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Sobre Alguns Milagres

SOBRE ELA

O amor que se acomoda (partindo da suposição de que ele realmente se instalou) é aquele em que um deixa de ver no outro as qualidades que, para começar, fizeram com que ele surgisse. Se acomoda porque a convivência tem o dom de fazer com que as pessoas esqueçam do que a outra tinha que fez com que o sentimento se desenvolvesse.

Mas ou menos como a banalidade da certeza de que dia após dia teremos o Sol e a Lua brilhando no céu, e mesmo nos dias em que a Lua se esconde existe a certeza de que mais dia, menos dia, voltará. Esta certeza faz com que esqueçamos de olhar para cima. Esquecemos de perceber que tanto a Lua quanto o Sol são milagres da Natureza, milagres do Todo, assim como milagroso é o dom que a outra pessoa tem que fez com que despertasse o amor que por ela nos permitimos sentir.

Quando perdemos a capacidade de todos os dias reconhecer o milagre que é tudo que o outro pode nos provocar com seu jeito de ser, o amor se acomoda. E não só se acomoda, ele definha, desaparece.

Não bastasse o milagre natural que é a vida da outra pessoa, o sentimento que seu jeito de ser nos provoca também é um milagre a ser reconhecido. É um dom que merece ser reverenciado, admirado como causador de friozinho na barriga que é. É um provocador de mudanças. O amor também pode se acomodar na novidade, se quiser. Pode se alimentar de brincadeira. Pode se alimentar da consciência da sabedoria do privilégio que é ter por perto os dons e o mundo da outra pessoa ao nosso redor.

O amor também pode se acomodar no transbordo, constantemente ultrapassando nossa capacidade de armazenamento pessoal de volume de sentimento. Pode crescer sem limites, desde que as pessoas aceitem o milagre que é o sentir amor por alguém, pelo que a pessoa é, ou pelo que ela tem, como por exemplo a voz que é a música mais linda que meus ouvidos poderiam escutar.

Um milagre que sempre foi e sempre será.

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