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Subentendido

MAIS UMA CONSTATAÇÃO

Querendo ou não a gente já nasce fazendo parte de uma alguma turma. Várias turmas, na verdade. De cara, a turma do sobrenome da família de alguém (ou do pai, ou da mãe, ou com sorte dos dois). Por exemplo, eu nasci na turma do sobrenome da família e ao mesmo tempo nasci na turma dos portoalegrenses, na turma dos gaúchos e na turma dos brasileiros.

Depois vieram as turmas dos colégios Ana Nery, Gustavo Armbrust, Parobé e Julinho. Entrei para a turma dos que escaparam de servir no quartel. Desde pequeno pertenço voluntariamente à turma dos gremistas e há quase quatro décadas também voluntariamente pertenço à turma dos funcionários públicos estaduais celetistas.

Já pertenci à turma dos que crescerem acreditando serem feios, à turma dos que tinham medo de chegar nas mulheres e à turma dos que acreditavam que só seriam felizes se tivessem alguém do lado. Turmas que nem sempre a gente escolheria voluntariamente.

Depois de vários anos agora pertenço à turma dos que não estão nem aí para estarem sozinhos. Na verdade, a coisa é assim: se eu estiver sozinho está bom; se estiver acompanhado também está bom, mas o problema é que os critérios para a aceitação de companhia são rígidos. E não é um problema para mim, é um problema para quem eventualmente se candidata a isso.

Um dos critérios (que na verdade é o principal) é que a pessoa tem que necessariamente ser alguém que venha para somar, acrescentar algo à minha vida. Se tudo é aprendizado, alguma coisa a pessoa tem que ter para ensinar, transmitir, do que também aprendeu com a vida. E tem sido bem complicado encontrar pessoas que tenham algo a dizer.

E se há uma turma da qual não faço a menor questão de pertencer é à dos que estão com alguém apenas para não estarem sozinhos. Como já escrevi outras vezes, antes só do que mal acompanhado não é só uma frase de efeito. Se as pessoas acham que eu tenho algo a acrescentar às suas vidas e por isso querem estar perto de mim, tenho o mesmo direito de esperar aprender alguma coisa com elas, e de não querê-las por perto se isso não acontecer.

Gosto muito de fazer parte da turma dos que podem escolher.


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