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Prerrogativa Pessoal

QUESTÃO de ESCOLHA

O coração na maioria das vezes vê e sente apenas o que quer ver e sentir. É nisso que a maioria das pessoas acredita. Eu não acredito nisso. Como bom andarilho de contramão na vida, acho que o coração não vê nada, não sente nada que primeiro não tenha passado pelos olhos e depois pelo cérebro. O que nossos olhos vêem pode nos encantar, comover ou irritar, e isso manda um comando para o cérebro, que manda um comando para o coração. A gente não costuma pensar nisso, mas esta comunicação é praticamente instantânea, mais rápida que a velocidade da luz.

É tão rápido que é quase como se pensamento e sentimento fossem uma coisa só, e eu não duvido que sejam. Por isso tantas e tantas vezes na vida agimos ou reagimos de maneiras que depois a gente diz que “foi sem pensar“. Não foi sem pensar. Foi pensado muito rápido. E a resposta emocional foi imediata. Tão imediata que pareceu uma coisa só. E só depois disso é que começamos a sentir sensações de desconforto, especialmente quando o pensamento e o sentimento nos fizeram agir ou reagir naquilo que se convencionou chamar de impulso. Até o impulso foi pensado numa fração infinitesimal de segundo, numa velocidade acima da da luz.

Agir por impulso ou não ter tempo de resistir quando pensamento e sentimento trabalham como se fossem um só até não é o problema. O maior problema é quando no momento seguinte sentimos aquela sensação de desconforto e não damos o braço a torcer, em geral, com receio do que os outros vão pensar. E isso é ainda mais evidente e frequente quando estamos na presença de estranhos (entenda-se, vendedores). Eu não vejo problema nenhum em voltar atrás numa decisão de compra que no momento seguinte ao que foi tomada eu sentir um certo desconforto.

Não é quem está vendendo que vai pagar a conta.

E depois que eu sair da loja a pessoa não vai se lembrar mais da minha cara. Daqui a um mês eu volto lá e a pessoa (se ainda estiver por lá) não vai se lembrar. Isso vale para restaurantes, postos de gasolina, qualquer tipo de comércio que seja bastante movimentado e/ou ponto de passagem turística ou de beira de estrada. Ah, mas se eu morar numa cidade pequena, como é que fica? Permanece a questão de quem paga a conta.

E quando se trata de pessoas? O Dyer dizia que pessoas decepcionam e continuarão decepcionando até que cresçam dentes em galinhas. Talvez não seja o caso, mas de todas as pessoas do mundo que você não pode decepcionar a primeira delas é você mesmo.

É um conceito que cai de maduro, mas que não é todo mundo que lembra, ou pratica, o que é estranho, porque vivemos uma época em que as pessoas estão muito individualistas, briguentas e se achando donas da razão em tudo. Então como é que pessoas nessa condição podem se sentir constrangidas em voltar atrás em situações em que sua intuição lhes diz que estão cometendo um equívoco? A resposta é óbvia: é o ego tentando disfarçar sua insegurança. O ego é a pessoa. 

A pessoa insegura não volta atrás porque não tem certeza do que pensa e sente. São dois extremos: ou ela não tem certeza e por isso disfarça não demonstrando, não dando o braço a torcer para não parecer fraca, ou tem tanta certeza que fica cega e não enxerga que possa estar errada, ou equivocada. Em todas estas situações temo o ego falando mais alto na sua luta por sobrevivência.

E é talvez por isso que muitas pessoas não alcancem seus objetivos, não melhorem de vida, não levem vidas mais tranquilas: não entendem que emanam para o universo o que sentem, e o que sentem vem do que pensam. Só mudando a maneira de pensar vão conseguir emanar sentimentos diferentes, enviando ao universo mensagens diferentes e recebendo de volta respostas diferentes.

Quando isso vai começar, depende de cada um.


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