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Quem Quer Ser Perfeito?

IMPORTANTE é QUE SEJA FEITO

Desde sempre venho tendo uma grande preocupação com o ser, em vez de com o ter.

Toda a grande ênfase do que de nós se espera como seres humanos é que sejamos isso mesmo, humanos, que nos preocupemos em chegar à perfeição, ou que tentemos sempre fazer o nosso melhor, quando então esquecemos que este tipo de busca também é daqueles que não tem fim, porque a perfeição humana não existe, e sendo assim nunca vamos chegar a lugar algum. É uma busca sem ponto de chegada.

E toda a vez que nos aperfeiçoamos como pessoas, logo ali em frente haverá um outro aspecto de nossa humanidade que vamos achar que precisa de aperfeiçoamento e assim a luta recomeça.

Depois de todos estes anos de vida tentando ser, agora quero ser alguém que quer ter.

Acho válida toda e qualquer aspiração que possa nos trazer conforto. Comodidade. E tudo que pudermos alcançar dentro de nossas posses que não seja através do prejuízo moral, espiritual ou material de alguma outra pessoa deve ser buscado. Esta também é uma busca que pode não ter fim, mas já que ao final se parece tanto com a busca pelo aperfeiçoamento pessoal, não vejo por que também não ter objetivos com relação a ela.

Uma palavra sobre perfeição.

A imperfeição humana sempre foi alegada como causa e justificativa para todos os erros que cometemos na vida. Naturalmente, equacionamos a perfeição como aquela coisa parecida com Deus, que tudo sabe, tudo vê e não erra nunca.

Não sei com relação a Deus, mas a perfeição humana completa seria uma coisa muito chata, se bem que muito mais segura, mais tranquila e muito mais confiável. Entretanto, para não deixar de polemizar um pouco, sabemos (todo mundo sabe) que a perfeição humana existe. Só que ninguém pensa nela como tal, porque ela não é constante, não é completa, não é perfeita. Mas muito mais porque a grande maioria das pessoas não acredita que ela exista.

Onde ela é encontrada?

Tirando a parte de que um corpo humano perfeito pode trabalhar por anos e anos sem apresentar quase nenhum tipo de problema, (esta é a parte da perfeição de Deus), a perfeição humana pode ser comparada à felicidade: é feita de momentos.

Qualquer pessoa que tenha preparado um prato que ficou maravilhoso e todo mundo gostou e elogiou, além de alcançar um momento de felicidade, não pensa, mas alcançou, também, um momento de perfeição.

Vamos pensar em todas as coisas que fizemos na vida (em todos os campos de atividade humana, desde o mais simples, como jogar uma partida de futebol até o mais complexo, como realizar um transplante de coração) em que o que planejamos deu certo: naquele momento fomos perfeitos, as circunstâncias foram perfeitas, coincidência ou não, foi o que aconteceu. Temos momentos de imperfeição (que podem ser a maioria) e de infelicidade (que também podem ser) ao longo da vida, e também, momentos de perfeição e felicidade relativas.

Aceitando o fato de que a perfeição absoluta pertence a Deus, a perfeição relativa está presente em muitos e muitos momentos da vida. As pessoas não pensam nela como tal, mas andam atrás dela o tempo todo, colocando pressão sobre si mesmas usando frases do tipo faça seu melhor, quando, na verdade, o melhor é o que elas podiam fazer no momento, e muitas e muitas vezes elas são perfeitas, sem se dar conta. Isso, para nem falar que, na maioria das vezes, ninguém, a não ser a própria pessoa, está preocupada com o fato de ela tentar ou não tentar fazer o seu melhor.

Mais uma vez, tudo passa pela maneira como se encara.

Quando as pessoas vêm ao meu blog, leem o que escrevo, saem e voltam, foi porque fui perfeito no que escrevi, nem se fosse na forma. A despeito da tentativa de ser perfeito nas palavras, nas colocações ou nas provocações, fui perfeito na tentativa de motivar um retorno.

Não existe uma vida absolutamente perfeita, existem momentos de perfeição relativa, que, somados, são também parceiros de uma felicidade relativa.

Mas quem vai querer saber disso?


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