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Recaída?

SEM CHANCE

Todos gostamos de ter um chão para pisar. Gostamos de ter uma certa segurança. Uma boa dose de segurança. Um chão para pisar que não seja apenas este a que a Lei da Gravidade nos mantém atraídos. Mas nem deste chão podemos ter segurança total, porque, quando menos se espera, ele pode ser sacudido por terremotos.

Sendo verdade que a vida imita a arte, então algumas cenas que vejo nos filmes só podem ser oriundas da primeira vez que alguém soube que um fato parecido com o que é mostrado aconteceu de verdade. Acho até que todas as cenas são oriundas de algum caso verdadeiro, se não o próprio, ao menos muito parecido.

Por isso fiquei pensando, ao ver mais um episódio da excelente série Smash, no que leva uma pessoa que está estabilizada em um casamento com alguém que a ama, a quem ela ama, a se deixar levar para um momento onde chuta o balde com alguém que em algum lugar do passado já fez parte de sua vida. É a um gesto desses, muitas vezes (se não em todas elas) impensado, que costumamos chamar de recaída.

Eu nunca entendi a recaída. Nunca aconteceu comigo, Não sei se algum dia acontecerá. Acho que não. Nem em períodos em que estou sozinho isso tem chance de acontecer. Fico imaginando o por que de alguém que em algum ponto da história passou a achar que eu não lhe servia mais, depois de algum tempo (alguns anos, no caso da cena que vi no filme) de repente agora pensar que eu sirvo, se não para ter alguma coisa mais séria, ao menos para uma transa. Eu não consigo olhar para trás e ainda pensar que aquela pessoa ainda tenha alguma coisa que eu possa querer. Nem mesmo parar do lado é possível, que dirá ter qualquer outra coisa novamente. Não do meu ponto de vista.

Então, ao ver cenas como essas nos filmes, as primeiras e únicas coisas em que consigo pensar (transpondo a história do mundo da ficção para a vida real) é que ou a relação mais antiga (a que causa a recaída) não ficou tão bem resolvida quanto se pensava, ou a recaída é apenas uma fuga de uma situação atual que não está boa, e o próprio capengar da relação atual pode servir como justificativa para a recaída.

Acaba que o que se vê, depois, na sequência da história, é aquele arrependimento que faz com que a pessoa que não resistiu passe a viver sobressaltada com medo de que a relação atual descubra, ou, caso esta possibilidade não exista (e a pessoa com isso possa se sentir segura e deixar aquilo para trás para sempre como se nada tivesse acontecido), passe a viver o tempo todo pensando no que fez e tentando compensar a relação atual, movida pela culpa.

Claro que há os que têm recaídas e não sentem nada de mais, aconteceu e era isso. São poucos os casos assim retratados nos filmes, porque se a pessoa da relação atual não descobrisse que aconteceu uma traição, que graça a trama teria? Quantos outros enredos deixariam de acontecer e seriam esquecidos dentro de alguma gaveta?

Nada como uma reação consagrada pelo uso para nos garantir uma renovação de temporada, não é mesmo?

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