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Quase Lá

DECISÃO à VISTA

Estava mais uma vez pensando no samba de Chico Buarque, Vai Trabalhar, Vagabundo, em que ele canta que Deus permite a todo mundo uma loucura.

Se é mesmo assim, que Deus permite a todo mundo uma loucura, qual terá sido a minha (considerando que já a tenha cometido)?

Se for olhar para trás, casar, descasar, essas coisas com as quais sempre brinquei, não são loucura, são o caminho de vida do brasileiro médio. Depois do casamento, tudo mais que aconteceu pode ser enquadrado no conceito de uma relativa normalidade. Há detalhes que não merecem ser abordados, mas que também não chegam a se caracterizar em uma grande loucura, pelo menos não de minha parte.

Além disso, o conceito de loucura é muito particular: cada um sabe qual é a sua, não dá para generalizar. E se for parar para pensar, eu tenho várias, uma só não é suficiente para descrever a minha personalidade.

Minha mãe me disse, outro dia, que acha que em 2014, quando eu entrar no direito de aposentadoria, vou fazer isso mesmo, não vou continuar trabalhando, apesar de ter feito aquele plano de seguir até 2018, quando completar 60 anos de idade. Eu acho que ela só erra pelo fato de que a legislação está para mudar e talvez o Governo me obrigue a trabalhar até um pouco mais que isso.

Mas eu não descartaria a hipótese de parar de trabalhar em Janeiro de 2016 (considerando a legislação atual), logo depois que terminasse de pagar o meu ap. Para isso, ainda faltam 40 meses, mas vamos combinar que dias passam mais rapidamente que meses, então eu prefiro dizer que termino de pagar meu ap. daqui a 1229 dias, e tenho certeza de que isso será mais rápido do que meses.

Então, em 2016 duas coisas eu poderia fazer: parar de trabalhar, uma vez que a verba da prestação reverteria toda para mim, e eu passaria a viver só com a aposentadoria, o que para única pessoa seria um valor bem razoável, com ou sem fator previdenciário, ou então seguiria trabalhando sem ter que pagar para morar, o que com dois salários seria uma espécie de paraíso terrestre.

As duas alternativas são muito boas.

Hoje, enquanto passo muito tempo dentro de casa, penso no que para muita gente pode ser loucura, como, por exemplo, depois de  2014, com dois salários, sair do trabalho e não vir para casa direto, passear um dia em cada shopping, conhecer todas as novidades que serão criadas e instaladas antes e depois da Copa do Mundo, andar bastante por Porto Alegre (andar que eu digo não é a pé, falo em circular pela cidade, não contando em nenhum momento com o transporte público, porque nada me tira da cabeça que depois que os turistas forem embora o caos e o descaso voltarão a reinar no sistema, como é hoje), porque a cidade vai ficar muito diferente.

Depois de Janeiro de 2016, então, aí, sim, posso dizer que poderá vir a ser uma loucura (ou não, se eu parar de trabalhar). Por enquanto eu apenas exercito a imaginação.


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