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Sem Beliscão

NÓS DOIS

Bueno, então mais um dia se passou, e foi um dia normal como qualquer outro, a não ser pelo fato de que estamos em greve, na empresa, e como uma greve dificilmente termina no segundo dia, não cheguei perto do ambiente de lá. Fiquei ligado nas notícias como sempre faço, mas não li nem ouvi nada a respeito, o que também não foi nenhuma novidade.

Mas não é sobre greve que quero escrever.

Ao dizer que foi um dia comum como qualquer outro eu cometi um exagero para menos. Porque desde o dia em que ela começou a fazer parte da minha vida (o que pode ter coincidido com o dia em que permitiu que eu começasse a fazer parte da vida dela) eu nunca mais tive um dia comum. O que não seria nada exagerado dizer é que desde o primeiro dia as coisas começaram a mudar.

Porque já no primeiro dia foram horas. E dali vieram muitos dias, depois semanas, e agora já se foram meses. Meses e meses de conversas diárias, desde muito cedo até muito tarde a cada dia, e sempre há o que conversar. Sempre há com o que surpreender um ao outro, e temos convergências e divergências, e daí?

Outro dia ela me mostrou uma coisa de astrologia que falava que leoninos gostam de reforçar o seu amor, não deixando que a pessoa amada esqueça. Considerando que somos leoninos nascidos no mesmo dia não foi de estranhar, então, que todos os dias viéssemos repetindo sobre o que sentimos e cada um dando ao outro uma certeza de que nada consegue abalar o que se sente.

Quantas e quantas vezes na vida a gente entra em relacionamentos em que embora gostando da outra pessoa não sentimos a convicção de que com ela queremos passar o restante de nossas vidas. Até que um dia aparece alguém que nos sacode, mas só isso não basta. É preciso que nós também sacudamos a pessoa, e é aí que muitas vezes a coisa não bate, só que agora é inacreditável (ao menos para mim, além de inédito) o estado de permanente frio na barriga, ou borboletas batendo asas no estômago, tanto faz o nome.

Nunca para.

 E o que é ainda mais inacreditável: é tranquilo. É relaxante. É um calmante. Saber que ela está na minha vida me acalma, e eu já levo uma vida tranquila. Ela é inesperada. E tudo que eu tive que fazer foi esperar 30 anos até que ela nascesse, e mais 28 até conhecê-la. Só isso.

Sentir que não poderia mais viver sem ela felizmente não requereu tanto tempo.


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