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Pés no Chão

PARA 2019

Desde muito tempo se tem por costume (para a maioria das pessoas) fazer promessas de final de ano, geralmente se colocando metas para o ano seguinte. Acho que a última vez em que fiz algo parecido foi em 1999 (e nem foi bem, bem, no final do ano), quando fiz planos para 20 anos, ou seja, sequer foi uma promessa.

Geralmente o que é prometido tem caráter de melhoria, digamos assim. Todo mundo (ou quase todo mundo) tem como projeto pessoal se tornar uma pessoa melhor. Isso pode significar infinitas possibilidades, mas também acontece de muitas dessas expectativas serem criadas para objetivos difíceis (e em alguns casos impossíveis) de alcançar, dependendo de cada um.

Na coluna da ZH deste final de semana o psicólogo Mário Corso deu um exemplo típico e uma sugestão razoável: em vez de a pessoa prometer perder 20 quilos em 2019, ela pode prometer se esforçar para mudar a alimentação. Eu acrescentaria “e alguns hábitos nocivos“, como o sedentarismo. Mas este é apenas um exemplo.

A reflexão sobre me tornar uma pessoa melhor (mesmo que minhas dificuldades neste sentido sejam reconhecidamente imensas) fica martelando o tempo todo na cabeça, e mesmo assim as dificuldades são enormes. Para quase tudo poderia ser aplicado o método usado pelos AA. Posso prometer tentar melhorar como pessoa um dia de cada vez. Uma meta de curto prazo. Este tipo de expectativa a longo prazo tende a se perder nos labirintos da correria do dia a dia. Pode-se não chegar a lugar algum (e eu sei que é isso que tem acontecido comigo).

No curto (ou curtíssimo) prazo de um dia de cada vez a empreitada pode vir a se tornar mais fácil.

Cabe ressaltar, entretanto, que promessas (ou expectativas) assim formuladas, a meu juízo, são compromissos pessoais, o que significa dizer que quando estabelecidas as metas o resgate é comigo mesmo, e não com outras pessoas.

Tenho que dar satisfações a mim mesmo, preciso agir de acordo com a intenção da formulação, porque eu preciso ver os resultados. Aí entra a questão de a gente se conhecer e saber se tem ou não capacidade de fazer o que for preciso para alcançar o objetivo – (detalhe) – por mais que sua execução eventualmente possa nos causar dor (muitas vezes psicológica).

O meu, de me tornar uma pessoa melhor, é um objetivo razoável. Ainda assim, por causa de inúmeras inadequações pessoais (de pensamento, principalmente), não vem sendo tarefa fácil apesar do esforço que procuro (ou penso que esteja procurando) fazer.

Então, se alguém me perguntasse alguma coisa sobre promessas para o Ano Novo, eu diria que as promessas podem ser de qualquer tipo, mas que sejam pequenas, para que pelo menos tenham possibilidade de serem remotamente executáveis.


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