deixar que se perdesse aquele encantamento do início do relacionamento.

Para Parrish, a ideia era a de que o casal tinha condições de crescerem juntos com a intimidade e a passagem do tempo; para Bach a ideia de proximidade parecia ser o caminho para o desinteresse, e assim ele fugia. Sintomático é o trecho da carta em que Leslie expressa a tristeza de estarem “longe e apartados e juntos e apartados“.

Comparando com a história de Tristão e Isolda, Richard Bach parecia estar sempre mais voltado para a anima, ou seja, suas expectativas sobre como a mulher ou o relacionamento deveriam ser, e fazia de tudo para não perder aquela ilusão sem se importar muito com o que Leslie sentia, o que, afinal, até pode atestar que se trata de uma personalidade narcisista.

Para mim, foi uma decepção pelo fato de que o encontro dos dois, narrado n’A Ponte, foi uma situação bem legal, que até dava, mesmo, a impressão de que o amor poderia dar certo para sempre.


2 Comments Add Yours ↓

  1. Mara #
    1

    Pensei o mesmo que vc, mas não sabia da carta

  2. Hoveli #
    2

    … até estranha essa postagem/texto da sempre MARJORIE HELLEN _ ou LESLIE PARRISH!
    Uma atriz até lembrada por muitos; um de seus últimos trabalhos foi em A INVASÃO DAS ARANHAS GIGANTES – até um desperdício mesmo.
    Sei que vive na capital americana. Com mais de 80.
    Até lembra, quando jovem: as tais vedetes do AS CERTINHAS DO LALAU.



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