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Uma Certeza

UMA DEFINIÇÃO

Muitas e muitas vezes tenho escrito sobre os motivos certos para gostar de alguém, sem que no entanto chegasse a explicitá-los, nem tanto por não saber quais seriam, mas por não saber como explicá-los. Muita gente confunde as coisas, e penso que é por isso que acontecem tantos crimes passionais pelo mundo. De um ponto de vista muito particular, penso que os motivos certos para gostar são os mesmos que causam o medo de perder, me parece bem claro.

Mas quais são eles, efetivamente?

Eu tenho uma namorada.

Não foi alguém que conheci numa noite de balada, nem que tenhamos decidido entrar num relacionamento depois de algumas poucas horas de conversa. Levamos alguns meses para decidir, embora concordemos em colocar o ponto inicial no exato dia em que nos conhecemos num dos tantos aplicativos de paquera pelo celular, porque o amor (e não há outra palavra para definir o que nos une) veio como um submarino, emergindo, submerso que estava num mundo de conversas e risadas em texto e áudio.

E é aí que entram os meus motivos certos para não querer perder a pessoa.

Não é porque eu tenha medo de que ela pense em outro alguém, não é porque ela possa entregar o corpo a uma outra pessoa. Isso é coisa que passa, já aconteceu antes com relação a outras pessoas que eu conheci. O meu medo é de perder o convívio com a voz dela, a risada dela, o raciocínio rápido, a espirituosidade, a capacidade que ela tem de imaginar situações sem pé nem cabeça e as conversas que temos a partir disso. E ela acompanha as minhas loucuras, também.

Os momentos podem ser sérios ou divertidos, e é sempre bom, porque com ela eu cresço, me sinto livre, posso ser quem sou e eu procuro de todas as formas fazer com que ela também se sinta assim (o que ainda nem sempre consigo, mas vou chegar lá). Com ela, pela primeira vez eu comecei a pensar no medo de envelhecer sozinho. Até então isso nunca tinha passado pela minha cabeça, nem pensar a respeito havia sido um problema. Agora, não consigo mais encarar como uma perspectiva normal de futuro.

E nem uma diferença de idade de 30 anos impede que sejamos bem parecidos.

Estamos em processo de crescimento, aperfeiçoamento pessoal. Usando palavras dela: “eu estou no alicerce; você está no segundo ou terceiro andar“. Sim, eu estou quase no telhado. Mas ele não pode ser de vidro. Tenho que ser não só um alicerce onde ela também possa se assentar em segurança como também quero ser um terraço de onde ela possa ver as estrelas.

Estes para mim são motivos certos tanto para gostar de uma pessoa e querer tê-la na minha vida quanto para não querer perdê-la. É um conhecimento que todos deveríamos ter.


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