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Recuperando (7)

PORQUE NÃO

É noite de quarta (09.12.) e estou com algumas ideias na cabeça. Certamente vou esquecer de alguma coisa, como sempre tem acontecido, mas neste momento vou fazer uma pergunta a quem estiver lendo este texto. A resposta é pessoal, cada um terá a sua. É um momento para reflexão: quanto tempo do dia você passa fazendo alguma coisa de que gosta muito? Mas espere. Não falo de trabalho.

Lazer.

O que você tem paixão por fazer fora do trabalho e quanto tempo passa fazendo isso? Por dia. Por semana. Por mês.

A questão me vem à cabeça porque eu adoro ler (como já escrevi, sou viciado em leitura) e todos os dias venho aqui e escrevo que vou passar a tarde lendo. Depois que consegui tirar sempre que possível uma hora para me exercitar na esteira, tirei horas da televisão para me dedicar à leitura. Isso mesmo. Horas.

Alguém sempre poderá pensar que para mim é fácil fazer isso. Trabalho meio turno, fico livre depois das 13 horas, tenho tempo de sobra para ler e não duvido que haja quem pense que eu até poderia ter um segundo emprego. Imagina, dois empregos e uma aposentadoria. Com a minha disciplina na administração de dinheiro em pouco tempo eu poderia estar rico e não precisaria mais trabalhar.

Bom.

Voltando à realidade.

Se eu quisesse cometer mais uma loucura na vida, poderia trocar minha carga horária de 30 para 40 horas. Tenho certeza de que este seria mais um desafio para mim. Passar o dia inteiro (bom, não serias bem, bem, isso, mas seria quase). Teria algumas opções, graças ao horário flexível. Chegar às 9, como fazem alguns colegas, sair por volta das 18 horas. Neste cenário, imagino a cena. Tranqueiras no trânsito para ir e vir, porque antes das 9 e depois das 18, em Porto Alegre (ou em qualquer outra cidade deste tamanho) é um inferno estar no trânsito.

Muito provavelmente, podendo chegar às 9, dificilmente dormiria antes de meia-noite, ou talvez esticasse até um pouco mais. Saindo às 18, chegaria em casa por volta das 19. Até tomar um banho, jantar, etc., seriam pelo menos 21. Que tragédia. Restaria apenas ver televisão, talvez, e toca de novo dormir à meia-noite.

Outra alternativa seria chegar no trabalho às 7, cair fora às 17 (nas duas hipóteses é preciso incluir um horário obrigatório para almoço, sendo que há ainda um horário núcleo pela manhã, das 9 às 11:30, e pela tarde, das 14 às 17:30, ou algo assim, das 13:30 às 17, sei lá) em que é preciso estar no posto de trabalho.

O que eu faria, para começar? O mesmo que faço hoje; dormiria invariavelmente entre 23 e 23:30. Exceção às quartas de futebol que começa às 22 Levantaria cedo. Morando em apartamento, não poderia fazer esteira antes das 8, nem depois das 18, sendo que antes das 8 sequer poderia fazer 1 hora. E nem poderia ler tudo que leio hoje em dia a menos que levasse um livro para o trabalho e aproveitasse o tempo de almoço.

Mas acho que a leitura não renderia muito, com o barulho dos colegas em volta. Resumindo: sendo um viciado em leitura e por que não dizer, também no exercício na esteira, o desafio de passar para 40 horas eu nunca vou querer me propor. Até para escapar de me tornar mais uma daquelas pessoas que passam o dia inteiro logadas no Facebook, porque é o que está mais à mão e nos desobriga de usar a faculdade do pensamento, para nem falar em aprendizado.

Não dá.


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