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Rapidez na Passagem

MEU PLANO

Outro dia falei para a filha que pretendo fazer um plano do Crematório Metropolitano. Ela me falou de uns lances, aí, do espiritismo, e sobre o desapego do espírito com relação ao corpo, etc., que conforme for o espírito pode sentir as mesmas dores do corpo, após a morte física. Ela não quer ser cremada de jeito nenhum.

A imensa maioria das pessoas tem uma relação estranha com a morte. Quase ninguém gosta de falar dela, embora uma boa parte dos seres humanos vivos não só passe uma boa parte do tempo a desafiá-la, como todos nós (todos mesmo, sem exceção) sabemos que a morte é a mais básica certeza que qualquer um pode ter nessa vida. A de que um dia nos encontraremos com ela.

A morte em si provavelmente não põe medo em ninguém. A maioria das pessoas faz confusão entre morrer e a forma como se vai morrer. Esta confusão é que faz com que muitas pessoas não queiram pensar no assunto, e tanto não pensam que passam o tempo todo, repito, a desafiá-la.

Se meu corpo funcionar bem durante, digamos, 100 anos, ao natural, e um dia parar de funcionar por motivo de velhice pura e simples, que mal haverá nisso? O que eu disse para minha filha é o normal que qualquer pessoa pensa: não quero morrer baleado, nem esfaqueado, nem acidentado, nem definhando em cima de uma cama com uma doença grave. É tudo que ninguém quer. Mas vou bater de novo numa mesma tecla que venho martelando (e pretendo martelar à chatice extrema): as pessoas fumam, provocando vários tipos de câncer; abusam do álcool, dos doces, dos salgados industrializados, consomem drogas, dirigem feito loucas (alcoolizadas ou não).

Ah, eu bebo refrigerante todos os dias. Uma garrafa de dois litros de Pepsi dura dois dias e alguma coisa, para mim. Eu bebo Pepsi até sem gás, não me importo. Portanto, não tenho pressa de acabar com uma garrafa. Consumo a este nível não sei se faz o mesmo estrago que uma carteira de cigarros por dia, ou uma lata de cerveja. Nunca experimentei (nem pretendo) essas duas coisas, para saber. Nunca experimentei nenhum baseado, nem crack, nem qualquer outra dessas substâncias. Não sei se fazem mais ou menos mal que um copo de Pepsi por refeição grande.

Mas sei que se seu beber Pepsi-Cola não corro o risco de procurar a morte ao pegar a direção do meu carro. Nunca li nem ouvi qualquer advertência do Ministério da Saúde dizendo que o refrigerante causa impotência, câncer disso, daquilo, etc. Se causa, então vamos todos acionar aquele ministério por omissão, porque não está avisando.

Ou será que a indústria do tabaco tem menos força que a da bebida? Duvido.

Tudo isso para dizer que as pessoas passam a vida desafiando a morte, procurando por ela, e quando ela se apresenta ficam se desesperando, querendo recuar do encontro que foi por elas mesmas tão perseguido, haja visto seu comportamento até se depararem com a perspectiva de se encontrarem com ela. Muitas vezes o recuo é tardio, não dá mais tempo.

Eu não tenho este problema.

Sabedor de que sou um espírito passando por uma experiência humana, trabalho de maneiras a retardar este encontro dentro do que está sob meu controle fazê-lo, e é como eu digo, se não for de forma dolorosa ou traumática, não vejo problema, meu espírito não vai ficar se apegando. E depois, se for para o espírito ficar se apegando ao corpo que o hospedou por algum tempo (e este mesmo espírito não cuidou dele), tanto faz sentir as dores de o corpo estar sendo incinerado ou comido por bichinhos. Por via das dúvidas, por mais desassombrado que meu espírito seja, a cremação é mais rápida.


2 Comments Add Yours ↓

  1. Delair Braga #
    1

    Interessante! Bjus.

  2. picida ribeiro #
    2

    Embora devesse,evito pensar nesse assunto..



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