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Um Acessório

SEM DOMINAÇÃO

Anos atrás, numa época muito, muito distante, quando os filhos eram pequenos, eu já tinha a guarda deles, não era minha intenção ter telefone celular (que no Brasil ainda engatinhava), pela singela razão de que não queria poder ser encontrado a qualquer momento.

Já contei aqui sobre o dia em que meu filho estava jogando bola com o filho de uma vizinha na frente de casa e num determinado momento a bola foi parra o meio da rua e isso complicou a vida de um motoboy que passava. Ele se atrapalhou com a moto, caiu embaixo de um carro, não se machucou, mas tive que pagar um espelho novo para ele, e paguei sozinho, porque a vizinha disse que “a bola é do seu filho”. Se o dela estava participando da brincadeira, para ela era irrelevante.

Naquele dia eu havia passado pela esquina da rua, voltando do trabalho, e como não vi movimento fui almoçar numa churrascaria próxima, que hoje em dia nem existe mais (Santa Tereza, na Assis Brasil, ao lado do Hospital Cristo Redentor). O incidente com a bola já havia acontecido, as pessoas queriam encontrar o pai do menino dono da bola, para nem falar que era um menor de idade sem um adulto responsável por perto (que é claro que a vizinha não se responsabilizaria por ele).

Na época o filho estava com 13 ou 14 anos, não lembro (depende se a coisa aconteceu antes ou depois de 22 de junho, quando ele faz aniversário). Ali foi que me rendi e aceitei a ideia de que precisava de um aparelho celular. O ano era 1999.

De utensílio básico para comunicação (ligações e mensagens SMS) o celular evoluiu tanto, tanto, tanto, que a última coisa que faço com ele é falar. Muitos são os programas de troca de mensagens, o SMS virou coisa do tempo das cavernas da tecnologia, mas ao longo dos anos a minha relação com este aparelho não mudou tanto assim.

Como mencionei ontem, minha atenção foi chamada para uma matéria (que eu não disse qual era) do caderno Vida e Saúde, da ZH, e esta era sobre os males do uso excessivo do celular, em especial à noite, antes de dormir.

Confesso que antes de dormir eu resolvo de dois a três problemas de um jogo, que não é de dar tiros, é um jogo que obriga a pensar. Uso o celular para monitorar meu sono, contar quantos passos dou por dia, me assessorar com informações nos dias de jogos de futebol, ler notícias. Tenho vício por ler notícias, mas isso acontece não só no celular. Se estou em frente a um PC, estou de olho nas matérias. Escuto rádio em determinados horários do dia a fim de saber o que está acontecendo. Só não vejo notícias na televisão.

O que a matéria no jornal abordou, em termos de uso do celular, foi a questão da ansiedade gerada pela necessidade de conferência do que acontece nas redes sociais. Só lendo a matéria para compreender. Foi aí que eu pensei que não tenho esta necessidade. Tem dias que eu chego em casa e esqueço o celular no carro. Não são raras as vezes em que tenho eu descer para buscá-lo. Se antes de voltar para casa me lembro  de colocá-lo na mochila, não raras vezes o esqueço dentro dela, que, em geral, fica fechada no quarda-roupas do quarto. Às vezes passam-se horas até que eu me lembre de que o celular está na mochila.

É uma característica minha.

Digamos assim: se eu me esquecer do celular por horas, mas quando lembrar ele estiver carregado, tudo bem. Não posso é estar com ele sem bateria, porque ou eu escuto música, ou quero olhar e/ou escutar notícias, ou que ele conte meus passos, ou quero poder usá-lo para pensar um pouco mais naquele joguinho. Tenho (e agora a Lisiane também tem) cabos e carregadores estrategicamente espalhados pela casa, carrego um kit na mochila e também temos nos carros exatamente para não andar com ele descarregado (se bem que o dela quase sempre está).

Eventualmente posso precisar dele para me comunicar com a Lisi, os filhos, a família, e tal, por isso não prescindo do aparelho, como ferramenta de sobrevivência especialmente quando estou na rua. Mas se estiver em casa, olha, se não for pelos jogos de pensar, ou pelo futebol, ou pelas notícias, pouca utilidade ele tem para mim.

Eu queria que todo mundo tivesse acesso àquela matéria do jornal.


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